Entrevista, pesquisa e texto: Mateus das Neves
Naturalidade: João Pessoa – PB
Nascimento: 1998
Formação acadêmica: Direito, cursando mestrado em Antropologia.
E-mail: arthurcosta.cultura@gmail.com
Instagram: @oarthurpereira // @gavetasdamemoria
Canal Youtube: Arthur Pereira da Costa
Arthur Pereira da Costa, conhecido pelos nomes artísticos Arthur Costa, Arthur do Coco de Roda ou Arthur do Cavalo Marinho, é coquista e brincante paraibano, residente em João Pessoa. É integrante do Grupo Acauã, onde toca bombo, caixa e ganzá. Atua também como mestre de cordão no Cavalo Marinho Raiz Cultural do Mestre Zequinha, de Bayeux, como pandeirista no Cavalo Marinho Infantil Sementes do Mestre João do Boi e no Boi de Reis Estrela do Norte, além de integrar o Maracatu Quilombo Nagô, de Mangabeira. É graduado em Direito, advogado e mestrando em Antropologia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com pesquisa sobre território, territorialidade e cultura no Quilombo do Ipiranga, no Conde.
Sua relação com a cultura popular começou na infância, nas quadrilhas juninas de rua do bairro de Mangabeira, em João Pessoa. Na escola, teve contato com Toré, Coco de Roda e Babau. Na adolescência, o interesse pela fotografia, especialmente pelo registro do Centro Histórico de João Pessoa, aproximou-o das manifestações culturais e da história da cidade.
Em 2016, passou a participar do Coletivo Maracastelo, inicialmente em oficinas e depois como integrante, experiência que ampliou sua atuação com a cultura popular e a mobilização cultural. Entre 2016 e 2017, aproximou-se do Coco de Roda, acompanhando grupos como Ciranda do Sol, Vó Mera e suas Netinhas, Coco de Roda Novo Quilombo, do Quilombo de Ipiranga, e Coco do Mestre Benedito, de Cabedelo. Em 2017, participou da criação do Grupo Acauã, do qual faz parte até hoje.
Sua formação como brincador ocorreu principalmente pela observação e convivência com mestres, mestras e brincadores. Para aprender a tocar o bombo, utilizou uma bacia como instrumento improvisado, praticando os movimentos até desenvolver a técnica. Entre suas principais referências no Coco de Roda estão Mestre Zé Cutia, de Jacumã, e os mestres e mestras dos grupos do Quilombo de Ipiranga e do Quilombo de Gurugi, no Conde, além dos integrantes do Coco de Roda do Mestre Benedito, de Cabedelo. Entre os mestres e mestras que contribuíram para sua formação estão Ana do Coco, Lenira, Vanda, Janduí, Elias, Pedro Luiz e Jurandir. No Cavalo Marinho, suas principais referências incluem Mestra Tina e Mestre Pirralhinho, em João Pessoa; Mestre Nandinho, em Bayeux; Mestre Luiz Cirandeiro, em São Miguel de Taipu; e Mestre Luiz Miguel, de Itambé, Pernambuco.
A partir de 2018, passou a acompanhar mais diretamente o Cavalo Marinho e, em 2021, começou a tocar pandeiro no Cavalo Marinho Infantil Sementes do Mestre João do Boi e no Boi de Reis Estrela do Norte. Em 2022, ingressou no Cavalo Marinho Raiz Cultural do Mestre Zequinha, de Bayeux, onde atualmente atua como mestre de cordão. É integrante do Maracatu Quilombo Nagô, de Mangabeira, onde toca ganzá.
Sua atuação também envolve mobilização, pesquisa, produção cultural, mapeamento de grupos e salvaguarda. Participou da organização do 1º e do 2º Encontro de Coco de Roda, Ciranda e Mazurca da Paraíba e da 1ª e da 2ª Pisada de Cavalo Marinho, Boi de Reis e Reisado da Paraíba, além de articulações pelo reconhecimento dessas manifestações como patrimônio cultural de João Pessoa e da Paraíba. Integrou o Boi da Praça, grupo de estudos sobre o Cavalo Marinho em João Pessoa, onde exerceu as funções de coordenação geral e pedagógica na Ação de Salvaguarda Emergencial do Cavalo Marinho do Mestre Zequinha, em Bayeux, entre 2022 e 2023. Também integra o Coletivo Jaraguá, de João Pessoa, e participou de pesquisa sobre os Cocos do Nordeste vinculada ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
Durante a graduação em Direito, pesquisou o direito à terra do Quilombo de Ipiranga. No mestrado em Antropologia da UFPB, investiga o território, territorialidade e cultura no mesmo quilombo, com atenção à prática do Coco de Roda e ao trânsito de brincadores pelo território. Atualmente, concilia a atuação como brincante, agente cultural e pesquisador, articulando prática artística, mobilização cultural, pesquisa acadêmica e ações de preservação das manifestações tradicionais paraibanas.
Fonte:
Entrevista concedida por Arthur Pereira da Costa a Mateus das Neves em agosto de 2026.