Pesquisa e texto: Sara Fortunato
Naturalidade: João Pessoa-PB
Atividades artístico-culturais: Escritor ✷
Instagram: @lucassntn
E-mail: nunes.s.lucas@gmail.com
Site: https://www.lucassntn.com/
Premiações: VIII Prêmio ABERST de Literatura (2025) – Narrativa curta de suspense com o conto Fruto Podre
Lucas Santana é um escritore e biólogue pessoense, com raízes em Recife, cidade onde atualmente vive e que também ocupa um lugar importante em sua produção literária. Com interesse por histórias de investigação, assombração e horror, utiliza suas vivências enquanto pessoa queer, não-binária e nordestina para construir narrativas em que o fantástico e o sobrenatural atravessam situações do cotidiano. Em suas obras, questões como violência, identidade, memória, território e resistência aparecem envoltas por elementos de fantasia e terror.
Sua trajetória na literatura reúne romances, contos e publicações em revistas e antologias. Entre seus livros estão A trama da morte e Fruto podre, publicados pela Editora Corvus em 2023; O silêncio do mangue, lançado pela Naci em 2024; e Sangue Raro, publicado pela Companhia Editora Nacional em 2025. Também fazem parte de sua produção Ilhados, Encontros efêmeros, Bruxa de areia e o zine Portas, além de contos como O parque, Bruxa de areia, A monstra, Os clarins de Momo, Matchstick Girl e Raiz. Seus textos também aparecem em publicações como Suprassuma, The Dark Magazine, Pulpa e nas antologias LGBTerror e Rocket Pages.
Em A trama da morte, Lucas aproxima a magia das ruas do Recife para construir uma narrativa marcada pelo fantástico e pelo mistério. Já em O silêncio do mangue, o autor mergulha no universo dos manguezais para desenvolver uma trama policial em que o ambiente e seus personagens se tornam parte fundamental do enigma. A obra foi destacada pela maneira como combina investigação, atmosfera de horror e elementos característicos da paisagem nordestina.
Um dos trabalhos que também ganhou destaque em sua trajetória foi o conto Fruto podre, finalista do 8º Prêmio ABERST de Literatura. Em suas narrativas curtas, Lucas mantém o interesse pelo insólito e pelo horror, explorando diferentes formas de transformar situações aparentemente comuns em experiências inquietantes.
Em Sangue Raro, seu romance publicado em 2025, o autor amplia essa relação entre horror, fantasia e questões sociais. A história acompanha Caetano, morador do Morro da Conceição, no Recife, que possui um sangue raro capaz de localizar pessoas por meio de rituais mágicos. Durante uma ditadura militar criada para perseguir bruxos e pessoas como ele, Caetano é capturado e passa dez anos sendo utilizado pelo governo como instrumento para localizar seus inimigos. Depois de conseguir escapar, encontra um país devastado pelo ódio, pela feitiçaria e pelo abandono.
Ao lado de Jorge, um bruxo assassino que precisa do poder de seu sangue para encontrar a filha desaparecida, Caetano precisa decidir entre carregar a culpa pelas atrocidades cometidas através de seu corpo ou buscar aqueles que destruíram sua vida. A obra combina fantasia, horror e distopia com referências reconhecíveis da capital pernambucana, fazendo do Recife não apenas um cenário, mas parte da própria narrativa. O Morro da Conceição e manifestações da cultura popular da cidade aparecem inseridos em uma história sobre opressão, resistência, violência e sobrevivência.
A relação entre território e fantástico continua em Bruxa de areia, narrativa ambientada em Brasília Teimosa que aborda questões como especulação imobiliária, luta pelo território e preservação ambiental. Assim, ao longo de sua produção, Lucas Santana transforma espaços e experiências nordestinas em matéria-prima para histórias de horror, mostrando que o medo também pode nascer das desigualdades, das violências e dos conflitos presentes na realidade.
Com uma escrita que aproxima o sobrenatural de lugares, personagens e questões sociais reconhecíveis, Lucas Santana vem construindo uma literatura de horror marcada por uma perspectiva nordestina e queer. Suas obras subvertem a ideia de que o fantástico precisa estar distante da realidade e encontram justamente no cotidiano, na memória e nos territórios brasileiros o espaço para fazer surgir seus monstros, mistérios e assombrações.
Fontes:
https://www.amazon.com.br/stores/author/B0892S4CV6
https://www.janelaliteraria.com.br/2026/03/resenha-sangue-raro-lucas-santana.html#google_vignette
https://aberst.com.br/2026/01/25/vencedores-do-viii-premio-aberst-de-literatura/