Pesquisa e texto: Gustavo Roberto
Naturalidade: Campina Grande-PB
Nascimento: 17 de junho de 1997
Atividade artístico-cultural // exercício-profissional: Escritora, pesquisadora, professora de escrita criativa e profissional de texto
Formação: Letras pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB); mestrado em Estudos da Linguagem pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)
Instagram: @jadna.alana
Jadna Alana é uma escritora paraibana, natural de Campina Grande e criada em Nova Palmeira, no Seridó Oriental do estado. Formada em Letras pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), posteriormente realizou mestrado em Estudos da Linguagem pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Sua produção literária é marcada pela aproximação entre elementos do cotidiano brasileiro, especialmente nordestino, e o fantástico, característica que a autora relaciona ao conceito de Regionalismo Fantástico.
Jadna começou a escrever ainda jovem e publicou seus primeiros trabalhos no mercado independente. Em entrevista ao Portal Correio, em 2018, relatou que a necessidade de criar suas próprias histórias surgiu a partir de sua relação com a leitura. Naquele período, aos 21 anos, já havia participado de seis livros e publicado três obras de sua autoria.
Sua trajetória literária inclui romances, novelas e contos. Entre as obras publicadas estão Riacho do Jerimum, de 2019, Para Onde Vão as Sombras, de 2021, e Quintal Fantástico – Contações Folclóricas, de 2023. Em Riacho do Jerimum, a autora explora o fantástico a partir de um povoado do interior da Paraíba, aproximando a literatura fantástica de referências culturais e paisagísticas nordestinas.
Outro trabalho de destaque é Se tu me quisesse, novela que foi finalista do Prêmio Kindle de Literatura, em 2022, e do Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica, em 2023. A obra também evidencia a aproximação da autora com o Regionalismo Fantástico, vertente que passou a investigar academicamente durante sua formação em Minas Gerais.
Em 2023, Jadna venceu o Prêmio Marília Arnaud, na categoria conto, com O menino de Imburana. No mesmo período, foi vencedora do Prêmio Carolina Maria de Jesus de Literatura, promovido pelo Ministério da Cultura, com a obra Barquinho de papel.
O reconhecimento alcançou dimensão nacional em fevereiro de 2026, quando Barquinho de papel venceu a 10ª edição do Prêmio Kindle de Literatura. A obra foi escolhida entre mais de 3.200 inscrições, número recorde da premiação. Com a vitória, Jadna recebeu R$ 50 mil, além de contrato para publicação impressa pelo Grupo Editorial Record, edição especial pela TAG Experiências Literárias e adaptação da obra para audiolivro pela Audible.
Barquinho de papel acompanha Jurema, uma menina que vive no fictício vilarejo baiano de Cruz-Credo e sonha em conhecer o mundo. A personagem constrói um barco de papel utilizando cartas, anotações e outros materiais descartados pela comunidade. A narrativa combina fantasia, memória, ancestralidade e elementos da cultura brasileira. Para Jadna, a obra também representa uma reflexão sobre sua própria saída da Paraíba para estudar em Minas Gerais.
A experiência de deixar a Paraíba também aparece como elemento importante na compreensão da autora sobre sua própria literatura. Em entrevista à UEPB, Jadna afirmou que Barquinho de papel nasceu justamente no período em que deixava o estado para cursar o mestrado. Segundo ela, o livro carrega um “sotaque nordestino” e resulta da relação com a terra natal, a família, os amigos e as referências culturais de sua formação.
A autora também desenvolve estudos sobre o Regionalismo Fantástico, conceito que utiliza para pensar uma literatura ambientada nos interiores do Brasil e atravessada por elementos fantásticos. A pesquisa acadêmica acompanha sua produção literária e contribui para uma atuação que combina escrita, investigação e formação de novos autores. Jadna atua ainda como profissional de leitura crítica e preparação de textos e participa de projetos editoriais voltados à literatura.
Em 2026, Jadna retornou à Paraíba para o lançamento de Se tu me quisesse em João Pessoa. A atividade ocorreu na Livraria A União, no Espaço Cultural José Lins do Rêgo, e marcou seu primeiro lançamento na capital paraibana. Na ocasião, a escritora ressaltou a importância de retornar ao estado durante o período junino e destacou a presença das questões culturais populares, brasileiras e nordestinas em sua produção.
A trajetória de Jadna Alana evidencia a projeção da literatura paraibana contemporânea para além das fronteiras do estado. Ao aproximar fantástico, memória, cultura popular, identidade nordestina e experiências do interior brasileiro, a escritora constrói uma produção que dialoga com a tradição regional ao mesmo tempo em que busca novas formas de representação da literatura fantástica brasileira.
Fontes:
https://portalcorreio.com.br/entrevista-com-a-escritora-jadna-alana/
https://revistaconexaoliteratura.com.br/jadna-alana-e-o-livro-riacho-do-jerimum-editora-coerencia/