Pesquisa e texto: Gustavo Roberto
Localização: Alto Sertão da Paraíba, na região de Bonito de Santa Fé, Monte Horebe e São José de Piranhas
Características: Formação serrana associada à Chapada do Araripe, com altitudes que chegam a aproximadamente 780 metros
Vegetação: Caatinga, com áreas de remanescentes florísticos
Importância: Área de nascentes e divisor de águas, com destaque para a nascente do rio Piranhas.
A Serra do Bongá é uma formação serrana localizada no extremo oeste da Paraíba, no Alto Sertão, constituindo um prolongamento da Chapada do Araripe. Sua área de ocorrência abrange os municípios de Bonito de Santa Fé, Monte Horebe e São José de Piranhas, compondo uma paisagem de relevo elevado em meio ao semiárido paraibano. Estudos realizados na região registram altitudes de até aproximadamente 780 metros.
A serra possui importância especial para a hidrografia da Paraíba, pois nela estão as cabeceiras do rio Piranhas, um dos principais cursos d’água do estado. Segundo o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), o rio Piranhas nasce na Serra do Bongá, no município de Bonito de Santa Fé, e percorre a Paraíba em direção ao Rio Grande do Norte, onde integra o sistema do rio Piranhas-Açu.
A posição da Serra do Bongá também contribui para a organização das águas da região. A formação serrana atua como divisor natural entre diferentes sistemas de drenagem. Registros históricos e estudos geográficos apontam que, em suas vertentes, encontram-se as nascentes de rios associados às bacias do Piranhas e do Piancó, evidenciando a importância da serra para a rede hidrográfica do Alto Sertão.
Do ponto de vista ambiental, a Serra do Bongá apresenta características próprias de uma área elevada inserida no domínio da Caatinga. Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal de Campina Grande identificou remanescentes florísticos na serra e registrou 28 espécies de Fabaceae distribuídas em 18 gêneros, incluindo espécies registradas pela primeira vez para a flora da Paraíba. O estudo também aponta a presença de espécies endêmicas da Caatinga e caracteriza a Serra do Bongá como uma área prioritária para conservação da biodiversidade.
A diversidade ambiental está relacionada às condições particulares do relevo. A pesquisa sobre a flora da Serra do Bongá registra clima semiárido, temperatura média de aproximadamente 25 °C e precipitação média anual de 849,6 milímetros, distribuída principalmente entre as estações seca e chuvosa. Essas condições, associadas às diferenças de altitude, contribuem para a formação de ambientes diferenciados dentro do domínio semiárido.
A serra também aparece em estudos sobre a ocupação histórica e geográfica do Sertão paraibano. Mapas e pesquisas acadêmicas sobre o processo de ocupação dos vales dos rios Piranhas e Piancó identificam a Serra do Bongá entre as principais referências do relevo regional, juntamente com outras formações serranas que estruturam a paisagem do oeste paraibano.
O topônimo Bongá também possui registros de interpretação etimológica. Uma publicação da UEPB relaciona o nome ao verbo de origem quimbundo bongar, associado aos sentidos de buscar, procurar, apanhar ou tomar. A interpretação aparece em estudo sobre os topônimos e as paisagens do semiárido paraibano.
Historicamente, a Serra do Bongá também foi descrita como prolongamento da Serra do Araripe. Em registro do século XIX, o historiador Irineu Joffily observou sua posição como referência natural entre a Paraíba e o Ceará e destacou sua relação com as nascentes dos rios Piancó e Piranhas.
A Serra do Bongá, portanto, reúne importância geomorfológica, hidrográfica, histórica e ambiental. Além de marcar a paisagem do Alto Sertão paraibano, a formação está diretamente relacionada à origem de importantes cursos d’água e abriga uma diversidade de espécies da Caatinga, constituindo uma das referências naturais mais significativas do extremo oeste da Paraíba.
Fontes:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Serra_do_Bong%C3%A1
https://dspace.sti.ufcg.edu.br/handle/riufcg/41235