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Data de publicação do verbete: 19/09/2026

Leon Clerot

Leon Clerot

Engenheiro, professor, pesquisador, arqueólogo, paleontólogo, geólogo, geógrafo, botânico, etnógrafo, escritor e artista plástico. Embora nascido no Rio de Janeiro, Leon Francisco Rodriguez Clerot dedicou cerca de três décadas à Paraíba, tornando-se uma das figuras de destaque da ciência e da cultura paraibanas no século XX. Suas pesquisas contribuíram para o conhecimento do patrimônio arqueológico, paleontológico, mineral e cultural do estado.

Pesquisa e texto: Gustavo Roberto

Naturalidade: Nova Friburgo-RJ // Radicado em João Pessoa-PB

Nascimento: 14 de julho de 1889 // Falecimento: 5 de dezembro de 1967, João Pessoa-PB

Atividades artístico-culturais: Escritor, artista plástico e etnógrafo 

Atividades exercício-profissionais: Engenheiro, professor, pesquisador, arqueólogo, paleontólogo, geólogo, geógrafo e botânico

Leon Francisco Rodriguez Clerot nasceu em 14 de julho de 1889, em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, filho do francês Leon Felipe Clerot e da espanhola Leocádia Melquiades Rodriguez Clerot. Formou-se em Engenharia Civil pela Escola Politécnica e também estudou Geologia em Ouro Preto, Minas Gerais. Antes de se estabelecer na Paraíba, trabalhou como engenheiro no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, onde também exerceu atividades de ensino. 

Na primeira metade da década de 1930, Clerot mudou-se para a Paraíba, estado onde permaneceria até sua morte. Inicialmente, trabalhou no Centro Agrícola de Pindobal, em Mamanguape, e posteriormente atuou como engenheiro do Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Também elaborou projetos para construções no estado, entre eles o edifício da Associação Paraibana de Imprensa (API). 

Sua permanência na Paraíba transformou profundamente sua trajetória. Autodidata em diversas áreas das ciências naturais e humanas, Clerot dedicou-se ao estudo da geologia, arqueologia, paleontologia, botânica, zoologia, etnografia, cartografia e história natural. Percorreu diferentes regiões do estado realizando pesquisas de campo e levantamentos sobre seus recursos minerais, formações geológicas, sítios arqueológicos, fósseis e aspectos da cultura popular. 

Entre suas pesquisas mais conhecidas está o trabalho relacionado às Itacoatiaras do Ingá, conjunto de inscrições rupestres que se tornaria um dos mais importantes patrimônios arqueológicos da Paraíba. Estudos sobre a história da preservação do sítio registram a atuação de Clerot e da Sociedade Paraibana de História Natural na pesquisa e divulgação das inscrições durante a década de 1950. 

Clerot também realizou pesquisas paleontológicas. Entre suas descobertas está uma espécie de molusco fóssil do período Cretáceo encontrada nas pedreiras do bairro de Mandacaru, em João Pessoa, que recebeu o nome científico Pinnaregina mandacaruensis. A descoberta é lembrada como uma das contribuições de suas pesquisas para o conhecimento da história natural paraibana. 

Outra frente de seus estudos foi o levantamento dos recursos minerais do estado. Durante suas expedições, percorreu diferentes zonas fisiográficas da Paraíba em busca de ocorrências minerais. Seus trabalhos abordaram minerais como ferro, ouro, fosforita, tungstênio, titânio, alumínio, magnésio, tório e urânio, entre outros. 

A preocupação de Clerot com a preservação do patrimônio também resultou na criação e organização de instituições culturais. Ele foi fundador do primeiro Museu do Estado da Paraíba e participou da criação da Sociedade Paraibana de Arqueologia e Antropologia. Em 1952, esteve ainda entre os pesquisadores envolvidos na Sociedade Paraibana de História Natural, que tinha entre seus objetivos estudar a riqueza natural e folclórica do Nordeste e contribuir para a criação de um museu paraibano. 

O pesquisador também teve atuação na Universidade Federal da Paraíba. Foi professor fundador da antiga Faculdade de Filosofia da instituição, onde lecionou disciplinas como Geografia do Brasil, Etnografia e Etnosofia do Brasil. Sua atuação acadêmica contribuiu para a formação de estudantes em áreas relacionadas ao conhecimento do território e da cultura brasileira. 

Paralelamente à ciência e ao magistério, Clerot participou do movimento de renovação das artes visuais paraibanas. Em 1946, esteve entre os fundadores do Centro de Artes Plásticas da Paraíba (CAP), ao lado de artistas como Hermano José, Olívio Pinto e outros nomes ligados à produção artística de João Pessoa. No CAP, também produziu pinturas e gravuras e participou de exposições. 

Sua produção intelectual inclui trabalhos dedicados à história, geografia, mineralogia, linguística e cultura paraibana. Entre suas principais obras está Vocabulário de Têrmos Populares e Gíria da Paraíba, publicado em 1959, estudo que registra expressões e vocábulos utilizados no estado e analisa sua formação linguística. A obra também investiga a presença de elementos indígenas e africanos na formação do léxico regional. 

Outra publicação importante é 30 Anos na Paraíba – Memórias Corográficas e Outras Memórias, escrita na década de 1950 e publicada postumamente, em 1969. O livro reúne observações realizadas durante suas décadas de pesquisas pelo território paraibano e apresenta informações sobre aspectos geográficos, históricos, botânicos, zoológicos, etnográficos e folclóricos do estado. 

A obra ainda inclui um glossário de termos de origem tupi-guarani incorporados ao português brasileiro, demonstrando o interesse de Clerot pela toponímia e pelas relações entre língua, território e cultura. Também deixou trabalhos sobre os minerais da Paraíba, espeleologia e outros temas científicos. 

Clerot era ainda poliglota, dominando, segundo registros biográficos, idiomas como francês, espanhol, alemão, latim e esperanto, além de dedicar-se ao estudo do tupi-guarani. Essa característica ajuda a explicar a amplitude de seus interesses e sua produção intelectual diversificada. 

No campo da preservação da memória, seu nome está ligado ao Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (IHGP), onde é patrono da Cadeira nº 27. Seu legado também permanece registrado em diferentes espaços e instituições paraibanas, incluindo uma rua em Santa Rita que homenageia Leon Clerot e sua esposa, Luzia Ramalho Clerot. 

Leon Clerot faleceu em João Pessoa, em 5 de dezembro de 1967, aos 78 anos. Apesar de ter nascido no Rio de Janeiro, sua trajetória está profundamente associada à Paraíba. Foram cerca de 30 anos dedicados à pesquisa do território, da história natural, da arqueologia, da cultura e da linguagem do estado, o que fez dele uma das figuras mais singulares da intelectualidade paraibana do século XX.

Seu legado reúne ciência, educação, cultura e preservação do patrimônio. Engenheiro por formação e pesquisador por vocação, Clerot percorreu a Paraíba estudando seus fósseis, minerais, paisagens, inscrições rupestres, palavras, costumes e manifestações culturais. Por isso, sua contribuição permanece relacionada à construção do conhecimento sobre a identidade e o patrimônio paraibanos.

Fontes:

https://www.ihgppb.com.br/historia/

https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2010/11/22/senado-leva-obras-de-leon-clerot-para-o-salao-internacional-do-livro-da-paraiba

https://pdfcoffee.com/copia-de-revista-do-ipgh-20-ed-instituto-paraibano-de-genealogia-e-heraldica-2018-pdf-free.html

 

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