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Data de publicação do verbete: 30/09/2026

Irmãs Salvianas

Irmãs Salvianas

As Irmãs Salvianas, artesãs do sertão paraibano, perpetuam tradições familiares por meio da cerâmica, do crochê e da música, transformando saberes cotidianos e rurais em expressões fundamentais da cultura popular amplamente reconhecidas pela comunidade, por visitantes e até por instituições.

Entrevista e texto: Rosilene Leonardo 

Naturalidade: Santana de Mangueira-PB (Sítio Mata das Salvianas)

Atividades artístico-culturais: artesanato em cerâmica, crochê e música/canto

Principais produções: passarinhos de cerâmica; peças artesanais em barro; bonecas de bruxa; trabalhos em crochê; apresentações musicais de Raimunda

Saberes e referências: tradição familiar de trabalho com o barro, transmitida pela mãe Maria Faustina; cultura rural; fé católica; música e saberes artesanais

Títulos e reconhecimentos: placa do SEBRAE e reconhecimento crescente por parte da comunidade, visitantes, agentes culturais e instituições

Raimunda Salviana, Rita Maria da Silva e Ana Maria, conhecidas como Irmãs Salvianas, são artesãs e artistas de Santana de Mangueira, no sertão paraibano. Nascidas e criadas no Sítio Mata das Salvianas, zona rural do município, as três irmãs construíram suas trajetórias a partir dos saberes aprendidos no ambiente familiar, especialmente com a mãe, Maria Faustina, que era louceira e trabalhava com barro. Desenvolvem atividades relacionadas ao artesanato em cerâmica, ao crochê e à música.

A trajetória cultural das irmãs começou ainda na infância, embora, durante muitos anos, elas não identificassem suas práticas como arte ou cultura. O trabalho fazia parte da vida cotidiana da família: aprender, produzir, trabalhar e compartilhar conhecimentos eram ações incorporadas à rotina. Foi somente há pouco mais de seis anos, com a chegada de pessoas interessadas em conhecer o que produziam, que passaram a compreender que aqueles saberes construídos ao longo de décadas também constituíam uma importante expressão cultural.

O conhecimento sobre a cerâmica foi transmitido pela mãe e desenvolvido pelas irmãs por meio da observação e da prática. Um episódio marcante dessa trajetória aconteceu quando Raimunda visitou Juazeiro do Norte, no Ceará, e encontrou pequenos pássaros confeccionados em cerâmica. Ao retornar para Santana de Mangueira, buscou barro em um barreiro e tentou reproduzir as peças que havia visto. A experiência deu origem aos passarinhos de barro que, posteriormente, também ensinou às irmãs.

Sem formação artística formal, as Irmãs Salvianas desenvolveram seus saberes pelas mãos, pela convivência e pela experiência cotidiana. Esse processo de aprendizagem, transmitido entre gerações, permanece presente em suas produções. Atualmente, Rita dedica-se especialmente à confecção de bonecas de bruxa e ao crochê; Ana Maria mantém a produção de peças de cerâmica; e Raimunda, além do artesanato, desenvolve sua relação com a música, cantando e tocando pandeiro e triângulo.

As peças produzidas pelas irmãs são expostas na própria residência, onde uma das salas foi transformada em espaço de apresentação dos trabalhos. O local também funciona como ponto de encontro com visitantes, que chegam interessados em conhecer as peças, a história das artesãs e os modos de fazer que aprenderam com a mãe. Essa abertura para receber o público tornou-se também uma forma de compartilhar e divulgar os saberes culturais da família.

Entre suas produções destacam-se os passarinhos de cerâmica, as peças confeccionadas em barro, as bonecas de bruxa, os trabalhos em crochê e as apresentações musicais de Raimunda. Para as irmãs, cada peça carrega parte da história e dos conhecimentos construídos ao longo de suas vidas. Entre os trabalhos de que mais se orgulham estão justamente os passarinhos de barro e as bonecas de bruxa confeccionadas por Rita.
A relação entre as Irmãs Salvianas e o território é profunda. Elas nasceram, cresceram e continuam vivendo no mesmo sítio, onde também trabalharam na terra e construíram suas histórias. A casa, o barro, a família, a fé, a roça e as lembranças da infância estão diretamente presentes em suas práticas. Nesse sentido, seu artesanato não está separado do lugar onde vivem: ele nasce do próprio território e dos modos de vida que aprenderam e preservaram ao longo do tempo.

A preservação desses saberes é uma dimensão importante de sua atuação cultural. As irmãs reconhecem que continuam realizando uma prática ensinada pela mãe e que poderia se perder com o passar das gerações. Ao receber visitantes e permitir que suas peças sejam fotografadas, filmadas e compartilhadas, também contribuem para que conhecimentos produzidos no Sítio Mata das Salvianas sejam conhecidos para além da comunidade.

A história das três irmãs está marcada por uma infância simples, pelo trabalho na roça, pela fé católica, pela união familiar e pela solidariedade. Filhas de Maria Faustina e Francisco Viana, cresceram em uma família de seis filhos e permaneceram ligadas ao território de origem. Ana Maria teve a oportunidade de aprender a ler e escrever e chegou a atuar como professora no município, enquanto as demais irmãs não tiveram as mesmas oportunidades de escolarização.

Ao longo dos últimos anos, o trabalho das irmãs passou a receber maior reconhecimento. Elas participaram de ações culturais no município e tiveram contato com iniciativas relacionadas às políticas culturais, inclusive por meio da Lei Aldir Blanc. Também receberam visitas da Secretaria de Cultura e Turismo de Santana de Mangueira e do SEBRAE. Uma placa recebida do SEBRAE permanece exposta no alpendre da residência como registro desse reconhecimento.
A música também ocupa um lugar especial na trajetória de Raimunda. Para ela, cantar é uma alegria e um dom recebido de Deus. Além do canto, toca pandeiro e triângulo e atualmente alimenta o sonho de adquirir um teclado para aprender a tocar o instrumento. Rita continua produzindo suas bonecas de bruxa e trabalhos em crochê, enquanto Ana Maria segue dedicada à produção de peças de cerâmica.
Mais do que uma atividade artesanal, o trabalho das Irmãs Salvianas representa a continuidade de um conhecimento familiar e de uma forma de viver vinculada ao território. Sua trajetória reúne memória, saberes tradicionais, trabalho manual, fé, música e convivência, constituindo uma expressão da cultura popular de Santana de Mangueira. As próprias irmãs desejam ser lembradas pela fé, pelo acolhimento, pela alegria e pela beleza das peças que produzem, mas também como mulheres que aprenderam com as próprias mãos e continuam compartilhando aquilo que receberam de sua mãe.

Fontes:

Entrevista com as Irmãs Salvianas realizada por Rosilene Leonardo em 16 de agosto de 2026.

https://www.instagram.com/reel/DDrlsaMO39i/?igsi=MXcyZDFqd2ZwdjB2Yg==

https://www.instagram.com/reel/CreIUOjvR-4/?igsi=MnBtZnc3NDZkOWQy

https://www.instagram.com/reel/Dcr71EBCAdz/?igsi=MWFmM2c0NnNqYW50Mw==

https://www.instagram.com/reel/DNZM6zVRYwm/?igsi=Z2J4amxybWt6cXQy

https://www.instagram.com/reel/C8wuCTnuVtf/?igsi=MWd1c2lqNHlvOTZ1aQ==

Documentário: Elas têm nome e sobrenome. Disponível em: https://youtu.be/Pjln8c-TNss?is=8vvFbS1fyVaU9fyx 

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