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Data de publicação do verbete: 01/10/2026

Flávio Maroja

Flávio Maroja

Médico, político, escritor, sanitarista e intelectual paraibano. Foi um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (IHGP) e exerceu sua presidência durante as primeiras décadas de funcionamento da instituição, contribuindo para sua consolidação como centro de pesquisa e preservação da memória histórica da Paraíba.

Pesquisa e texto: Gustavo Roberto

Naturalidade: Pilar-PB

Nascimento: 1º de setembro de 1864 // Falecimento: 15 de fevereiro de 1940, João Pessoa-PB

Atividade artístico-cultural: escritor 

Atividades exercício-profissionais: Médico, político, sanitarista, jornalista e intelectual

Flávio Ferreira da Silva Maroja nasceu em 1º de setembro de 1864, na Fazenda Chaves, em Pilar, na Paraíba. Filho de Manoel Ferreira da Silva Maroja e Francisca Leocádia, realizou os primeiros estudos em Pedras de Fogo e posteriormente se transferiu para João Pessoa, onde concluiu sua formação no Liceu Paraibano. Em seguida, iniciou o curso de Medicina na Faculdade de Medicina da Bahia e concluiu a formação no Rio de Janeiro, em 1888. 

Após a formação médica, retornou à Paraíba e construiu uma trajetória que combinou medicina, política, educação sanitária e produção intelectual. Exerceu funções públicas como intendente municipal de João Pessoa e deputado estadual. Entre 1920 e 1924, durante o governo de Sólon de Lucena, ocupou o cargo de vice-presidente do Estado da Paraíba, função equivalente à de vice-governador na estrutura administrativa atual. 

Na área médica, Maroja teve participação importante na organização dos serviços de saúde da Paraíba. Dirigiu a Santa Casa de Misericórdia, atuou como chefe da Saúde dos Portos e participou da criação da Sociedade de Medicina e Cirurgia da Paraíba. Também esteve ligado ao Instituto Vacinogênico da Paraíba, criado em 1913, e às primeiras iniciativas de educação sanitária no estado. 

Seu trabalho ultrapassava o atendimento médico. Maroja defendia a utilização da educação como instrumento de prevenção de doenças e publicou textos sobre higiene e saúde em jornais paraibanos, especialmente em A União, e na revista do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano. Pesquisas acadêmicas identificam sua atuação como a de um intelectual e mediador cultural, interessado em difundir conhecimentos científicos e práticas de saúde para a população. 

Em 1912, ao lado do médico Walfredo Guedes Pereira e de outros colaboradores, participou da criação do Instituto de Proteção e Assistência à Infância da Paraíba, voltado à assistência materno-infantil. Também foi um dos nomes ligados ao desenvolvimento da medicina e das instituições científicas na Paraíba nas primeiras décadas do século XX. 

Flávio Maroja e o IHGP

A relação de Flávio Maroja com o Instituto Histórico e Geográfico Paraibano começou no próprio momento de fundação da entidade, em 7 de setembro de 1905. Ele integrou a comissão responsável pela elaboração dos estatutos do novo instituto e tornou-se integrante de sua primeira diretoria. 

Embora a primeira presidência tenha sido ocupada por Francisco Seráfico da Nóbrega, Maroja assumiu posteriormente a direção da instituição e permaneceu à frente dela durante boa parte das primeiras décadas do século XX. O próprio IHGP registra que ele dirigiu o Instituto nas duas primeiras décadas do século, período considerado fundamental para sua consolidação. 

Sua liderança ocorreu em um período em que o Instituto enfrentava dificuldades para manter uma sede permanente. Há registros de reuniões realizadas na própria residência de Flávio Maroja, na Rua das Trincheiras, em João Pessoa, em razão dos problemas de funcionamento da sede então utilizada. Em 1914, o próprio presidente negociou alternativas para a instalação do Instituto em outro prédio público. 

A atuação de Maroja também ficou registrada nas primeiras publicações do IHGP. Ele escreveu relatórios sobre as atividades da instituição e publicou estudos na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, tratando de temas relacionados à história, à saúde pública e à realidade social do estado. Um de seus relatórios, apresentado na sessão magna de 7 de setembro de 1908, foi publicado no primeiro volume da revista, em 1909. 

Décadas depois, o próprio IHGP reconheceria a importância de sua liderança para a sobrevivência e consolidação da entidade. Em sua história oficial, a instituição afirma que resistiu às dificuldades de seus primeiros anos sob a “liderança perseverante de Flávio Maroja”, período em que passou a se consolidar como uma verdadeira “Casa da Memória da Paraíba”. 

Além de dirigente, Maroja foi também um dos intelectuais que utilizaram a revista do IHGP como espaço de circulação de conhecimento. Seus textos abordavam temas médicos, sanitários e sociais. Entre eles está “A nossa hygiene – considerações gerais”, publicado no volume 7 da Revista do IHGP, em 1932. 

O vínculo de Maroja com a instituição permaneceu até o fim da vida. Após sua morte, em 15 de fevereiro de 1940, aos 75 anos, recebeu o título de presidente de honra do IHGP, reconhecimento pela contribuição prestada durante décadas à entidade. Seu nome também foi dado ao Arquivo Flávio Maroja, que integra o acervo do Instituto e reúne milhares de documentos históricos. 

O Arquivo Flávio Maroja tornou-se uma das principais coleções documentais do IHGP. Segundo a própria instituição, o arquivo reúne cerca de 32 mil documentos, entre registros relacionados à história política, social e cultural da Paraíba. 

Flávio Maroja morreu em João Pessoa, em 15 de fevereiro de 1940. Sua trajetória permanece relacionada à história da medicina, da saúde pública, da política e da produção intelectual paraibana, mas especialmente à história do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, instituição que ajudou a fundar e que dirigiu durante seu período de consolidação.

Fontes:

https://www.ihgppb.com.br/historia/

https://www.funes.pb.gov.br/noticias-ihgp-117-anos-de-historia/

 

 

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