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Data de publicação do verbete: 13/10/2015

Jurandy do Sax

Jurandy do Sax

Em 2000 iniciou sequencialmente a execução do Bolero de Ravel no pôr-do-sol do Jacaré, onde o faz até os dias de hoje. Fato que o levou a ser conhecido mundialmente.

Naturalidade: Água Branca – PB

Nascimento: 9 de novembro

Formação artístico-educacional: Bacharelado em Música pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

Atividade artístico-cultural: músico (saxofonista)

Contato: (83) 99961-9700

Site: www.jurandydosax.com

Facebook: Jurandy Felix

Instagram: @jurandydosax

Título/Homenagem: Medalha Augusto dos Anjos; Cidadão Cabedelense; Cidadão Pessoense; Patrimônio Cultural Imaterial do Estado da Paraíba (obra).

José Jurandir Felix, conhecido artisticamente como Jurandy do Sax, é músico, saxofonista e um dos principais nomes da cultura popular paraibana. Natural de Água Branca, no sertão da Paraíba, mudou-se aos 5 anos de idade para a cidade de Livramento, local que também reconhece como parte fundamental de sua formação. 

Filho de João Felix da Silva, militar aposentado, e de Maria Anunciada da Silva (in memoriam). Foi aos oito anos que iniciou sua trajetória musical, ingressando na banda de música de Livramento, onde começou a tocar clarinete. Na adolescência, já demonstrava versatilidade artística ao integrar bandas de baile na região do Cariri paraibano e também em Pernambuco, atuando como instrumentista e cantor. Nesse período, teve contato com diferentes instrumentos, como guitarra, baixo e bateria, ampliando sua percepção musical e desenvolvendo uma relação prática e intuitiva com a música.

Aos 23 anos, mudou-se para João Pessoa, e nesse período integrou a Banda de Música 5 de Agosto, da Prefeitura Municipal, e posteriormente a Banda da Polícia Militar da Paraíba, onde atuou como segundo-sargento e se destacou como primeiro clarinetista solista. Ao longo desse período, também executou diferentes variações do saxofone (tenor, alto e soprano) e participou de gravações importantes, como o LP comemorativo dos 150 anos da corporação. Paralelamente, integrou a orquestra do maestro Vilô, com a qual gravou seis discos. 

É formado pela Universidade Federal da Paraíba, onde concluiu o bacharelado em música com habilitação em clarinete. Embora já atuasse como músico, foi a partir da década de 1990 que passou a construir uma identidade artística mais autoral. Em 1993, lançou seu primeiro disco solo, intitulado Saxomaníaco. Foi também nesse contexto que realizou, ainda de forma experimental, sua primeira execução do Bolero de Maurice Ravel ao pôr do sol, na Praia do Jacaré, em Cabedelo.

O que inicialmente surgiu como uma experiência intuitiva se transformaria, anos depois, no marco central de sua trajetória. A partir de 2000, Jurandy passou a executar o Bolero de forma contínua e diária durante o pôr do sol, estabelecendo uma relação simbólica entre a duração da música — cerca de 17 minutos — e o tempo do ocaso. A escolha não foi apenas estética, mas sensível: uma tentativa de traduzir, por meio do som, a passagem do tempo e a contemplação da paisagem.

Segundo o próprio músico, a ideia ganhou força após vivenciar, no final da década de 1990, um pôr do sol às margens do rio:  “Foi  em 1999, ao presenciar um pôr do sol à beira do rio, que bateu a vontade de tocar. Porém, eu não estava com o meu sax. Então, voltei nos dias seguintes e toquei, sem ter ninguém por perto. Percebi a certeza de que era aquilo que queria fazer”. O desejo de tocar naquele cenário o fez retornar nos dias seguintes, inicialmente sem público, até perceber que havia ali uma experiência potente o suficiente para ser compartilhada. Com o tempo, as apresentações passaram a atrair moradores e turistas, transformando a Praia do Jacaré em um dos principais pontos turísticos da Paraíba.

A partir de 2001, o espetáculo ganhou um novo formato com a introdução da performance em uma embarcação, na qual o músico se aproxima tocando enquanto o sol se põe no horizonte. Vestido tradicionalmente de branco, Jurandy construiu uma imagem que se tornou inseparável da paisagem local. Ao final da apresentação, o repertório costuma se expandir para incluir outras obras, dialogando com a música nordestina e com elementos da tradição religiosa.

O impacto de seu trabalho ultrapassou fronteiras nacionais e internacionais. Em 2005, foi convidado a visitar a França, onde esteve no Conservatório Maurice Ravel e realizou uma execução do Bolero nas proximidades do túmulo do compositor, experiência que descreve como um dos momentos mais marcantes de sua vida. Ainda nesse período, recebeu uma carta de reconhecimento enviada pela cidade de Levallois-Perret, local onde Ravel viveu.

Além da consolidação desse reconhecimento institucional, sua presença no ambiente digital passou a ampliar ainda mais o alcance de sua obra. Registros de suas apresentações, feitos espontaneamente por turistas e visitantes, circulam amplamente nas redes sociais, onde diversos vídeos alcançam grande repercussão e se tornam virais. Essa difusão orgânica contribui para que a experiência do pôr do sol ao som do sax ultrapasse os limites geográficos da Paraíba, projetando sua imagem para públicos diversos e reforçando o caráter simbólico de sua performance.

A constância de suas apresentações ao longo dos anos também o levou a ser associado a recordes de execução da obra, sendo frequentemente mencionado como o artista que mais vezes interpretou o Bolero de Ravel, fato que o vinculou ao Guinness Book e reforçou sua projeção internacional.

Ao longo dos anos, Jurandy acumulou homenagens e reconhecimentos institucionais. Em 2015, foi agraciado com a Medalha Augusto dos Anjos, concedida pela Assembleia Legislativa da Paraíba, em reconhecimento à sua contribuição cultural. Em 29 de março de  2018 recebeu, em cerimônia realizada no Teatro de Arena da Praia do Jacaré, o título de Cidadão Pessoense, consolidando seu vínculo com a capital paraibana. Mais recentemente, sua obra passou a ser reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado da Paraíba, por lei sancionada pelo governo estadual, reforçando seu papel na construção da identidade cultural local.

Sua trajetória também ganhou visibilidade em âmbito nacional, sendo destacada em programas de televisão como no programa Mais Você  da apresentadora Ana Maria Braga e citada em avaliações educacionais, como o Exame Nacional do Ensino Médio. Mesmo após mais de duas décadas de apresentações contínuas, Jurandy permanece ativo, mantendo a regularidade de suas performances e reafirmando o caráter ritualístico de sua prática.

Mais do que um músico, Jurandy do Sax construiu uma experiência estética que articula música, paisagem e tempo. Sua obra não se limita à execução de uma peça, mas se estabelece como um acontecimento sensorial coletivo, no qual o público é convidado a desacelerar e contemplar. Nesse sentido, sua atuação pode ser compreendida como uma forma de mediação entre arte e cotidiano, onde o gesto simples de tocar ao pôr do sol se transforma em símbolo duradouro da cultura paraibana.

Fontes:

http://www.jornaldaparaiba.com.br/vida_e_arte/noticia/18869_jurandir-do-sax-chega-a-3-mil-execucoes-do-bolero-de-ravel

http://guiadolitoral.uol.com.br/praia_do_jacare-2567_2008.html

http://programapalcobrasil.blogspot.com.br/2015/07/jurandir-do-sax-no-programa-palco.html

https://g1.globo.com/pb/paraiba/la-vem-o-enem/2023/noticia/2023/11/06/jurandy-do-sax-e-por-do-sol-da-praia-do-jacare-na-pb-sao-citados-no-enem-2023-reconhecimento-que-vou-levar-no-coracao-diz-musico.ghtml

https://agenciaparaiba.com.br/musico-paraibano-que-esta-no-guinness-book-e-destaque-nacional-no-programa-de-ana-maria-braga/

*Atualizado por Sara Fortunato em abril de 2026.

 

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