O maior conteúdo digital de cultura regional do Brasil
Registro das artes e culturas da Paraíba
O maior conteúdo digital de cultura regional do país
Registro das artes e culturas da Paraíba
Data de publicação do verbete: 05/10/2019

Assis Chateaubriand

Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello é mais conhecido como Assis Chateaubriand, Chatô, "Velho Capitão", “Cidadão Kane brasileiro”.
Data de publicação: outubro 5, 2019

Naturalidade: Umbuzeiro-PB

Nascimento: 5 de outubro de 1892/ Falecimento: 4 de abril de 1968

Atividades de exercício profissional:  jornalista, político, advogado e empresário

Formação acadêmica: Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito do Recife

 

Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello é mais conhecido como Assis Chateaubriand, Chatô, “Velho Capitão”, “Cidadão Kane brasileiro”. Ele nasceu em 5 de outubro de 1892, no município de Umbuzeiro, na Paraíba, filho de Maria Carmem Guedes Gondim e Francisco José Bandeira de Melo. Sua família vinha de uma geração tradicional de senhores de engenho do Nordeste com origem na dominação holandesa. Seu terceiro nome peculiar adveio da admiração do avô pelo escritor francês François-René de Chateaubriand. 

Aos 14 anos de idade começou a produzir conteúdos para jornal O Pernambuco. Depois que se formou em Direito em Recife – PE, em 1913, ele continuou exercendo o ofício jornalístico se tornando editor e redator-chefe ainda em Pernambuco.

Em 1917, viajou para o Rio de Janeiro, na época capital do Brasil, onde se estabeleceu como advogado e construiu extensos contatos políticos e jornalísticos. Ele assumiu cargos públicos que conciliava com o exercício das atividades jornalísticas. Nesse tempo, Chateaubriand trabalhou para várias empresas de comunicação entre elas, Jornal do Commercio, Correio da Manhã, Jornal do Brasil e foi correspondente internacional do jornal argentino La Nación. Ainda trabalhando como jornalista, em 1920, viajou pela Europa, fato que o inspirou a publicar o livro Alemanha, dias idos e vindos. Em 1921, comprou a empresa de comunicação O Jornal por 5.800 réis, três anos depois comprou o Diário da Noite de São Paulo. Juntas, essas empresas formaram as sementes da organização Diários Associados, conglomerado de jornais, revistas e estações de rádio com filiais em vários Estados do Brasil, como Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal. Em destaque, tem-se a revista semanal O Cruzeiro que atingiu recorde de vendas principalmente ao noticiar a morte de Getúlio Vargas. 

Assis Chateaubriand se tornou um grande empreendedor dono de um poderoso império midiático que sempre buscava inovar ao praticar o jornalismo instigante e utilizar novas tecnologias. Em 1950, o empresário trouxe a transmissão televisa ao Brasil e inaugurou em São Paulo a TV Tupi, primeira empresa de televisão do Brasil, da América Latina e a quarta do mundo.

Em 1952, foi eleito senador pela Paraíba e em 1955, senador pelo Maranhão. Durante o primeiro mandato, ele solicitou, em abril de 1953, uma licença especial para participar de uma Missão Especial que representaria o Governo Brasileiro nas solenidades da Coroação da Rainha Elisabeth II, da Inglaterra. Em 1957, a convite do Presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek, ele renunciou ao mandato de senador para exercer o cargo de Embaixador do Brasil na Inglaterra. 

O magnata Chateaubriand sempre demonstrou ser polêmico tanto em assuntos pessoais como públicos. Entre eles destacam-se as discussões com o empresário Francisco Matarazzo e as alianças e desentendimentos com Getúlio Vargas. 

Chateaubriand foi casado com Maria Henriqueta com quem teve um filho, Fernando Antonio. Ele também teve um relacionamento com a francesa Jeanne Paulette que resultou no nascimento de Gilberto Francisco e do romance com a atriz espanhola Cora Acuña, nasceu a filha Thereza Acunha.

Ele era um homem intenso com uma vida muito enérgica e dedicado às atividades que gostava de realizar. Chateaubriand foi professor substituto da Faculdade de Direito do Recife, sofreu exílio, investiu na arte, foi membro da Academia Brasileira de Letras e era conhecido por gostar muito de frango assado.

Ele trabalhou até o final da vida mesmo tendo sido acometido por uma trombose que o deixou paralisado. Com esse problema de saúde ele apenas balbuciava e se comunicava por meio de uma máquina de escrever adaptada.

Um município do Paraná recebeu o nome do empresário. A data 20 de agosto de 1966 foi escolhida para o dia da emancipação político-administrativa do Município de Assis Chateaubriand, antes denominado distrito de Tupãssi. O jornalista homenageado esteve presente, houve desfile cívico, uma grande festa com churrasco. 

Acompanhando o homenageado estava o governador do Paraná da época e o ator Lima Duarte, que foi o cerimonialista. Nesse momento histórico, com 73 anos de idade, Chateaubriand apresentava uma saúde bastante debilitada por causa da trombose. Como não podia se expressar em público, Lima Duarte, na época funcionário da TV Tupi, leu o seu discurso, além de auxiliá-lo empurrando sua cadeira de rodas. Nesse período, o município era conhecido como o maior produtor de óleo de hortelã do Brasil.

Há duas histórias com relação a explicação da homenagem. A primeira afirma que os títulos de posse da região iriam ser cancelados, mas um influente jornalista interveio, conseguiu contornar a situação e solicitou essa homenagem ao seu chefe que era Assis Chateaubriand. Já a segunda história, presente no livro “História do município de Assis Chateaubriand” de Laércio Souto Maior, declara que foi em razão de amizades e pela dedicação do jornalista às questões agrícolas.

O magnata brasileiro faleceu em São Paulo, 4 de abril de 1968.

Em 2001, houve uma votação popular para eleger o paraibano do século XX. O nome de Assis Chateaubriand concorreu ao lado de Augusto dos Anjos e outros nomes de personagens importantes para o Estado. 

Em 2011, a herança deixada foi estimada em 1 bilhão de reais.

No ano de 2010, um brasileiro denominado Nilson Gomes entrou na justiça alegando ser filho do jornalista e solicitou a aquisição de 25% dos bens deixados. Quatro anos depois, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro negou o seu pedido e afirmou que ele utilizou documentação falsa.

Fontes: 

ABI (Associação Brasileira de Imprensa) – http://bit.ly/ABIorg

Diários Associados – http://bit.ly/DiariosAssociados

Fundação Getúlio Vargas – http://bit.ly/FGVcpdoc

Senado Federal – http://bit.ly/senadofederalatividades

Site oficial do Município Assis Chateaubriand –  http://bit.ly/municipioassischateaubriand

UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) – http://bit.ly/UFPEdocumentos

Marcela Mayara

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *