Entrevista e texto: Laura Moura
Naturalidade: Brasília – GO/Radicado em João Pessoa-PB
Nascimento: 21 de setembro de 2000
Atividades artístico-culturais: Cantor, músico e compositor. Além disso, é estudante de violão clássico na UFPB e artista solo pelo selo avalanche music.
Gênero: Nova MPB
Spotify: Pagui
Instagram: @eusoupagui
Canal no Youtube: Pagui
Brasiliense, porém com coração conquistado pela Paraíba, Paulo Guilherme Martins de Souza de Carvalho, mais conhecido como Pagui, é cantor e compositor. Estudante de violão clássico na UFPB e artista solo pelo selo avalanche music, ele passeia pelo gênero da Nova MPB, produzindo composições que aquecem a alma. Com algumas obras já publicadas, o músico segue ousando em seus sons, por vez arriscando em outros estilos, mas sempre focando na musicalidade e nos sentimentos que deseja transmitir.
Pagui explica que sua grande paixão pela música começou há muito tempo, quando era apenas uma criança. Apesar da referência de seu irmão músico, ele comenta que, devido a distância, acabou não sendo algo tão presente em sua vida. Assim, esse desejo só surgiria anos depois, na escola. Ao conviver com colegas que tocavam violão, um brilho diferente surgiu no olhar do artista. Certo dia, quando seu amigo chegou com ukulele, ele ficou intrigado com o instrumento e decidiu comprar um, pois acreditava que seria fácil de aprender. Foi então que ele entrou para o projeto de arte do colégio, chamado “Sarau poético: a devolução”.
Neste local ele não só aprendeu e desenvolveu suas habilidades artísticas, mas também conheceu aquele que seria seu primeiro mentor musical: Mello, vocalista do Macumbia Apesar de Paulo não conseguir fazer nenhum acorde, direcionar a voz, entre outros detalhes, seu mentor acreditou em sua capacidade e foi quem o guiou nos primeiros passos. Enquanto isso, Pagui começou a estudar com o, hoje produtor, Felipe Francis, que tinha na época uma escola musical. Já familiarizado com a arte de escrever poesia, o artista compartilhou algumas músicas com Franci e, assim, surgia sua primeira música: Balão.
Assim, para a sua primeira produção, ele precisava de um nome artístico para divulgar sua obra. A princípio, ele comenta, seria Paulo Martins ou PG, que já era seu apelido na época. Porém, o músico já tinha conhecimento de que alguém utilizava a segunda opção, então optou pela outra. O que ele não esperava era que o nome também já tivesse “dono” e sua publicação acabou saindo no canal do Spotify de outra pessoa. Foi somente em uma conversa com o irmão que surgiu a grande ideia: “Pô, preciso mudar meu nome. Já têm PG, Paulo Martins já tem… Eu não queria algo muito diferente assim, mas também tem que ser algo único, né? Ele disse ‘pô, teu nome é Paulo Guilherme, ao invés de fazer PG, você faz Pagui. E surgiu o nome Pagui, que é o que me define hoje, né? Falou em ‘Pagui’ as pessoas pensam em mim, pelo menos quem me conhece”, ele termina a explicação brincando com uma leve risada.
Ainda sobre seu estilo musical, ele segue a Nova MPB, conhecida por ser representada por artistas como Rubel, Ana Vitória, entre outros que surgem como referências para Paulo. Porém, ele explica que busca não se limitar muito a essas concepções, pois gosta de produzir de forma livre, expressando sua essência em cada composição.
“E eu não busco também me prender a um único gênero, né? Até porque eu tenho uma música que é um reggae, eu tenho uma música que é um rock, eu tenho uma música que é um som que parece bem gospel, né? Então, eu não sinto que eu me encaixo em um único gênero”, Pagui comenta sobre seu estilo.
Com uma rica discografia, ele possui uma vasta produção que reflete seu estilo artístico e própria forma de ser. Entre um dos seus destaques está a sua participação no álbum ‘Ferida Crua’, uma produção feita em parceria com o artista Marcus Yazbek. Além disso, ele ainda publicou o EP ‘Laços (2022)’, com um total de 5 faixas, e mais 10 singles, que variam desde ‘Balão (2020)’, seu primeiro lançamento, até ‘Aprendiz (2024)’, o mais recente. Suas letras retratam o cotidiano, a beleza da vida, além de sua simplicidade e complexidade também. Pagui consegue fisgar o público com uma voz suave que transmite paz e tranquilidade, além de leves toques de reflexão e profundidade em cada verso. Ele explica que suas produções surgem naturalmente nos momentos de inspiração e em meio às situações do cotidiano.
“O momento de composição é muito natural. Acontece meio que quando eu vejo algo que me inspira. Às vezes eu crio uma frase, eu crio uma melodia sempre que aparece uma melodia na minha cabeça, eu gravo ela e coloco na minha galeria de gravações de voz. Se uma pessoa aleatória pegasse no celular, abrisse lá as gravações e ia encontrar só as melodias quebradas que não faz sentido nenhum pra pessoa, mas pra mim faz todo sentido. Muitas das minhas músicas foram criadas assim […] O primeiro áudio que eu gravei nesse celular, eu estava voltando da faculdade e eu só gravei a melodia lá ‘taraaaarararararannn’, ele cantarola rindo. “Enfim, é bem interessante. Acontece assim do nada. Do nada vem uma melodia, depois vem o que eu vou escrever, né? Pô, essa melodia me dá uma sensação muito boa muito, mais ou menos uma sensação de superação, aí um dia aparece a situação na minha vida, na vida de alguém que eu conheço, que me inspira para compor aquela letra”, finaliza sua reflexão.
Atualmente, Pagui permanece trabalhando em suas produções, colocando um pouquinho de si em cada obra. Ele comenta que está trabalhando em novos projetos que, em breve, serão divulgados para os fãs. Apesar das dificuldades que enfrenta para se inserir na cena cultural, ele segue firme, lutando pelo que acredita: a música.
A música me inspira por si só a continuar, porque eu acho que é o meu chamado, sei lá, eu nasci pra fazer isso de alguma forma. Mesmo sendo bom, sendo ruim, independente disso, eu acho que eu nasci pra isso, sabe? Eu não estou aqui pra fazer algo maravilhoso que encante todo mundo, mas eu sinto que é a coisa que me faz acordar todo dia. Mesmo que eu não componha todo dia, tem dia que eu não toco violão, que eu nem canto e eu nem falo nada relacionado a música. Mas a cada segundo que passa, né? Enquanto estudante de música, enquanto alguém que está se graduando em música, eu percebo música em todos os lugares. Mesmo sem precisar cantar, sem precisar tocar […] Então tudo pra mim pode ser música e eu acho que que meu papel é transformar os sons que eu escuto em uma música, sabe? Os sons do universo digamos assim. Eu não estou buscando criticar ou emocionar as pessoas. Eu só quero fazer com que a música saia de uma figura abstrata para uma figura que possa ser compreendida. E é isso que me faz querer continuar. Todos os dias sei que é difícil, eu sei que é terrível, mas eu acho que é terrível porque a gente passa dificuldade, né? De uma forma ou de outra. Não só financeiramente, financeiramente não é o principal. Mas a gente passa dificuldade porque é difícil se fechar, é difícil achar quem queira ouvir, né? Mas a minha vida é música, eu vivo pra música e a música não só é minha vida, como sou eu […] E uma mensagem para aqueles que acompanham a minha arte: persistam naquilo que vocês querem. Porque, tem uma música, inclusive, que diz sobre isso: ‘O fim da linha é incerto, mas é bem pertinho do seu sonho’, finaliza.
Fontes:
Entrevista cedida à Laura Moura em 07 de outubro de 2024.