Pesquisa e texto: Jonas do Nascimento dos Santos
Naturalidade: Sousa – PB // Radicado em João Pessoa – PB
Nascimento: 6 de agosto
Atividade artístico-cultural: Ativista Cultural
Instagram: @martinsjradm// @jampaqualeaboa
Facebook: José Martins Lopes Junior
José Martins Lopes Junior é um ativista cultural natural de Sousa, Paraíba, cuja trajetória vem se destacando pelo compromisso com a preservação dos espaços públicos e o fortalecimento da cultura local. Atuante principalmente nas redes sociais, José Martins é o idealizador e administrador da página “Qual é a Boa, Jampa”, uma plataforma digital voltada para a divulgação de eventos, manifestações artísticas e debates socioculturais da capital paraibana. Por meio dessa página, ele se tornou uma referência entre os defensores da economia criativa, dos direitos urbanos e da democratização do acesso à cultura em João Pessoa. Mudou-se para João Pessoa com 13 anos após o falecimento de seu pai. Seu primeiro trabalho foi aos 17 anos como livreiro na Livraria Siciliano aberta no Manaíra Shopping e que depois passou a ser chamada de Livraria Saraiva. Sempre foi apaixonado por livros, leitura, literatura, história da arte e cultura em geral. Trabalhou por muito tempo como freelancer do crítico de arte e consultor de antiguidades Eudes Rocha em exposições e eventos.
Após retornar em agosto de 2010 de Portugal, criou um grupo no antigo ORKUT chamado “Qual é a Boa em João Pessoa” onde compartilhava dicas de lugares turísticos legais para visitar em Jampa. Em 2019, com a força das redes sociais, abriu um grupo no WhatsApp para reunir artistas, fazedores de cultura, produtores culturais, ativistas, cineastas, teatrólogos, formadores de opinião, assessores de imprensa, jornalistas, colunistas, radialistas e influenciadores digitais. Também abriu a página “Qual é a Boa, Jampa” no Instagram, retomando e ampliando o antigo projeto lá de 2010, agora divulgando dicas culturais, o lado B da nossa capital, com foco na valorização de artistas da terra, projetos alternativos, grupos independentes e eventos no Centro Histórico de Jampa que não são divulgados na grande mídia. Durante a pandemia, criou uma agenda semanal de divulgação de lives; há anos milita nas redes sociais contra descaracterização das festas juninas, denunciando a invasão de outros gêneros musicais como sertanejo, música eletrônica, axé e também os cachês milionários e a desvalorização do forró, dos forrozeiros e da cultura nordestina. Em julho de 2023, ele ganhou visibilidade estadual ao publicar o artigo “A quem pertence a orla de João Pessoa?”, no portal Brasil de Fato Paraíba.
No texto, José Martins critica tentativas de privatização e projetos que, segundo ele, ameaçam a natureza democrática e acessível da orla marítima da cidade. Ele argumenta que a orla funciona como um espaço público essencial à convivência, ao lazer gratuito e ao turismo cultural de base comunitária. O artigo se tornou um importante manifesto local, ecoando preocupações de muitos moradores e ativistas que compartilham da mesma visão sobre os rumos da cidade. José defende que a cultura não é apenas entretenimento, mas também ferramenta de transformação social e instrumento de cidadania.Ele acredita que a valorização da cultura local precisa passar pelo incentivo aos artistas independentes e pelas políticas públicas voltadas para a base. Um dos pilares de sua atuação é o incentivo à ocupação consciente dos espaços públicos urbanos, especialmente as praças, ruas e feiras culturais. José Martins frequentemente critica os eventos realizados com grandes recursos públicos que não valorizam os artistas locais ou não são acessíveis a todas as classes sociais. Seu trabalho também se alinha ao ativismo ecológico, destacando a necessidade de preservação ambiental das áreas costeiras, parques e manguezais urbanos.
Ele reforça o papel da população na fiscalização das ações do poder público e no engajamento cívico como forma de resistência. Além da militância digital, José participa ativamente de rodas de diálogo, encontros culturais, assembleias populares e fóruns sobre cultura e urbanismo. Em diversas publicações, José defende a criação de um Plano Municipal de Cultura participativo e atualizado com as demandas reais das comunidades culturais. Sua linguagem acessível e direta nas redes sociais tem aproximado jovens, estudantes e artistas da política cultural da cidade. Um diferencial do seu ativismo é o uso estratégico das redes sociais como ferramenta de denúncia, articulação e educação política informal. Ele acredita que cultura e democracia caminham juntas e que sem acesso à arte e ao espaço público, a cidadania é limitada.
José é também um crítico dos processos de gentrificação que afastam populações tradicionais dos centros urbanos em nome de “modernizações”. Seus posicionamentos costumam ter grande repercussão entre coletivos culturais, estudantes universitários e pequenos produtores culturais. O ativista também participa de campanhas solidárias, como arrecadação de alimentos e livros para comunidades periféricas de João Pessoa. José é um defensor da descentralização da cultura, com apoio a atividades nos bairros e periferias, longe dos eixos centrais. Em suas falas, ele sempre reforça que a cultura local deve ser feita com e para o povo, e não apenas “para turistas”.
José se opõe a medidas que transformam espaços culturais em áreas comerciais elitizadas, sem diálogo com os fazedores de cultura. Sua atuação contribui para formar uma rede de apoio entre artistas, educadores, coletivos e moradores interessados em políticas públicas inclusivas. Ele é constantemente convidado para contribuir em debates e lives sobre cultura urbana, patrimônio, orla e políticas de juventude. José Martins Lopes Junior representa uma nova geração de ativistas culturais conectados digitalmente, mas com forte enraizamento comunitário. Seu trabalho continua a inspirar mobilizações em defesa da cultura popular, da justiça urbana e da inclusão social em João Pessoa e em outras cidades do Nordeste.
Fontes:
http://www.brasildefato.com.br/2023/07/17/a-quem-pertence-a-orla-de-joao-pessoa