Pesquisa e texto: Otávio Tavares
Localização: Centro, João Pessoa – PB
A Avenida Padre Meira, no centro de João Pessoa, liga a parte baixa com a parte alta da cidade. O bairro do Varadouro, berço da cidade que nasceu a partir do rio Sanhauá, encontra-se com o centro ao passar pela praça Aristides Lobo e pela Avenida Guedes Pereira, atravessar o Túnel Damásio Franca e sair na Padre Meira com o Parque da Lagoa ao fundo.
A rua homenageia o paraibano Leonardo Antunes de Meira Henriques, padre, bacharel em direito e deputado provincial do século XIX. Padre Meira foi vigário geral da arquidiocese de Olinda na época em que a mesma também geria a Igreja Católica da Paraíba.
O lugar que muitos podem conhecer apenas como “a descida pra lagoa” foi e é testemunha ocular das mudanças da cidade desde antes da revolução de 30, quando João Pessoa ainda se chamava Parahyba do Norte.
Sua vizinha, a praça Vidal de Negreiros, o tal Ponto de Cem Réis, antes de ter tais nomenclaturas abrigava a Igreja do Rosário dos Pretos. Ela foi demolida em 1920 com o pretexto de melhorar a urbanização da cidade em questão da Rua da Direita – atual Duque de Caxias – que passava em sua porta.
A desculpa camuflava o racismo estrutural da época que apagava histórias e segregava a sociedade. Na direita da Padre Meira, a Igreja das Mercês dos Pretos e Pardos também foi demolida nos anos 20, assim como a Mãe dos Homens Pardos e Cativos no bairro do Tambiá. Construiu-se no Tambiá a Praça Cel. Antônio Pessoa e no Centro construiu-se a Praça 1817.
Da Mercês faz-se uma nova, ao lado esquerdo da Padre Meira, a do Rosário, primeira a ser demolida, foi reconstruída em Jaguaribe e a Mãe dos Homens foi refeita ali mesmo no Tambiá próximo ao local original.
O curioso é que todas três novas versões, ao serem inauguradas excluíram o “Pretos, pardos e cativos” de seu nome, desmantelando o legado da irmandade que ergueu as originais, ressaltando assim o forte racismo presente na época que tem seus ecos nos tempos atuais.
Fontes: