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Data de publicação do verbete: 11/08/2025

Av. Padre Meira, a testemunha da história

Av. Padre Meira, a testemunha da história

Rua localizada no centro da capital paraibana, testemunha das mudanças na área central da cidade ao longo da história.

Pesquisa e texto: Otávio Tavares

Localização: Centro, João Pessoa – PB

A Avenida Padre Meira, no centro de João Pessoa, liga a parte baixa com a parte alta da cidade. O bairro do Varadouro, berço da cidade que nasceu a partir do rio Sanhauá, encontra-se com o centro ao passar pela praça Aristides Lobo e pela Avenida Guedes Pereira, atravessar o Túnel Damásio Franca e sair na Padre Meira com o Parque da Lagoa ao fundo.

A rua homenageia o paraibano Leonardo Antunes de Meira Henriques, padre, bacharel em direito e deputado provincial do século XIX. Padre Meira foi vigário geral da arquidiocese de Olinda na época em que a mesma também geria a Igreja Católica da Paraíba.

O lugar que muitos podem conhecer apenas como “a descida pra lagoa” foi e é testemunha ocular das mudanças da cidade desde antes da revolução de 30, quando João Pessoa ainda se chamava Parahyba do Norte.

Sua vizinha, a praça Vidal de Negreiros, o tal Ponto de Cem Réis, antes de ter tais nomenclaturas abrigava a Igreja do Rosário dos Pretos. Ela foi demolida em 1920 com o pretexto de melhorar a urbanização da cidade em questão da Rua da Direita – atual Duque de Caxias – que passava em sua porta.

A desculpa camuflava o racismo estrutural da época que apagava histórias e segregava a sociedade. Na direita da Padre Meira, a Igreja das Mercês dos Pretos e Pardos também foi demolida nos anos 20, assim como a Mãe dos Homens Pardos e Cativos no bairro do Tambiá. Construiu-se no Tambiá a Praça Cel. Antônio Pessoa e no Centro construiu-se a Praça 1817.

Da Mercês faz-se uma nova, ao lado esquerdo da Padre Meira, a do Rosário, primeira a ser demolida, foi reconstruída em Jaguaribe e a Mãe dos Homens foi refeita ali mesmo no Tambiá próximo ao local original.

O curioso é que todas três novas versões, ao serem inauguradas excluíram o “Pretos, pardos e cativos” de seu nome, desmantelando o legado da irmandade que ergueu as originais, ressaltando assim o forte racismo presente na época que tem seus ecos nos tempos atuais.

Fontes:

https://www.polemicaparaiba.com.br/opiniao/a-igreja-de-nossa-senhora-do-rosario-dos-pretos-por-sergio-botelho/

https://www.polemicaparaiba.com.br/opiniao/parahyba-e-suas-historias-a-nova-igreja-das-merces-por-sergio-botelho/

https://www.polemicaparaiba.com.br/opiniao/parahyba-do-norte-e-suas-historias-paroquia-santuario-nossa-senhora-mae-dos-homens-por-sergio-botelho/

 

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