O maior conteúdo digital de cultura regional do Brasil
Registro das artes e culturas da Paraíba
4.466 Registros
O maior conteúdo digital de cultura regional do país
Registro das artes e culturas da Paraíba
4.466 Registros
Data de publicação do verbete: 14/08/2025

Povoada: Território Feminino da Cultura

Povoada: Território Feminino da Cultura

Evento cultural.

Pesquisa: Jonas do Nascimento dos Santos

Data de Realização: 30 de março de 2025

Local de Realização: Parque Parahyba 4, bairro do Bessa, João Pessoa-PB

Promotor: Comitê de Cultura da Paraíba (vinculado ao Programa Nacional dos Comitês de Cultura / Ministério da Cultura)

Programação: Apresentações musicais, performances de dança, recitais de poesia, feira de artesanato com artesãs e empreendedoras locais, rodas de conversa e falas com lideranças femininas, espaços para debates sobre equidade de gênero e políticas públicas culturais

Objetivo: celebrar, visibilizar e fortalecer o protagonismo das mulheres nos territórios da cultura, reunindo diversas linguagens artísticas, expressões populares e saberes tradicionais em um único espaço.

Público-Alvo: mulheres de todas as idades, artistas independentes, artesãs, estudantes, militantes culturais, professoras, líderes comunitárias, famílias e qualquer pessoa interessada em vivenciar um espaço de cultura com perspectiva feminista e popular. 

Apoio e Parcerias: Comitê Estadual de Cultura da Paraíba, Balaio Nordeste, Ministério da Cultura (MinC), Coletivos de economia solidária, Movimentos feministas autônomos e periféricos

Cobertura e Documentação: Toda a programação foi registrada em foto e vídeo por comunicadoras populares. Parte do material será utilizado para fins de formação cultural, arquivo histórico e futuras exposições itinerantes.

O evento ‘Povoada: Território Feminino da Cultura’ foi concebido para enaltecer a força das mulheres por meio da arte, da palavra e do encontro. Realizado em João Pessoa, o encontro marcou o encerramento simbólico do mês de março, tradicionalmente dedicado às pautas femininas. A programação foi gratuita e acessível ao público de todas as idades. A proposta foi ocupar o espaço público com manifestações culturais conduzidas por mulheres para promover visibilidade e pertencimento. Logo na chegada, o público foi recebido por uma feira com bancas de artesanato, moda autoral, biojoias e produtos naturais feitos por mulheres. A ambientação era acolhedora: cada estande tinha sua estética própria, mas todos unificados por um espírito de solidariedade e criação.

A abertura oficial foi conduzida por integrantes do Comitê de Cultura da Paraíba, que contextualizaram o evento e suas intenções políticas e poéticas. O grupo Bate Coração fez a primeira apresentação musical, com percussão e cânticos inspirados na cultura afro-brasileira. A seguir, líderes de coletivos feministas subiram ao palco para dar início à primeira roda de conversa sobre arte e território. Joana Alves, referência no ativismo cultural, destacou a importância de políticas públicas voltadas à mulher artista e produtora. O grupo Ekun Dayo apresentou uma performance que misturou dança e tambores, reverenciando a ancestralidade feminina. O público reagiu com entusiasmo à apresentação, que mobilizou crianças, jovens e idosas que dançavam à margem do palco.

O Coletivo Maria Cangaceira trouxe uma encenação que refletia sobre o papel da mulher no sertão e no combate à opressão. Entre cada bloco artístico, houve falas curtas de ativistas culturais e representantes da produção local. A participação do coletivo Mulherio das Letras levou ao palco poesia, literatura e crítica social, todas atravessadas pela vivência feminina. Vó Mera e suas netinhas encantaram a plateia com uma apresentação que misturava cantigas de roda, teatro e relatos do cotidiano. A emoção do público foi visível quando a anciã relembrou sua infância e sua relação com a arte popular do interior paraibano. O grupo Mulheres na Roda de Samba encerrou a programação musical com clássicos do samba em arranjos cheios de potência e alegria. A segunda roda de conversa discutiu os desafios do financiamento da cultura feminina no estado e em nível nacional.

Foram citadas políticas como a Lei Aldir Blanc e a importância de incluir mulheres na execução dos recursos. O evento também serviu como ponto de mapeamento de artistas, coletivos e iniciativas culturais lideradas por mulheres na Paraíba. Um espaço infantil foi montado ao lado da feira, com contação de histórias, oficinas de brinquedos e pintura corporal. O clima era festivo, mas também de resistência: as falas evidenciaram a urgência de combater o apagamento feminino na história cultural. Outro destaque foi a mesa de economias criativas, que discutiu empreendedorismo cultural e redes de apoio. Diversas mulheres negras e indígenas trouxeram relatos sobre a invisibilização de suas práticas nos editais tradicionais. 

A infraestrutura do evento foi montada de forma colaborativa, com apoio de entidades locais, cooperativas culturais e artistas voluntárias. Ao longo do dia, circulavam pelo espaço artistas visuais fazendo grafites e murais ao vivo com temas ligados à força feminina. O encerramento foi coletivo: todas as artistas subiram ao palco para cantar juntas a canção “Mulher do Fim do Mundo”, em uníssono. O público aplaudiu de pé, e muitas pessoas saíram emocionadas pela potência do que presenciaram. “Povoada” não foi apenas um evento: foi uma declaração pública de que a cultura feita por mulheres deve ser celebrada, registrada e fortalecida.

Fontes:

https://www.brasildefato.com.br/2025/03/26/comite-de-cultura-da-paraiba-promove-evento-em-homenagem-ao-mes-da-mulher-no-proximo-domingo-30/

https://comitedecultura-pb.blogspot.com/2025/04/o-comite-de-cultura-da-paraiba-realiza.html

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *