Pesquisa e texto: Hitalo Vieira
O Mingusoto (também chamado Mengosutu) é uma figura do folclore paraibano, descrita como um fantasma aterrador e de natureza informe. Presente sobretudo no imaginário de João Pessoa e regiões vizinhas, é considerado uma versão mais poderosa e amadurecida do Alma-de-gato, outra entidade sobrenatural que amedronta crianças no Nordeste.
O Mingusoto é um ser sem forma fixa, assumindo múltiplas aparições. Em relatos, pode manifestar-se como: um homem em carro de boi seguido por uma procissão de almas, um leão de bronze ou dourado, um falcão de ferro, um galo de ferro, especialmente ligado às torres das igrejas de São Bento e São Francisco, em João Pessoa. Há também narrativas que o situam como habitante das praias de Tambaú e Camboinha, em João Pessoa e Cabedelo, respectivamente.
Ele é descrito como senhor dos elementos naturais, dominando águas de rios, lagoas, barreiros e até os lençóis subterrâneos da capital paraibana. À noite, pode ser ouvido gemendo no silêncio, e há relatos de que organiza procissões noturnas de almas, silenciosas e aterradoras, evocando práticas cristãs e litúrgicas. Apesar de não possuir exigências materiais ou de culto, sua presença está sempre associada ao medo e à sensação de perigo.
Assim como o Alma-de-gato, o Mingusoto aparece na tradição oral como um instrumento de disciplina infantil, usado para assustar crianças desobedientes. Algumas versões modernas expandem esse papel, indicando que ele perseguiria adultos que não dão bons exemplos às crianças, funcionando como um corretor moral.
Mingusoto reúne elementos do folclore indígena e africano, depois mesclados a influências europeias trazidas pela colonização. Sua figura ilustra o encontro entre espiritualidade popular e imaginário religioso, transitando entre o papel de assombração punitiva e o de guardião invisível da natureza.
Fontes:
Orbe Produções / Lendas da Paraíba – Mingusoto