Pesquisa e texto: Jonas do Nascimento dos Santos
Local: Pocinhos – PB
Idealizadores: Marissandra Porto e Débora Lígia
Tema: Folclore, manifestações culturais populares, intercâmbio cultural, artesanato, música, dança, gastronomia, educação (Festival Mirim)
Realização: entre os meses junho e julho
Parceiros: Secretaria de Estado da Cultura da Paraíba; Prefeitura de Pocinhos; IOV – Organização Internacional de Folclore e Artes Populares
Organização: Prefeitura de Pocinhos em articulação com órgãos de cultura/educação, com produção cultural local e coordenação artística dos idealizadores
Programação: Apresentações de grupos folclóricos e parafolclóricos nacionais e internacionais; Festival Mirim com participação das escolas municipais; Salão de Artesanato; gastronomia típica; tema e homenageado em cada edição
Público-Alvo: Comunidade local, visitantes de outras regiões, grupos culturais participantes, estudantes, interessados em cultura popular, folclore, artesanato e manifestações tradicionais
Objetivos: Valorizar e preservar as manifestações folclóricas; promover intercâmbio artístico-cultural; fomentar cultura e tradição local; inserir crianças e jovens no resgate das tradições; fortalecer a identidade cultural de Pocinhos
Observações Adicionais: Em 2020 o festival foi realizado em formato virtual, com tema sobre cultura e homenageando Sivuca; cada edição traz um tema específico e um homenageado ligado à cultura regional
Site Oficial: https://www.folclorepocinhos.com.br/
Instagram: Festival Folclórico (@festfolcpocinhos)
Facebook: Festival de Folclore de Pocinhos
You Tube: FestFolc Pocinhos
O Festival Internacional de Folclore de Pocinhos, também chamado FestfolcPocinhos, surge como um dos principais encontros culturais do interior da Paraíba, especialmente voltado ao folclore, à diversidade de expressões populares e ao resgate das tradições. Idealizado por Marissandra Porto e Débora Lígia, o evento espelha sonho e ação: nasce da vontade de valorizar o patrimônio imaterial local, aproximar crianças, jovens e comunidade de práticas culturais vivas, e celebrar manifestações que muitas vezes são marginalizadas em espaços urbanos ou fora de roteiros turísticos consolidados. Realizado normalmente no meio do ano — nos meses de junho ou julho — o festival reúne grupos folclóricos e parafolclóricos do Brasil e de fora dele, promovendo um intercâmbio artístico que vai além da simples apresentação: é diálogo cultural. Cada edição traz um tema de reflexão, e sempre um homenageado, que pode ser poeta, repentista, artista local ou figura de relevância cultural para a comunidade, como foi o caso de Zé Vicente da Paraíba, homenageado em 2024. Esse cuidado em tematizar e homenagear torna cada edição única, culturalmente significativa, ancorada em memória, identidade e orgulho local.
A programação é rica e variada. Além dos espetáculos de dança, música e manifestações folclóricas, conta com pavilhões de artesanato, gastronomia típica, inserção de práticas culturais no cotidiano escolar — principalmente por meio do Festival Mirim em parceria com escolas municipais de tempo integral — e exposições artesanais. Esse leque de atividades torna o festival um evento plural, capaz de envolver diferentes públicos: quem quer ver shows, quem quer aprender, quem quer consumir arte popular, quem quer reviver ou manter laços com suas origens. Em 2020, o FestfolcPocinhos demonstrou adaptabilidade ao acontecer de modo virtual, homenageando o artista Sivuca, em edição remota. Foi um dos primeiros festivais folclóricos a sentir o impacto da pandemia e responder com criatividade, mantendo viva a arte e a cultura mesmo em isolamento. Esse momento evidenciou não só a importância da tecnologia como ferramenta de cultura, mas também a força de quem produz cultura popular nos pequenos municípios.
Os apoiadores institucionais — em especial a Secretaria de Estado da Cultura da Paraíba e a Prefeitura de Pocinhos — assumem papel chave na consolidação do festival. A participação da IOV – Organização Internacional de Folclore e Artes Populares amplia horizontes, trazendo legitimidade, visibilidade e rede de conexões culturais para além do estado. Também fortalece o vínculo com grupos externos e com o campo acadêmico ou de preservação cultural. Para Pocinhos, o festival representa muito mais do que noites de dança ou música: é elemento de afirmação cultural, de reforço identitário, de economia local. Quando visitantes chegam, quando expositores de artesanato vendem, quando a gastronomia local é experienciada, há circulação de renda e visibilidade. Quando as escolas participam, há formação, e quando jovens dançam, há continuidade. É uma estratégia cultural transformadora, que dialoga com tradição, memória e futuro.
Os desafios, naturalmente, existem. Fazer um festival desse porte implica logística de transporte de grupos, estrutura de palco, som, alojamento ou hospedagem para visitantes de fora, alimentação, acomodação, além da divulgação. Há também desafios de financiamento e sustentabilidade, de modo que o apoio institucional se mantenha ou se amplie, para que novas edições sigam acontecendo. Mas cada edição deixa legado: personagens homenageados, jovens artistas formados, artesãos com visibilidade, memórias coletivas reforçadas. Em síntese, o Festival Internacional de Folclore de Pocinhos é testemunho de que tradição pode conviver e se fortalecer com inovação; que uma cidade pequena pode tornar-se palco de manifestações de grande valor simbólico; que cultura popular não é espetáculo isolado, mas tecido vivo de identidade, memória e comunidade. Ele celebra raízes, abre caminhos e reforça que gente que dança, compõe, faz artesanato, canta, pertence — e que tudo isso merece ser visto, ouvido e valorizado.
Fontes:
https://www.folclorepocinhos.com.br/
https://mapacultural.pb.gov.br/projeto/345/#info