Entrevista e texto: Sara Fortunato
Naturalidade: Princesa Isabel – PB
Nascimento: 07 de março de 1982
Atividade artístico-cultural: Contadora de histórias
Instagram: @angelica_rabiscos
Angélica Ferreira de Andrade Lopes é contadora de histórias, e gestora educacional, reconhecida por sua atuação criativa e sensível no campo da educação e da literatura infantil. Natural de Princesa Isabel (PB), onde também reside, nasceu em 7 de março de 1982. Graduada em Letras, com especialização em Supervisão e Orientação Escolar, Angélica iniciou sua trajetória artística em 2014, unindo a arte de contar histórias ao trabalho pedagógico.
O interesse pela contação surgiu inicialmente de forma espontânea, dentro de projetos escolares que buscavam estimular a leitura e a interação entre alunos e comunidade. Com o tempo, essa prática se transformou em vocação e missão de vida. Durante a pandemia, suas contações ganharam ainda mais força e relevância, tornando-se instrumento de acolhimento e incentivo à imaginação infantil. Suas apresentações se destacam pela leveza, dinamismo e pela criação de personagens autorais, entre eles “Boneca”, figura carismática muito reconhecida pelas crianças, e “Bruxa”, personagem inspirada em vivências pessoais e ressignificada como símbolo de autoaceitação e singularidade.
Angélica participou de diversos fóruns, seminários, formações e eventos culturais em toda a região do Sertão paraibano. Entre eles, destacam-se o Fórum da UNDIME-PB, o Fórum de Cultura Regional em Juru, lives promovidas pela UNIFP (Patos-PB), o Seminário da 11ª Regional de Ensino, formações pedagógicas da FOCO Consultoria, além de aulões, oficinas e projetos escolares em cidades como Tavares e São Bento das Redes. Também esteve presente em eventos populares em comunidades rurais e quilombolas, como o Natal Mágico.
Premiada pela Lei Aldir Blanc Municipal 2024, em Princesa Isabel, e pelo Prêmio Ser Tão Mulher da Academia de Letras e Artes de Princesa Isabel (APLA), Angélica tem suas contações voltadas, principalmente, para o público infantil, com narrativas que combinam oralidade, arte popular e valores de convivência e autoestima. Todas as histórias que apresenta são de sua autoria ou adaptações baseadas em contos populares e biografias, reescritas com sensibilidade e linguagem acessível.
Em 2024, lançou o livro “Vozes de São José de Princesa”, em parceria com José Orlando e Aldo Lopes de Araújo. Paralelamente, prepara, ao lado de sua mãe, a inauguração de uma museoteca rural, espaço que unirá livros, memórias e arte popular, com o propósito de promover leitura, oficinas, rodas de conversa, sarais e contações em meio à natureza.
Desde a infância, Angélica carrega uma forte ligação com o ato de narrar. As lembranças das noites nas calçadas, das conversas nas casas de farinha e das histórias trocadas entre vizinhos e familiares moldaram seu olhar de encantamento sobre o mundo. A escola, onde encontrou liberdade e reconhecimento, foi seu primeiro palco. Lá, participou de apresentações, danças, eventos e descobriu o prazer de ensinar.
Casou-se aos 16 anos e encontrou na docência o espaço para exercer sua criatividade e sensibilidade. A sala de aula se tornou, em suas palavras, “um espaço sideral”, onde podia ser quem quisesse — de princesa a sapo. A contação de histórias surgiu então como um desdobramento natural desse amor pela educação, ampliando seu alcance para além das quatro paredes da escola.
Atualmente, Angélica exerce o cargo de Secretária Municipal de Educação de São José de Princesa (PB), conciliando a gestão educacional com a arte de contar histórias. É reconhecida pelas crianças de sua região como “Boneca”, “Malala” ou “a Bruxa” — personagens que transcendem a figura da artista e se tornam pontes afetivas entre a fantasia e o aprendizado.
Inspirada pela frase de Mario Sergio Cortella — “O que importa é ser importante, isto é, que as pessoas te levem para dentro delas”—, Angélica Lopes segue transformando o cotidiano em narrativa, a memória em arte e a educação em um espaço vivo de imaginação e afeto.
Fonte: Entrevista concedida a Sara Fortunato em 21 de outubro de 2025