Pesquisa e texto: Jonas do Nascimento dos Santos
Naturalidade: Uiraúna – PB
Nascimento: 1990
Atividade artístico-cultural: Artista Visual
Atividade ofício-profissional: Professor de Artes
Formação Acadêmica: Graduação em Letras – Língua Portuguesa pelo IFPB (2016-2019); Graduação em Pedagogia pela UNICSUL (2020-2021); Graduação em Artes Visuais pela UNICSUL (2020-2022)
Materiais de Arte: Trabalhos de pintura com geotintas (tintas sustentáveis) sobre tela, colagem e máscaras feitas com papel reciclável
Atividades Complementares: Oficinas, palestras, mediação cultural, produção de conteúdo artístico e colaboração com espaços culturais e redes locais
Exposições / Participações: Presença em mostras e circuitos de arte regionais; participação em festivais, salões e coletivos de arte (nacional e local)
Projetos: Idealizador e Organizador da Mostra de Ciência, Arte e Cultura (MOCCA)
Instagram: @cedricluccas
Desde os seus primeiros passos no universo das artes visuais, Luccas Andrade se firma como um nome sensível à paisagem, à memória e às tensões identitárias do sertão paraibano. Sua trajetória — como artista e agente cultural — revela um compromisso com a imagem, com o corpo e com o território, expressando uma poética que dialoga com suas origens e com a complexidade do contexto regional. A pesquisa de Luccas não se limita à estética: ela se revela como investigação do existir, como uma busca por sentidos que ultrapassam a superfície. Por meio de seus trabalhos visuais, ele questiona as demarcações — entre rural e urbano, passado e presente, memória e esquecimento — estabelecendo um olhar sensível às transformações sociais e à vida cotidiana no interior da Paraíba. Seus suportes e linguagens são múltiplos: da pintura ao desenho, da fotografia à instalação, passando por composições que misturam técnica, imagem e simbolismo. Essa pluralidade revela não apenas versatilidade, mas uma urgência de abarcar o real em suas contradições, ambivalências e nuances.
Em sua produção, Luccas privilegia a subjetividade e a corporeidade como mecanismos de expressão. O corpo — humano, social, simbólico — aparece com força, por vezes fragmentado, por vezes reconstruído, sempre atravessado pela paisagem cultural e geográfica da Paraíba. Esse entrelaçamento entre corpo e território torna-se eixo estrutural de sua obra. Ao longo dos anos, o artista participou de exposições e projetos culturais que reforçam seu papel não apenas como criador, mas também como mediador da arte no contexto local. Ele atua como agente cultural registrado, o que lhe permite dialogar institucionalmente com espaços culturais, construir redes de cooperação e contribuir para o fortalecimento das artes visuais na região. Essa dimensão comunitária de seu ofício é fundamental: Luccas entende a arte como ato de pertencimento, como ponte entre passado e presente, entre o individual e o coletivo. Suas obras frequentemente incorporam sensibilidades compartilhadas, memórias populares e referências do sertão — valorizando o que muitas vezes é marginalizado ou invisibilizado pela grande mídia e pelos centros urbanos tradicionais.
Sua estética, então, não é neutra. Ela carrega uma intencionalidade ética e política: dar visibilidade à cultura periférica, ao sertão, às vozes silenciosas, às narrativas subalternas. Em cada traço, em cada composição, existe uma afirmação de identidade, uma recusa ao apagamento, um convite à reflexão. Luccas Andrade também se destaca pela capacidade de dialogar com gerações diferentes: jovens artistas, moradores do interior, curadores, público urbano — unindo-os por meio da experiência estética e pelo reconhecimento de uma história coletiva. Essa abertura ao diálogo transforma seu trabalho em ponte sensível entre diferentes lugares, tempos e vivências.
O percurso do artista revela crescimento constante: a cada projeto, a cada exposição, há uma renovação da pesquisa, uma retomada da memória, uma ampliação dos sentidos. Ele não se prende a estereótipos, nem se conforma com rotinas artísticas pré-definidas — sua obra é viva, instável, atravessada por questionamentos e possibilidades. Em um contexto regional marcado por desafios sociais, econômicos e culturais, a produção de Luccas Andrade surge como resistência estética: uma forma de reconhecer, celebrar e transformar. Ele resgata narrativas do sertão, dá corpo a histórias invisíveis, e revaloriza identidades muitas vezes relegadas ao esquecimento. Por fim, Luccas representa uma geração de artistas que acredita no poder da imagem como ferramenta de ressignificação — de pessoas, lugares, histórias. Sua atuação como visualizador, pesquisador e agente cultural reforça a importância da arte para a construção de identidade, memória e futuro para a Paraíba.
Fontes:
https://mapacultural.pb.gov.br/agente/1893/#info
https://www.instagram.com/cedricluccas