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Data de publicação do verbete: 29/12/2025

Coletivo de Teatro Pataquada

Coletivo de Teatro Pataquada

Coletivo de Teatro.

Entrevista, pesquisa e texto: Maria Beatriz Paulino

Naturalidade: Patos-PB

Fundação: Novembro de 2021

Atividade artístico-cultural: Teatro e Acessibilidade

Instagram: @coletivo_pataquada

O grupo tem um caráter estudantil, atrelado ao Instituto Federal da Paraíba – IFPB. E apesar de ser um grupo de estudantes, recebe o público externo (parceiros sociais), estudantes e servidores. Rodrigo Cunha é o professor de teatro e Amanda Tamires é a intérprete de libras, e é feito a pesquisa de como a Libras compõe a cena teatral, como criar pensando na inclusão e na criação com a Libras na cena. 

Os primeiros passos do coletivo acontecem quando Rodrigo Cunha entra como professor no IFPB. Ainda com atividades remotas, ele propôs como atividade de extensão para alguns alunos, a realização do teatro. No início, foram feitas leituras de textos teatrais, e em 2022 começa a etapa presencial com  o convite para alunos interessados em participar das aulas de teatro. 

Em 2022, começa o projeto “Coletivo de Teatro Pataquada” de forma presencial. Em paralelo a ele, acontece outro projeto de pesquisa que o professor Rodrigo foi aprovado, que estudava “O Mito da Cruz da Menina”, pesquisa intitulada “Histórias Contadas e Não Contadas de Patos ou a Cruz de Francisca”. Também tinha um outro projeto de extensão a partir de estudantes que queriam formar uma banda no campus, e mesmo sem formação em música, Rodrigo propôs que o grupo ensaiasse as músicas e tocasse ao vivo nas apresentações de teatro. O professor passou um texto de Maria Valéria Rezende, “Vasto Mundo”, para o Coletivo de Teatro Pataquada em que realizaram uma leitura dramatizada deste texto dentro de um evento do Campus, na praça da cidade e em João Pessoa, logo no início de 2022. A pesquisa ao longo do ano  foi concluída com o texto teatral escrito pelo Coletivo. 

Em 2023, o Coletivo passa a ter novos integrantes e, fruto de uma pesquisa científica, ensaia o espetáculo “A Cruz de Francisca ou História Contadas e Não Contadas de Patos”, utilizando o material da pesquisa do ano anterior que se apresenta em Cabedelo. “É uma pesquisa científica na área de artes, então eu gosto de pontuar isso porque a gente às vezes acha que a arte não tem esse saber científico, e tem, é uma área de conhecimento”, disse o diretor e professor do Coletivo de Teatro Pataquada, Rodrigo Cunha. Nesse espetáculo, a intérprete de libras, Amanda Tamires, era o ponto principal. O primeiro texto era dito em Libras e os atores começavam a problematizar quem tem o poder de contar as histórias. 

Também usaram como referência a escritora Chimamanda Ngozi Adichie, com “O perigo de uma história única”. O último texto do espetáculo também foi falado em Libras, com uma pessoa traduzindo para os ouvintes o que a intérprete em Libras falava. Esse trabalho foi o ponta-pé para Amanda Tamires, intérprete de Libras, ir ao mestrado e realizar uma pesquisa criando o conceito “Traducenar”, onde a Libras está inclusiva no teatro como um elemento que faz a composição da pesquisa estética do grupo e da apreciação do espetáculo pelo espectador surdo. 

Ao longo desses anos, o coletivo foi contemplado com alguns projetos do IFPB, de apoio aos grupos artísticos. Receberam um edital de pesquisa do IFPB para a realização do espetáculo “História Contadas ou Não Contadas de Patos ou A Cruz de Francisca”. Em 2022, foram contemplados com o edital de apoio aos grupos artísticos, um edital anual que o IFPB lança. Em 2025, o coletivo foi contemplado com o edital da Segunda Mostra de Artes Cênicas do IFPB. 

Todo ano o coletivo participa das mostras que o IFPB realiza e viajam. A montagem “Vasto Mundo” aconteceu na Primeira Mostra de Arte Cênicas do IFPB, em João Pessoa, no Teatro Santa Roza. Participaram em 2025, na Segunda Mostra de Artes Cênicas, com o espetáculo “Do fogo que em mim arde”, em Cajazeiras. Também participaram do Simpif (encontro de pesquisa do IFPB), com o espetáculo “A cruz de Francisca ou Histórias contadas ou não contadas de Patos”, em Cabedelo. Participaram do Enex, em 2024, na cidade de Monteiro, apresentando o espetáculo “A cruz de Francisca ou Histórias Contadas ou Não Contadas de Patos”, com um novo elenco. Participaram do Natal na cidade de Patos em 2022, 2023 e 2024, na praça da cidade. 

Uma apresentação muito marcante para o grupo foi na cidade de Santa Gertrudes, um distrito de Patos, em uma escola pública. A apresentação ocorreu na calçada da escola. “Tem coisas da emoção, da apresentação artística na troca com o público que a gente não tem como mensurar ou explicar de forma tão racional, mas naquela apresentação, que foi no final de 2022, ela teve uma força para o público, sabe? Acho que foi uma das apresentações mais marcantes que nós tivemos”, afirmou o diretor do Coletivo, Rodrigo Cunha. 

Neste ano de 2025, o coletivo fez outra pesquisa para montar o espetáculo “O fogo que arde em mim”. Junto com a professora Bruna, que também faz parte do grupo, fizeram uma oficina com “Clowns de Shakespeare” em Natal-RN, em janeiro, levando a experimentação de um espetáculo itinerante por espaços não convencionais, um local onde a plateia não precisa parar para ficar assistindo nessa relação com os artistas do teatro.

No primeiro semestre trabalharam encenando poesias nos diversos espaços do campus. Usaram os corredores, as rampas e áreas externas. No segundo semestre, afunilar essa pesquisa e montaram um espetáculo a partir do estudo do livro “Pequeno Manual Antirracista”, de Djamila Ribeiro, em que fizeram uma dramaturgia com poemas da Conceição Evaristo. Também apresentaram escritos da Grada Kilomba, Djamila Ribeiro e Vitória Santa Cruz. 

Fizeram esse espetáculo com histórias e poemas de autoras negras, apresentando na biblioteca do campus. O espetáculo começava descendo por uma rampa, que leva no primeiro piso até o andar seguinte, com o público assistindo de forma frontal. Depois, o elenco uma parte do elenco saia de trás das estants de livros, lendo e recitando trechos de livros de autores negros. O público, em seguida, era convidado a entrar pelas estantes e ir para um espaço onde acontecia uma cena intimista, do conto de Djamila Ribeiro, “Cartas Para a Minha Avó”. Depois, o público subia a rampa, onde uma atriz conduzia com o poema “Me Chamaram Negra”, da Vitória Santa Cruz.

No mesanino da biblioteca, a platéia assistia a mais uma cena, com o texto da Grada Kilomba. Após, foram conduzidos a mais um trecho do texto da Vitória Santa Cruz. Chegando ao auditório, tinha poemas na Conceição Evaristo e uma projeção de imagem onde trabalharam bastante com as músicas da Luana Flores, que é musicista e multiartista paraibana, de João Pessoa. Esse espetáculo foi adaptado e apresentado em Cajazeiras, e também fizeram apresentações para todas as turmas do Campus na semana da Consciência Negra, com um debate em seguida. 

Fontes:

Entrevista com o diretor e professor do Coletivo de Teatro Pataquada, Rodrigo Cunha concedida a Maria Beatriz Paulino em dezembro de 2025.

Instagram: @coletivo_pataquada 

O FAZER ARTÍSTICO ENQUANTO PESQUISA: A EXPERIÊNCIA DO COLETIVO DE TEATRO PATAQUADA SANTOS, R.C. (IFPB, campus Patos), ARAÚJ

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