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Data de publicação do verbete: 16/01/2026

Lucy Camelo

Lucy Camelo

Atriz.

Pesquisa e texto: Maria Beatriz Paulino

Nascimento: 1936

Atividade artístico-cultural: Atriz

Filha de um ex-ator circense, em 1946, aos 10 anos, após a morte do pai, Lucy Camelo foi fazer radionovela na Tabajara. A carreira de Lucy foi marcado por grandes trabalhos na teledramaturgia: 

  • Cactus Produções: “O mundo Louco do poeta Zé Limeira” (1974) e “Zebra do primeiro ao quinto ato ou a noite da eterna esperança” (1975) ambos com texto e direção de José Bezerra Filho; 
  • Grupo Bigorna: “Navalha na carne” (1969), de Plínio Marcos, no papel da prostituta Neusa Suely, dirigido por Fernando Teixeira, com quem também dividia a cena; 
  • Grupo Formação: “Nordeste para principiantes”, show musical de autoria de Marcus Vinicius e Pedro Santos com direção de Marcus Siqueira. Nesse espetáculo, o elenco teatral era formado apenas por Lucy Camelo e Ednaldo do Egypto; 
  • Grupo Oficial do Teatro Santa Roza: atuou em “A Modelação” (1967), de Virginius da Gama e Melo, dirigido por Marcus Siqueira. Com esse espetáculo ganhou o prêmio de melhor atriz coadjuvante na Sétima semana de Teatro da Paraíba; 
  • Fez parte de “Cordel” (1975), de Orlando Sena, dirigido pelo mineiro Rubens Teixeira; 
  • Atuou em “Coiteiros” (1977), de José Américo de Almeida, adaptada por Altimar Pimentel, onde interpretou a personagem Zigue e foi dirigida por Fernando Peixoto (do Teatro Oficina/Teatro de Arena de SP); 
  • Deu vida à mãe do personagem título em “Lampiaço, o rei do cangão ou as quixotescas aventuras de Lampiaço” e “Beija-flor” (1978), com texto e direção de José Bezerra Filho; 
  • Fez o papel de Rita em “O Dia em que deu elefante” (1980), de Marcos Tavares sob a direção de Tânia França; 
  • Grupo Tenda: fez “Alamoa”, texto de Altimar Pimentel dirigido por Leonardo Nóbrega, como a personagem Viúva III, com estreia em 17 de outubro de 1985 no palco do Lima Penante; 
  • Juventude Teatral de Cruz das Armas (JUTECA): “Um sábado em 30” (1971), de Luiz Marinho com direção de Ednaldo do Egypto; 
  • “As Fãs de Frank Sinatra” (1982), de José Maria Rodrigues dirigido por Elpídio Navarro; 
  • “O Testamento”, texto e direção de Pereira Nascimento (1982); 
  • “A paixão de Cristo”, de Aldo Garrido sob a direção de Leonardo Nóbrega;
  • Movimento de Cultura Artística (MOCA): “O asilo” (1975), texto de Niels Petersen contando com encenação coletiva sob a coordenação de Nautília Mendonça e Luiz Carlos Vasconcelos; 
  • Teatro de Arena da Paraíba: ao lado de Zezita Matos, Rubens Teixeira e Ednaldo do Egypto, atuou em “O Bem-amado”, de Dias Gomes, com direção de Wilson Maux; 
  • Teatro dos Amadores da Paraíba: “Se o Anacleto soubesse” (1957), de Paulo Magalhães com direção de Cilaio Ribeiro; 
  • Teatro do Estudante da Paraíba (TEP): “Cantam as harpas de Sião” (1959), de Ariano Suassuna (direção coletiva), “Dor de promessas” (1961), de Dias Gomes, “Morre um gato na China” (1962), de Dias Bloch, e “João Farrapo” (1962), de Meira Pires, todos dirigidos pelo pernambucano Walter de Oliveira; 
  • TeatroEscola da Paraíba: “Andira” (1961), de Vanildo Brito com direção de Elzo Franca; 
  • Teatro Popular de Arte: “O Menino de Moony não chora” (1959), de Tennessee Williams, com direção de Maria José Campos Lima, “A Rebelião dos abandonados” (1960), de Vanildo Brito dirigido por Elzo França; 
  • Teatro Experimental de João Pessoa: “A vida não é nossa” (1958), de A. Accioly Neto, dirigido por Ruy Eloy. 

Também atuou em filmes brasileiros como “Fogo Morto”, em 1976, e “Menino de Engenho”, em 1965. Atuando em Coiteiros, participou do projeto de circulação de teatro brasileiro “Mambembão”, com temporada no Rio de Janeiro e São Paulo, em 1978.

Lucy recebeu diversos prêmios por causa do seu talento e versatilidade: melhor atriz no 1º Festival de Arte Dramática da Paraíba; melhor atriz coadjuvante na Sétima Semana de Teatro da Paraíba. Em 1974, aconteceu o 1º Festival de Teatro Amador de Campina Grande, um evento de resistência diante das perseguições da ditadura militar, e passou a ter amplitude nacional como Festival de Inverno de Campina Grande. Foi neste evento que a obra “O Mundo Louco do Poeta Zé Limeira” ganhou seis prêmios, e o de melhor atriz nomeou Lucy Camelo. Diante dos festejos, Elpídio Navarro prestou uma homenagem à artista, no jornal “O Momento”, enaltecendo o talento, dedicação e disposição de Lucy. 

Em 1974, dois textos dramatúrgicos e bibliográficos, escritos especialmente para a comemoração dos 25 anos da atriz, foram censurados. O primeiro, “Quem tem medo de Lucy Camelo”, do autor Marcos Luiz, foi enquadrado nas categorias censórias moral e política e foi interditado pelo Departamento de Polícia Federal/Divisão de Censura e Diversões Públicas (DCDP) do Ministério da Justiça. O segundo, “A importância do camelo para o mundo capitalista”, recebeu cortes nas páginas 2, 4, 6, 8 e 9, com enquadramento em censura moral e indicação etária para 18 anos. Uma das falas que seriam ditas pela atriz, na peça escrita por Marcus Luiz, expressa a relação de Lucy com a arte de atuar: “às vezes eu penso que teatro é um vício, uma doença, sei lá… Uma coisa que entra na gente e não sai mais”.

Além de atriz, também se dedicou à equipe de organização das famosas Semanas de Teatro da Paraíba, na década de 1960. 

Fontes

https://www.imdb.com/pt/name/nm0131432/ 

https://diariodevanguarda.com.br/colunas/lucy-camelo-a-imagem-esmaecida-em-mim/ 

https://www.google.com/url?q=https://paraibaja.com.br/editora-a-uniao-lanca-antologia-do-teatro-paraibano-nesta-quarta-feira/&sa=D&source=docs&ust=1768335267919183&usg=AOvVaw1nHkDUP15R59TTvUy66vPm 

https://uepb.edu.br/museu-de-arte-popular-da-paraiba-recebe-edicao-do-projeto-tarde-literaria-nesta-sexta-feira-3/ 

https://www.pimentacultural.com/wp-content/uploads/2025/06/eBook_dicionario-mulheres-paraibanas.pdf 

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