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Data de publicação do verbete: 16/01/2026

Balduíno Lélis

Balduíno Lélis

Ator, pesquisador cultural e folclorista.

Pesquisa e texto: Maria Beatriz Paulino

Naturalidade: Taperoá-PB

Nascimento: 1932 // Falecimento: 21 de dezembro de 2020

Atividade artístico-cultural: Ator, pesquisador cultural e folclorista

Em 1932, ano em que Balduíno Lélis nasceu, aconteceram cenas de sangue na política paraibana. Ainda pequeno, ouvia histórias de acontecimentos políticos envolvendo familiares e as façanhas do mais famoso cangaceiro, Virgulino Ferreira da Silva, Lampião. As dificuldades de acesso ao ensino não permitiram que Balduíno concluísse o ensino primário, o que o tornou autodidata. Buscando novos conhecimentos, aprendeu a falar espanhol, francês, italiano e merrime (Kanella), língua indígena. 

Ainda cedo, descobriu a paixão pela arte e a vontade de pesquisar e documentar a cultura do povo. Dedicou sua vida a descobrir e preservar a cultura nas manifestações e conhecimentos, desde folclore, arqueologia e paleontologia. Construiu museus pelo Nordeste, especialmente, na Paraíba. Ficou conhecido, assim, como o “Senhor dos Museus”.

Era amigo de Ariano Suassuna, tinha proximidade com Glauber Rocha, José Lins do Rego, Câmara Cascudo, Luiz Almeida, Assis Chateaubriand e José Américo de Almeida que, em 1957, nomeou-o Promotor Adjunto da Comarca de Taperoá. Em 1969, recebeu menções honrosas e voto de louvor da Assembleia Legislativa da Paraíba. Também recebeu Honra ao Mérito no IV Centenário Paraíba, em 1985. Foi homenageado na VI Noite da Cultura Paraibana e condecorado com a Medalha Rui Barbosa do Congresso dos Tribunais de Contas do Brasil. 

Ele tinha fascinação pela Pedra do Ingá, por isso, a diretoria do Banco do Estado da Paraíba, na década de 1970, montou uma réplica da Pedra que foi colocada na agência central do banco. Como professor convidado, deu aulas na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Universidade Federal do Ceará (UFC) e na Universidade de Tóquio, no Japão, ministrando palestras sobre baleias pleistocênicas.

Também atuou em cinema e teatro, além de escrever romance, contos e exercer artes plásticas. O romance “A Bota Maldita” e os contos regionais “O Conto dos Contos de Réis” e “O Causo do Capitão Tranquilino e o Padre Ananias”, são títulos que chamam atenção pela forma como o tema é abordado.  Atuou no primeiro longa-metragem rodado na Paraíba, “Salário da Morte”, uma produção de José Bezerra Filho e Waldemar José Solha, com direção de Linduarte Noronha.

Fez o papel do Capitão Antônio Silvino, no filme “Menino de Engenho”, produção de Glauber Rocha e Walter Lima Júnior, personagem que voltou a interpretar no filme “Fogo Morto”, em 1976, com direção de Marcos Farias. Atuou como São Gregório no filme “São Gerônimo”, de João Bressane; o coronel Bezerra na minissérie “Auto da Compadecida (gravada em Taperoá), e como o pai de Padre Rolim, no longa metragem “Um Sonho de Inacim – O Aprendiz de Padre Rolim”, com direção de Eliézer Rolim. 

Uma das maiores facetas de Balduíno foi montar a Cidade Cinematográfica de São Saruê, uma cidade para cinema e exaltando a terra onde todos vivem felizes, com farturas, a partir de sua afinidade com os sonhos e os encantamentos do Sertão.

Em 1987, Balduíno criou a Universidade Leiga do Trabalho (ULT), na cidade de Taperoá. O intuito era que os jovens aprendessem uma atividade profissional, repassadas de geração em geração, pensando no momento atual e futuro. Era uma instituição sem fins lucrativos, que atuou sem recursos públicos. Professores voluntários ajudaram e formaram 586 alunos.

Em Taperoá, três casas foram construídas como resultado dos cursos oferecidos. Os alunos fizeram tijolos, telhas e esquadrias, em um local no Sítio Quixaba, em Taperoá. Além do curso de capacitação para construir a casa própria, também tem o Memorial das Riquezas da Paraíba, que tem os espaços da Sala da Imprensa Luiz Gonzaga Rodrigues e da Sala do Livro Escritor José Loureiro Lopez. Conta com a Sala de Convenções Governador Juarez Farias; o Parque da Luz e da Força Governador João Agripino Filho, Praça da Liberdade Governador Dorgival Terceiro Neto, Teatro Escola Fernando Teixeira e da Fonte da Vida Poeta Ronaldo Cunha. 

Fontes:

https://ancestors.familysearch.org/pt/GS3C-JZQ/balduino-lelis-de-farias-1927-2020 

https://tce.pb.gov.br/as-itacoatiaras-de-balduino/

https://professortadeupatricio.blogspot.com/2013/12/taperoapb-e-seus-ilustres-filhos.html 

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