Pesquisa e texto: Gustavo Roberto
Categoria: Artesanato têxtil
Técnica: Tecelagem manual por nós
Matérias-primas mais utilizadas: fios de algodão, sisal, barbante, fibras naturais
Regiões de maior incidência no estado: João Pessoa, Campina Grande, Araruna, Sertão e Agreste paraibanos
O macramê é uma técnica artesanal de origem ancestral, baseada na criação de tramas por meio de nós, sem o uso de agulhas ou tear. Na Paraíba, essa arte ganhou características próprias, dialogando com o território, a cultura popular e as tradições do fazer manual nordestino, consolidando-se como uma importante expressão do artesanato contemporâneo do estado.
Historicamente associado à produção doméstica e ao saber transmitido entre gerações, o macramê paraibano passou, nas últimas décadas, por um processo de ressignificação estética e econômica, ampliando sua presença no design, na moda, na decoração e em projetos autorais de artesãos e artesãs.
Na Paraíba, o macramê se insere no contexto dos saberes tradicionais ligados ao trabalho manual, à coletividade e à identidade cultural. A técnica é frequentemente associada à produção de peças utilitárias e decorativas, como painéis, suportes, bolsas, vestuário, acessórios e objetos artísticos, muitos deles inspirados na paisagem natural, na simbologia regional e na memória afetiva do território.
O macramê também dialoga com outras expressões do artesanato paraibano, como a renda renascença, o labirinto e o crochê, fortalecendo redes de criação coletiva e trocas de conhecimento entre diferentes técnicas têxteis.
Do ponto de vista econômico, o macramê desempenha papel relevante na economia criativa paraibana, especialmente no âmbito da agricultura familiar urbana, do empreendedorismo feminino e da produção artesanal independente. A atividade gera renda direta para artesãs e artesãos, movimenta feiras, salões, eventos culturais e o turismo criativo, além de possibilitar a inserção em mercados especializados e colaborações com designers e marcas.
A participação de macramistas paraibanos em eventos como o Salão do Artesanato Paraibano e iniciativas de formação promovidas pelo Programa do Artesanato Paraibano (PAP) tem contribuído para a profissionalização do setor, agregando valor simbólico e mercadológico às peças produzidas no estado.
Nos últimos anos, o macramê paraibano vem ganhando destaque também no campo da moda autoral e do design, integrando coleções, desfiles e projetos que aproximam o artesanato das linguagens contemporâneas. Essa aproximação amplia o alcance da técnica, reposicionando o macramê como linguagem artística e criativa, sem romper com suas raízes tradicionais.
Eventos como o “Tramas Arretadas — A Passarela da Moda Paraibana” exemplificam esse movimento ao colocar o macramê em diálogo com estilistas e designers reconhecidos nacionalmente, reforçando sua potência estética e narrativa.
Um marco recente para o fortalecimento da técnica no estado foi a criação da Associação de Macramistas da Paraíba (AMPB), considerada a primeira associação de macramistas do Brasil. A AMPB surge a partir da articulação entre artesãs e artesãos envolvidos em processos formativos e criativos promovidos pelo PAP, consolidando uma organização coletiva voltada à valorização, representatividade e profissionalização do macramê paraibano.
A associação atua na defesa dos interesses da categoria, no estímulo à produção coletiva, na ampliação de oportunidades de formação e na inserção do macramê em políticas públicas culturais e de economia criativa, fortalecendo a identidade do artesanato têxtil no estado.
O macramê na Paraíba transcende a dimensão do artesanato tradicional, afirmando-se como linguagem cultural, artística e econômica. Ao unir tradição, inovação e organização coletiva, a técnica contribui para a geração de renda, a preservação de saberes e a projeção da cultura paraibana em âmbito local e nacional.
Fontes:
GOVERNO DA PARAÍBA. Secretaria de Estado do Turismo e do Desenvolvimento Econômico. Programa do Artesanato Paraibano (PAP).
SEBRAE. Artesanato e economia criativa no Nordeste brasileiro.
LOPES, Maria da Conceição. Artesanato têxtil e saberes tradicionais no Nordeste. Recife: Editora Universitária.