Pesquisa e texto: Jonas do Nascimento dos Santos
Título: Adão, Eva e o Fruto Proibido
Origem: Brasil (Paraíba)
Ano: 2021
Duração: Aproximadamente 17 a 20 minutos
Gênero: Ficção / Drama
Classificação Indicativa: 14 anos
Direção: R. B. Lima
Roteiro: R. B. Lima
Produção Executiva: Taís Pascoal
Direção de Produção: Taís Pascoal
Direção de Fotografia: Carine Fiúza
Direção de Arte e Figurino: Ingrid Marla
Som Direto: Janaína Lacerda e Gian Orsini
Montagem e Finalização: Edson Lemos Akatoy
Desenho de Som e Mixagem: Vitor Galmarini
Assistente de Direção: Diego Lima
Preparação de Elenco: Alison Bernardes
Elenco: Danny Barbosa, Lay Gonçalves, Manoa Vitorino, Margarida Santos, William Cabral
Festivais e Exibições: Mostra Competitiva Nacional do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro – 2021; Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo – Curta Kinoforum; Mostras e festivais nacionais voltados ao cinema brasileiro e aos direitos humanos
Prêmios e Destaques: Melhor Direção – Mostra Olhar Brasilis do Festival Curta Santos (2022)
Sinopse
Após quinze anos de ausência, Ashley retorna para tentar se aproximar do filho adolescente que praticamente não conhece. Mulher trans, marcada por um passado de rupturas, silêncios e escolhas difíceis, ela carrega o peso de ter sido afastada do convívio do menino desde o nascimento. O reencontro acontece de forma cautelosa, permeado por estranhamento, desconfiança e uma distância emocional que se revela tanto nos diálogos contidos quanto nos gestos mínimos. O jovem, criado longe da mãe, enfrenta suas próprias inquietações típicas da adolescência, ao mesmo tempo em que tenta compreender quem é essa mulher que agora se apresenta como parte de sua história. Entre pequenos deslocamentos pela cidade, conversas interrompidas e situações cotidianas aparentemente simples, mãe e filho passam a dividir um tempo juntos que nunca tiveram. Esse convívio inicial expõe feridas antigas, mas também abre espaço para a possibilidade de construção de um novo vínculo. O curta acompanha esse processo de aproximação sem recorrer a soluções fáceis ou discursos didáticos. Em vez disso, aposta na força do cotidiano e na delicadeza dos encontros para revelar como o afeto pode nascer mesmo em terrenos marcados pela ausência. A identidade de gênero de Ashley atravessa a narrativa não como um elemento isolado, mas como parte indissociável de sua experiência de vida, influenciando a forma como ela se vê, como é vista e como tenta ocupar o lugar de mãe.
À medida que o tempo compartilhado se intensifica, o filme expõe as inseguranças de ambos: Ashley teme não ser aceita, enquanto o filho lida com o medo de se aproximar de alguém que pode novamente desaparecer. Entre silêncios prolongados e tentativas tímidas de diálogo, os dois constroem uma relação frágil, porém sincera, baseada mais na escuta do que em grandes declarações. Adão, Eva e o Fruto Proibido propõe uma reflexão sensível sobre maternidade, pertencimento e reconciliação, deslocando conceitos tradicionais de família e questionando expectativas sociais impostas aos corpos e às identidades. O filme sugere que amar também é aprender a permanecer, mesmo quando o passado pesa, e que o afeto pode surgir como um gesto de resistência em um mundo que insiste em negar certas formas de existir.
Fontes:
https://cinemateca.org.br/filmes/adao-eva-e-o-fruto-proibido/
https://espacopb.com.br/v/curta-metragem-paraibano-e-exibido-em-festival-de-cinema-esta-semana