O maior conteúdo digital de cultura regional do Brasil
Registro das artes e culturas da Paraíba
4.466 Registros
O maior conteúdo digital de cultura regional do país
Registro das artes e culturas da Paraíba
4.466 Registros
Data de publicação do verbete: 08/02/2026

Rafameia

Rafameia

Curta-metragem.

Pesquisa e texto: Jonas do Nascimento dos Santos

Origem: Brasil 

Ano: 2020

Duração: Aproximadamente 24 minutos

Gênero: Ficção

Locação de filmagem: João Pessoa-PB

Direção: Mariah Teixeira e Nanda Félix

Roteiro: Nanda Félix

Produção Executiva: Marcelina Moraes

Direção de Produção: Drika Soares

Direção de Fotografia: Aline Belfort

Direção de Arte: Maíra Mesquita

Figurino: Ana Isaura Diniz

Montagem: Rafael Todeschini

Som / Concepção Sonora: Eric Ribeiro Christani

Elenco Principal: Mariah Teixeira, Daniel Porpino, Marcelina Moraes, Suzy Lopes,  Dhyan Urshita, Buda Lira, Thardelly Lima, Omar Brito, Fernanda Ferreira, Ingrid Trigueiro, Izadora Nascimento 

Festivais e Exibições: Estreia Mundial: Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba (Mostra Outros Olhares) – 2020; International Film Festival Rotterdam (IFFR) – 2021; Festival do Rio – 2021; Desver – Festival de Cinema Universitário; A Tela é Delas – Mostra Feminina de Audiovisual

Prêmios e Reconhecimentos: Melhor Curta de Ficção – Trinidad + Tobago Film Festival; Melhor Roteiro – Festival Primeiro Plano (Juiz de Fora); Melhor Direção – Festival Primeiro Plano

Sinopse

Em um edifício antigo no centro de João Pessoa, um espaço marcado pela decadência física e pela memória de tempos mais vivos, Carmem atravessa mais um dia comum. Mulher negra, moradora de um pequeno apartamento e dona de uma rotina silenciosa, ela vive cercada por paredes que guardam tanto a precariedade material quanto os ecos de desejos que nunca encontraram espaço para existir plenamente. O prédio, com seus corredores estreitos, apartamentos sobrepostos e personagens que se cruzam sem realmente se conhecer, funciona como um microcosmo de uma cidade atravessada por desigualdades, solidões e afetos contidos. A narrativa acompanha Carmem em encontros aparentemente banais: o contato rápido com um entregador, a conversa atravessada com vizinhos, os olhares trocados com desconhecidos que circulam pelo prédio e pelas ruas ao redor. Cada uma dessas interações revela, de forma fragmentada, pequenas fissuras na superfície do cotidiano, expondo tensões relacionadas a gênero, classe, desejo, religiosidade e pertencimento. Carmem observa o mundo mais do que fala, e seu silêncio torna-se um gesto político, um espaço de resistência frente a um ambiente que constantemente a empurra para a invisibilidade.

À medida que o dia avança, o filme constrói uma atmosfera sensorial, em que sons, texturas e movimentos do corpo assumem papel central na narrativa. O ruído dos passos nos corredores, a luz que atravessa janelas empoeiradas, os objetos acumulados dentro dos apartamentos e os enquadramentos que insistem em permanecer próximos do rosto e do corpo de Carmem reforçam uma experiência de clausura, mas também de intensa interioridade. O espectador é convidado a habitar esse espaço íntimo, compartilhando as inquietações, os desejos não nomeados e a solidão que atravessam a protagonista.  Rafameia se estrutura como um mosaico de sensações e pequenas situações que, juntas, constroem o retrato de uma mulher em conflito entre a adaptação e a ruptura. O filme evita respostas fáceis ou grandes acontecimentos dramáticos, apostando na força dos gestos mínimos e na densidade do não-dito. Ao colocar uma mulher negra no centro da cena e permitir que sua subjetividade seja o eixo da narrativa, o curta propõe uma reflexão sobre quem pode desejar, quem pode existir plenamente e quais corpos são historicamente autorizados a ocupar o espaço urbano.

Mais do que contar uma história linear, Rafameia investiga estados de espírito. Entre o peso da rotina e a pulsação de um desejo que insiste em sobreviver, Carmem percorre um caminho interno que aponta para a possibilidade de transformação, ainda que indefinida. O filme, assim, se afirma como um retrato sensível sobre solidão, pertencimento e a busca por brechas de liberdade em um mundo que frequentemente nega essas possibilidades.

Fontes:

https://parlamentopb.com.br/curta-paraibano-estreia-mundial-no-festival-olhar-de-cinema-2020/

https://www.joaopessoa.pb.gov.br/noticias/curta-metragem-patrocinado-pelo-edital-walfredo-rodriguez-tem-estreia-mundial-no-festival-internacional-de-curitiba/

https://curtacinema.com.br/2024/08/06/rafameia/

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *