Pesquisa e texto: Abraão Sena
Autora: Renálide Carvalho
Editora: Ideia Livraria e Editora
Gênero: poesia
Ano de publicação: 2024
Tema: Empoderamento feminino da mulher negra
Sinopse:
Negros Riscos é uma obra poética da educadora, artivista e escritora negra paraibana Renálide Carvalho. O livro apresenta uma escrita marcada pela experiência feminina negra, reunindo poemas que refletem identidade, memória, resistência e afetividade.
A coletânea é composta, em sua maioria, por poemas curtos — descritos como “poemas-pílula” que trazem emoções, vivências e posicionamentos políticos. A escrita dialoga com o conceito de “escrevivências”, associado à autora Conceição Evaristo, ao transformar experiências pessoais em expressão literária e coletiva.
Entre os principais temas abordados estão: Identidade e ancestralidade negra, empoderamento feminino e protagonismo das mulheres negras, Racismo estrutural e desigualdades sociais, Militância e consciência política, Relações afetivas e emoções humanas.
A obra enfatiza a força da mulher negra e o direito à existência digna, dando voz a mulheres historicamente silenciadas. Os poemas funcionam como registros das “escrevivências” da autora, retratando corpos, histórias e memórias coletivas. A poesia constrói uma identidade plural, evocando figuras simbólicas femininas e destacando a resistência e a continuidade histórica das mulheres negras. Como destaca o poema abaixo:
Meu corpo é minha história
Costurada a cada tempo vivido.
Meu corpo Maria
Margarida
Carolina.
Meu corpo Claudia
Julieta
Marielle.
Meu corpo atravessou mares,
Sentiu sabores suaves
e amargas dores.
É memória.
É semente.
Entender nem tente
Esse corpo de mulher.
Meu Corpo-Mulher sabe o quê e quando quer.
Negros Riscos contribui para a literatura negra contemporânea ao apresentar uma perspectiva feminina nordestina engajada, ampliando o destaque sobre a identidade, justiça social e pertencimento. A obra convida leitores e leitoras à reflexão sobre desigualdades, resistência e a potência da voz negra na literatura brasileira.
Fonte:
Negros Riscos – Renálide de Carvalho Morais Fabrício