Pesquisa e texto: Maria Beatriz Paulino
Gênero: Documentário / Curta-metragem
Duração: 18 minutos
Ano de produção: 1968
Cidade/Estado: Santa Rita-PB
Direção: Ipojuca Pontes
Produção: Vladimir Carvalho
Produção Assistente: Walter Carvalho
Edição: Manoel Oliveira
Narração: Paulo Pontes
Roteiro: Marcus Odilon e Vladimir de Carvalho
Sinopse:
Às margens do rio Paraíba do Norte, no povoado de Livramento, em Santa Rita-PB, homens enfrentam diariamente a lama e o cansaço em uma rotina marcada pela sobrevivência. Dependentes da captura de caranguejos, eles saem ainda pela manhã e retornam ao entardecer, após horas de trabalho árduo que os aproxima dos próprios animais que garantem seu sustento. Inspirado em realidades como a retratada no documentário Os Homens do Caranguejo (1969), o filme revela, com sensibilidade, a dureza e a dignidade de uma comunidade moldada pelo rio e pela necessidade.
Contexto e produção
A produção também recebeu apoio financeiro de Marcus Odilon e ajuda do jornalista João Manoel de Carvalho, que fornecia semanalmente uma feira para alimentar a equipe.
Carlos Aranha se manifestou, a respeito do filme, em um artigo publicado no jornal “O Norte”: “Os Homens do Caranguejo conseguem escapar das limitações que lhe foram impostas pelas exigências naturais. Ipojuca conseguiu transformar essas limitações na própria estrutura necessária ao curta-metragem, jogando no filme mais alguns dados necessários ao conhecimento da realidade brasileira numa de suas faixas mais postas à margem. Seu valor está justamente em sua denúncia, que não é fácil e discursiva, infelizmente isolada das grandes áreas da comunicação. Resta o que mais uma vez é o óbvio ululante: o filme de Ipojuca Pontes não é exceção à regra, mas a regra que o coloca entre os bons documentários brasileiros”.
Já Wills Leal publicou no “Correio da Paraíba” sua opinião sobre a obra, afirmando que o documentário é aterrador por reduzir o homem ao reino animal, mas além disso, apresenta uma denúncia.
“Vivendo do caranguejo, a comunidade retratada no filme, nada teria de diferente das demais comunidades do Nordeste do Brasil, de outros centros de pescadores, se não fosse o fato conotador em si mesmo de que a sua economia e a sua paisagem trazem características bastante particulares. Seus homens, suas crianças são de uma subnutrição aflageladora e numa das cenas mais envolventes do filme, vemos um ancião que se contorce, tentando subsistir numa vida que é quase morte, consumindo-se a cada dia que passa, em face da alimentação à base de caranguejo, noite e dia, hoje e amanhã, sempre”, afirmou Wills.
Quando o filme foi lançado em João Pessoa, já representava o cinema brasileiro na IX Resenha do Filme Antropológico, que se realizava em Locarno, na Itália. Obteve quinze prêmios no Brasil e no exterior, além de se destacar como um dos documentários artísticos mais perfeitos da realidade nordestina.
Fontes:
https://wscom.com.br/opiniao-e-blogs/2012/05/31/setembro-1968-os-homens-do-caranguejo/
https://filmow.com/os-homens-do-caranguejo-t199486/
https://www.ahshow.tv/filme/os-homens-do-caranguejo-712739
https://letterboxd.com/film/os-homens-do-caranguejo/