Pesquisa e texto: Maria Beatriz Paulino
Gênero: Documentário social (35 minutos)
Ano de produção: 1979
Cidade/Estado: Paraíba
Direção: Francisco Alves, João O. Paes de Barros, Beto Novaes, José Umbelino, Maria Rita Assumpção e Romero Azevedo
Sinopse:
“O que eu conto do Sertão é Isso…” é um documentário brasileiro produzido no final da década de 1970, a partir de uma iniciativa vinculada à Universidade Federal da Paraíba (UFPB), que retrata as condições de vida e trabalho de lavradores de algodão no sertão paraibano. A obra se destaca por adotar a perspectiva dos próprios trabalhadores rurais, que narram suas experiências de exploração, precariedade e resistência.
O filme aborda a dura realidade dos meeiros submetidos a contratos desvantajosos, condições insalubres de trabalho e moradia precária. Endividados junto a bancos e proprietários de terra, esses trabalhadores viviam em situação de dependência que, em muitos casos, se aproximava de formas de trabalho semi-escravo. A crise da produção algodoeira e a posterior substituição das lavouras pela pecuária intensificaram o processo de expulsão dessas populações do campo, gerando fluxos migratórios para as periferias urbanas da região.
Ao contrapor os pontos de vista de trabalhadores e latifundiários, o documentário evidencia as tensões sociais no campo em um contexto de transição política no Brasil, marcado pelo enfraquecimento do regime militar e pela rearticulação de movimentos sociais e sindicais. A obra também cumpre um papel político ao dar visibilidade a vozes historicamente silenciadas pela repressão.
O projeto que originou o filme integra a proposta “Educação Através das Imagens”, coordenada pelo sociólogo Beto Novaes. A iniciativa buscava articular ensino, pesquisa e extensão universitária por meio do uso do audiovisual como instrumento de diálogo entre a academia e os movimentos populares. A produção do documentário surgiu como forma de “devolução” dos resultados de uma pesquisa acadêmica sobre a decadência da economia algodoeira no sertão da Paraíba, realizada com a participação direta dos trabalhadores e de seus sindicatos.
Além de seu valor cinematográfico, o filme constitui importante fonte histórica e sociológica para o estudo das transformações no mundo rural brasileiro na década de 1970, especialmente no que se refere à modernização do latifúndio, à desestruturação das relações de parceria agrícola e às lutas por direitos no campo.
A obra recebeu o prêmio de melhor filme no Festival JB/Shell.
Disponível em: https://youtu.be/M2L3iUeW0LA
Fontes:
Núcleo Piratininga de Comunicação