Pesquisa e texto: Gustavo Roberto
Naturalidade: Córregos – MG // Radicado na Paraíba por décadas.
Nascimento: 15 de março de 1919 // Falecimento: 27 de agosto de 2017, Belo Horizonte – MG
Atividade principal: Arcebispo católico, líder social e defensor dos direitos humanos
Dom José Maria Pires foi uma das mais importantes lideranças da Igreja Católica no Brasil no século XX, com atuação decisiva na Arquidiocese da Paraíba entre 1965 e 1995. Reconhecido nacionalmente por seu compromisso com a justiça social, o combate ao racismo e a defesa dos direitos humanos, ficou conhecido como “Dom Pelé”, apelido que remete tanto à sua origem negra quanto à sua projeção como figura de destaque no cenário religioso brasileiro.
Ordenado sacerdote em 1944 e nomeado bispo em 1957, tornou-se o primeiro arcebispo negro do Brasil, marco significativo em uma instituição historicamente marcada por desigualdades raciais. Em 1965, assumiu a Arquidiocese da Paraíba, em um período de intensas transformações políticas e sociais no país, coincidindo com o início da ditadura militar.
Sua atuação episcopal foi profundamente influenciada pelas diretrizes do Concílio Vaticano II e pelas discussões da Igreja latino-americana em torno da justiça social. Alinhado às perspectivas da Teologia da Libertação, Dom José Maria Pires aproximou a Igreja das populações pobres, fortalecendo as comunidades eclesiais de base e incentivando a participação popular na vida social e política.
Durante o regime militar, destacou-se por sua postura firme em defesa dos direitos humanos, denunciando violações e apoiando movimentos sociais, trabalhadores rurais e grupos marginalizados. Sua atuação conferiu à Arquidiocese da Paraíba um papel relevante no cenário nacional como espaço de resistência e articulação social.
Além da dimensão política e pastoral, Dom José Maria Pires também foi uma voz ativa no enfrentamento ao racismo estrutural, incorporando essa pauta à prática religiosa e ao discurso institucional da Igreja. Sua trajetória contribuiu para ampliar o debate sobre igualdade racial dentro do catolicismo brasileiro.
Após três décadas à frente da arquidiocese, aposentou-se em 1995, sendo sucedido por Dom Marcelo Pinto Carvalheira. Mesmo após a renúncia, permaneceu como referência moral e espiritual, participando de debates públicos e atividades pastorais até os últimos anos de vida.
Dom José Maria Pires faleceu em 2017, deixando um legado marcado pela defesa intransigente da dignidade humana, pela atuação junto às populações mais vulneráveis e pela construção de uma Igreja comprometida com as transformações sociais.
Fontes:
https://arquidiocesepb.org.br/