Pesquisa e texto: Maria Beatriz Paulino
Gênero: Curta-metragem (não ficção)
Ano de realização: 1967
Local: Campina Grande-PB
Duração: 17 minutos
Colorimetria: Preto e Branco
Produção e Direção: Machado Bitencourt
Elenco: Félix Araújo, Newton Rique, Argemiro de Figueiredo, Severino Cabral e Ronaldo Cunha Lima
O documentário Campina Grande: da Prensa de Algodão à Prensa de Gutenberg é uma das obras mais significativas de Machado Bittencourt, consolidando sua maturidade como cineasta e pesquisador da identidade paraibana. Produzido pela Cinética Filmes Ltda. e rodado em 16 mm.
Sinopse:
A obra busca investigar as raízes do progresso de Campina Grande, estabelecendo um paralelo entre o desenvolvimento econômico, simbolizado pela era do algodão, e o desenvolvimento intelectual e comunicacional, representado pelas prensas tipográficas e o surgimento do jornalismo local.
A narrativa do filme é construída com maestria, utilizando fotos antigas e música folclórica do paraibano Marcus Vinícius para reconstruir a história da “próspera comunidade”. Machado detém-se longamente na evolução do comércio e das instituições financeiras familiares, como os bancos de Rique, Cabral e Muniz.
Um dos pontos altos do documentário é o registro histórico da comunicação campinense, trazendo imagens raras da TV Borborema nos anos 70, com o apresentador Geraldo Batista, e citando jornais pioneiros como O Jornal da Paraíba e O Rebate.
Sob um tom nostálgico, o documentário aponta um antagonismo curioso: a força construtiva das rádios e TVs na formação da cidade frente ao baixo índice de leitura de jornais da época. Na visão de Bittencourt, Campina Grande é apresentada como uma “cidade em transe”, que deixa para trás as glórias do tempo da prensa de algodão para buscar um novo tempo na área cultural.
O filme encerra-se com sequências que pintam o espírito comercial e criativo do campinense, destacando o papel do camelô e a vida na Rua Maciel Pinheiro. Pelo seu rigor narrativo e importância histórica, a obra conquistou o Prêmio de Seleção Embrafilme-INC em 1975, sendo incluída em um lote de dez documentários selecionados para exibição em todo o território nacional.
A invenção da prensa tipográfica por Johannes Gutenberg
A Prensa de Gutenberg, inventada pelo alemão Johannes Gutenberg por volta de 1440, foi a primeira máquina de impressão a utilizar tipos móveis de metal na Europa. Antes dela, os livros eram escritos manualmente ou impressos por xilogravura, processos lentos que tornavam o conhecimento extremamente caro e restrito. Gutenberg desenvolveu pequenos blocos metálicos com letras e símbolos que podiam ser reorganizados para compor diferentes páginas, permitindo a produção de livros em larga escala pela primeira vez na história.
Essa inovação foi o motor de uma revolução cultural sem precedentes, democratizando o acesso à informação e impulsionando movimentos como o Renascimento e a Revolução Científica. No documentário de Machado Bittencourt, o termo é utilizado como uma metáfora para a maturidade intelectual e jornalística de Campina Grande, contrastando a “prensa de algodão” (o ciclo econômico e industrial) com a “prensa de Gutenberg” (o ciclo da comunicação e das ideias).
Fontes:
LEAL, Wills. Cinema na Paraíba/Cinema da Paraíba: segundo volume. João Pessoa: Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho/Gráfica Santa Marta, 2007.