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Data de publicação do verbete: 27/04/2026

Campina Grande, da prensa de algodão, da prensa de Gutemberg

Campina Grande, da prensa de algodão, da prensa de Gutemberg

Curta-metragem (não ficção).

Pesquisa e texto: Maria Beatriz Paulino

Gênero: Curta-metragem (não ficção)

Ano de realização: 1967

Local: Campina Grande-PB

Duração: 17 minutos

Colorimetria: Preto e Branco

Produção e Direção: Machado Bitencourt

Elenco: Félix Araújo, Newton Rique, Argemiro de Figueiredo, Severino Cabral e Ronaldo Cunha Lima

O documentário Campina Grande: da Prensa de Algodão à Prensa de Gutenberg é uma das obras mais significativas de Machado Bittencourt, consolidando sua maturidade como cineasta e pesquisador da identidade paraibana. Produzido pela Cinética Filmes Ltda. e rodado em 16 mm. 

Sinopse:

A obra busca investigar as raízes do progresso de Campina Grande, estabelecendo um paralelo entre o desenvolvimento econômico, simbolizado pela era do algodão, e o desenvolvimento intelectual e comunicacional, representado pelas prensas tipográficas e o surgimento do jornalismo local.

A narrativa do filme é construída com maestria, utilizando fotos antigas e música folclórica do paraibano Marcus Vinícius para reconstruir a história da “próspera comunidade”. Machado detém-se longamente na evolução do comércio e das instituições financeiras familiares, como os bancos de Rique, Cabral e Muniz.

Um dos pontos altos do documentário é o registro histórico da comunicação campinense, trazendo imagens raras da TV Borborema nos anos 70, com o apresentador Geraldo Batista, e citando jornais pioneiros como O Jornal da Paraíba e O Rebate.

Sob um tom nostálgico, o documentário aponta um antagonismo curioso: a força construtiva das rádios e TVs na formação da cidade frente ao baixo índice de leitura de jornais da época. Na visão de Bittencourt, Campina Grande é apresentada como uma “cidade em transe”, que deixa para trás as glórias do tempo da prensa de algodão para buscar um novo tempo na área cultural. 

O filme encerra-se com sequências que pintam o espírito comercial e criativo do campinense, destacando o papel do camelô e a vida na Rua Maciel Pinheiro. Pelo seu rigor narrativo e importância histórica, a obra conquistou o Prêmio de Seleção Embrafilme-INC em 1975, sendo incluída em um lote de dez documentários selecionados para exibição em todo o território nacional.

A invenção da prensa tipográfica por Johannes Gutenberg

A Prensa de Gutenberg, inventada pelo alemão Johannes Gutenberg por volta de 1440, foi a primeira máquina de impressão a utilizar tipos móveis de metal na Europa. Antes dela, os livros eram escritos manualmente ou impressos por xilogravura, processos lentos que tornavam o conhecimento extremamente caro e restrito. Gutenberg desenvolveu pequenos blocos metálicos com letras e símbolos que podiam ser reorganizados para compor diferentes páginas, permitindo a produção de livros em larga escala pela primeira vez na história.

Essa inovação foi o motor de uma revolução cultural sem precedentes, democratizando o acesso à informação e impulsionando movimentos como o Renascimento e a Revolução Científica. No documentário de Machado Bittencourt, o termo é utilizado como uma metáfora para a maturidade intelectual e jornalística de Campina Grande, contrastando a “prensa de algodão” (o ciclo econômico e industrial) com a “prensa de Gutenberg” (o ciclo da comunicação e das ideias).

Fontes: 

LEAL, Wills. Cinema na Paraíba/Cinema da Paraíba: segundo volume. João Pessoa: Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho/Gráfica Santa Marta, 2007.

Retalhos Históricos de Campina Grande: janeiro 2012

Como funcionava a prensa de Gutenberg? | Super 

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