Naturalidade: Campina Grande-PB // Radicada em João Pessoa – PB
Nascimento: 18 de abril de 1992
Atividade artístico-cultural: atriz (teatro e audiovisual), roteirista e diretora audiovisual
Contato: (83) 99900-8048 | atrizisraela@gmail.com
Instagram: @_israela
Maria Israela Barbosa Ramos, de nome artístico Israela, atua como atriz no teatro e no audiovisual desde 2015. Nascida em Campina Grande, em 18 de abril de 1992, criou-se em Boqueirão, no Cariri paraibano, mudando-se para João Pessoa em 2012, cidade onde reside desde então. Filha dos agricultores Alaíde Maria Ramos e Israel Vieira Barbosa, cresceu em um ambiente marcado pela oralidade, pela música e pelas expressões culturais populares. Embora não houvesse artistas profissionais na família, reconhece na convivência doméstica suas primeiras influências: a mãe e as tias cantavam na igreja e trabalhavam com costura e artesanato, enquanto o pai mantinha relação próxima com cavalgadas e cantorias. A casa, frequentada por sanfoneiros e contadores de histórias, e a proximidade com a cidade de Cabaceiras, conhecida como “Roliúde Nordestina”, ajudaram a alimentar seu imaginário artístico desde cedo.
Israela compreende sua profissão como uma prática de transformação social. Para ela, a arte ultrapassa os limites do entretenimento e assume papel educativo e político, funcionando como instrumento de reflexão sobre a realidade. Inspirada pelo pensamento de Ariano Suassuna, entende a arte como resistência e possibilidade de deslocar sensibilidades, seja pela comicidade, seja pelo drama. Em sua visão, atuar é um modo de provocar reflexão e romper formas de anestesia social, conduzindo o público a novas perspectivas sobre o mundo.
Sua chegada ao teatro foi atravessada por inquietações pessoais, acadêmicas e existenciais. Antes de consolidar sua trajetória artística, cursou Engenharia Química durante quatro anos e, posteriormente, graduou-se em Jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba em 2022. Desde 2023, é graduanda em Licenciatura em Teatro na mesma instituição. Ao refletir sobre esse percurso, afirma: “Primeiro eu fiz engenharia e depois eu fiz jornalismo, e esses caminhos me levaram ao teatro. Eu acho que sou uma pessoa curiosa, tenho muitos interesses, sempre gostei de investigar as coisas, estar em muitos lugares, e acaba que isso é o trabalho da atriz. Eu não queria ser uma coisa só. No trabalho da atriz eu me identifico nesse lugar de estar sempre pesquisando; o universo do personagem passa a ser o meu universo durante aquela preparação. Se for uma médica, eu vou investigar aquela área; se for um jornalista, eu vou investigar aquela área, fazer um laboratório”.
A atriz compreende a experiência acadêmica como parte fundamental do processo de descoberta de sua vocação. Segundo ela, “os outros caminhos acadêmicos também contribuíram no sentido de que a gente precisa achar a nossa proposta, precisa achar a nossa profissão. Não é só sobre trabalhar, é sobre trabalhar com satisfação. Fazer outras coisas de que eu não gostei tanto quanto atuar me faz valorizar atuar hoje em dia. Acho que o principal ensinamento é esse: achar o meu lugar, onde consigo ser boa porque também gosto do que faço”. Ao comentar sua experiência na Engenharia Química, acrescenta: “Eu respeito muito a profissão, minha irmã é engenheira, sei o peso e a importância social dessa área, mas eu não me identificava; não era o meu lugar. Precisei ter essa experiência para entender isso”.
A relação com o Jornalismo, entretanto, permaneceu como uma dimensão importante de sua identidade. Para Israela, comunicação e atuação caminham juntas: “No jornalismo eu me identifiquei bastante, gosto muito, mas não gosto tanto quanto atuar. Para mim, é difícil conciliar os dois e eu fiz uma escolha, que é atuar, porque é o que eu mais amo fazer. Mas acho que sou uma comunicadora na vida. Essa necessidade de falar sobre as coisas em que acredito, aprender sobre algo e compartilhar, essa ideia da informação de utilidade pública, está comigo”. Ela complementa: “Eu acho que sempre fui um pouco jornalista, desde criança, desde quando aprendia uma coisa e fazia questão de contar para quem não sabia. Hoje levo isso para o meu lado atriz também; talvez não mais na frente da câmera informando, mas nos bastidores, nos processos dos personagens e nas mensagens que vamos passar”.
Sua formação artística começou em 2015, ao ingressar no Curso do Grupo Tenda, onde encontrou em seus primeiros mestres referências decisivas, especialmente o teatrólogo paraibano Geraldo Jorge, fundador do grupo. No Curso de Teatro da Funesc, destaca o impacto de diretoras como Suzy Lopes e Nyka Barros, sobre quem afirma: “Elas foram as primeiras mulheres da arte que acompanhei de perto. Foi mágico ver a existência delas enquanto artistas, ver mulheres vivendo de arte. São artistas potentes, mas, acima de tudo, mulheres livres e empoderadas em muitos sentidos”. Também reconhece a influência de Tony Silva em sua disciplina e motivação artística. Ao longo da formação, participou de oficinas com grupos e profissionais de projeção nacional, entre eles o Lume Teatro, Coletivo Errática, Cia Manada, Instituto Stanislavski, Andréa Cavalcanti e Felipe Vidal.
Como atriz de teatro, participou dos espetáculos A Carruagem (2015), direção de Geraldo Jorge; Deu a Louca nos Contos Infantis (2015 e 2016), direção de Geraldo Jorge e Evandro Medeiros; Outros Jeitos de Usar a Boca (2017), performance baseada na obra de Rupi Kaur, sob direção de Suzy Lopes e Nyka Barros; Folia no Matagal (2018), espetáculo de protesto que articulava humor e crítica à violência contra a mulher; Queryda Neurose (2020), comédia sobre saúde mental e busca por reconhecimento; e Paixão de Cristo, Divino Redentor (2025), dirigida por Everaldo Vasconcelos.
No audiovisual, espaço em que afirma sentir-se “cada vez mais em casa”, defende que a experiência teatral amplia ferramentas interpretativas diante das câmeras. Participou dos curtas-metragens O Pesadelo de Maria (2016), direção de Erika Firmino; Memórias e Girassóis (2025), de Wilson de Carvalho; Eu Não Sei Dançar (2025), de Jônatas Pereira; Esperança (2025), de Kaline Lima; e Traços Ocultos (2026), de Ana Valéria Souza. Também integra os longas Sabor de Quê (2024), direção de Will dos Santos; Zezita, O Filme (2024), de João de Lima; Estopim (2025), de Tiago A. Neves; Ratox CH7 (2026), de Arthur Lins; além da terceira temporada da série Cena Parahyba (2025), dirigida por Polly Barros.
Entre as experiências mais marcantes de sua trajetória está a atuação em Zezita, O Filme, no qual interpretou a versão jovem da atriz Zezita Matos. Sobre a experiência, afirma: “Ela é uma inspiração tanto no teatro quanto no cinema, quanto como cidadã. Zezita sofreu perseguição durante a ditadura e foi uma das forças que sustentaram a luta pela democracia para que todos nós pudéssemos ter nossos direitos preservados”. A experiência reforçou sua percepção do artista como sujeito político e agente de resistência.
Israela integra ainda o Coletivo Atuador, grupo colaborativo de artistas voltado para pesquisa, formação e práticas ligadas ao audiovisual paraibano. A atriz descreve o coletivo como “um grupo colaborativo de artistas dedicados ao audiovisual, que pesquisa, treina e também realiza ações de ensino e propagação do cinema paraibano”. Segundo ela, o grupo promove mostras e oficinas em cidades paraibanas, nas quais participantes realizam experimentos cinematográficos exibidos em praça pública, ao lado de produções locais. “Além do coletivo ser formado por roteiristas, diretores, cineastas, atrizes, atores e preparadores, ele também tem essa responsabilidade social de propagar a cultura paraibana, mostrar o cinema produzido aqui e fazer as pessoas entenderem que o cinema também é coisa nossa, também é coisa da Paraíba”. Sobre sua participação, conclui: “Sou muito grata e feliz por fazer parte desse grupo. Cresci muito como atriz e admiro profundamente as pessoas que fazem parte dele, profissionais que têm um papel muito relevante para a cultura e para o cinema paraibano”.
Além da atuação, também trabalha como diretora e roteirista. Dirigiu os documentários Mulheres Paraibanas no Jornalismo (2022) e Bixarte (2019), trabalho que recebeu menção honrosa no Globo Lab Profissão Repórter (2019), da TV Globo. Em 2025, conquistou o segundo lugar no LabJabre, laboratório do cineasta Torquato Joel, com o roteiro do curta-metragem Reza, ampliando sua presença também nos bastidores da criação audiovisual.
Fonte:
Entrevista com Israela concedida a Gustavo Roberto em maio de 2026.