Pesquisa e texto: Maria Beatriz Paulino
Gênero: Drama
Duração: 1h39 (99 minutos)
Direção e Roteiro: Ipojuca Pontes
Elenco: Átila Iório, Érico Vidal, Ivan Cândido, Jorge Cherques, Jorge Dória, Julciléia Telles, Milton Gonçalves, Pelé, Tereza Rachel
Ano de Publicação: 1985
Sinopse
Um ‘malandro’ carioca rouba jóias de um xeque e foge com elas, e engana a quadrilha na qual faz parte. O personagem, interpretado pelo jogador Pelé, passa a ser alvo dos bandidos e da polícia nos morros do Rio de Janeiro. Ele esconde o produto do roubo em seu barraco com uma prostitura que ele livrou dos tiras e que lhe contou a história de Zumbi dos Palmares.
Produção do filme
Ao contrário de vários diretores teatrais que sempre usaram atores brancos para interpretar o famoso ‘malandro’, Ipojuca escolheu um homem negro, Édson Arantes do Nascimento, conhecido como Pelé.
“Pelé driblou não só a vida, durante o tempo todo, mas driblou o subdesenvolvimento brilhantemente. É um negro que conseguiu transceder em meio a essa miséria geral e virou um personagem mítico, tal como Pedro Mico, que é também uma discussão do tema Zumbi dos Palmares”, afirmou Ipojuca.
O filme começou a ser estruturado logo depois que o cineasta paraibano, Ipojuca Pontes, recebeu o prêmio da Embrafilme, em concurso nacional, com o roteiro adaptado da peça de Antônio Callado. As filmagens e o roteiro foram demorados porque a obra é uma apologia à arte da decupagem.
Na apresentação do filme-roteiro, a obra agregou sequências e personagens que formam o submundo do crime organizado no Rio de Janeiro, além de ser definida como uma crônica sobre a corrupção. Contudo, o filme estende a ação da polícia na adaptação cinematográfica e aprofunda o conflito entre a violência policial e a inteligência inventiva do ‘malandro’, tudo em função da luta pela liberdade das pessoas negras no Brasil.
O filme “Pedro Mico” foi exibido no Festival de Brasília e ganhou o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante, concedido à atriz Íris Nascimento. No Brasil, o filme teve cerca de 256 mil espectadores. Este é o filme mais concedido economicamente de Ipojuca, custou cerca de US 100 mil e foi vendido para o Canadá, Estados Unidos, Espanha, Portugal, Chile, México, Bulgária, Polônia, Japão e Índia.
Embora não seja um filme que retrata o estado da Paraíba, foi escrito e produzido por um artista paraibano.
Fontes:
LEAL, Wills. Cinema na Paraíba/Cinema da Paraíba: segundo volume. João Pessoa: Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho/Gráfica Santa Marta, 2007.
https://www.adorocinema.com/filmes/filme-121194/
https://letterboxd.com/film/pedro-mico/
Imagem: IMDb https://www.imdb.com/pt/title/tt0197759/