Entrevista e texto: Larissa Macedo
Naturalidade: Olinda – PE // Radicado em João Pessoa – PB
Nascimento: 22 de março de 1988
Atividade artístico-cultural: Luthier de instrumentos de cordas friccionadas
Instagram: @wilfred_amaral
Wilfred Amaral é luthier especializado em instrumentos de arco: violinos, violas e violoncelos. Atualmente reside e trabalha em João Pessoa, Paraíba, onde mantém seu ateliê.
Utilizando ferramentas deixadas pelo seu avô, começou a se aventurar em trabalhos manuais para criar pequenos projetos para brincadeiras com skate. Por acaso, acabou ajudando um amigo a consertar uma rabeca, o que o levou a criar o seu primeiro instrumento em 2008, usando madeiras reaproveitadas. Ali viu que era possível. Com o conteúdo disponível na internet ainda escasso na época, suas primeiras instruções foram tiradas de um livreto de Mané Pitunga, mestre rabequeiro e artesão pernambucano.
Depois da construção de sua terceira rabeca, decidiu embarcar nos estudos de construção de violino e procurou cursos em João Pessoa, e concluiu um curso de construção de guitarra e continuou atuando na construção de rabecas. Em 2014, iniciou um curso no Instituto Preservarte, no Espírito Santo, onde construiu seu primeiro violino. Em 2018, já residente em João Pessoa, passou a comercializar exclusivamente violinos, violas e violoncelos.
Maciel Salú (PE), Renata Rosa (SP), Jeferson Leite (CE), o professor Dr. Hermes Cuzzuol Alvarenga da Universidade Federal da Paraíba e o professor Dr. Hucker Bezerra do Quinteto da Paraíba estão entre os músicos que adquiriram instrumentos confeccionados por ele.
Seu processo de construção segue a maneira clássica stradivariana, basicamente como eram construídos estes instrumentos há 300 anos: praticamente totalmente feita de maneira manual, utilizando insumos naturais. Wilfred busca se aproximar ao máximo dos instrumentos antigos, tanto na estética quanto na forma de construção.
Entre suas principais referências na luteria estão nomes históricos, como Antonio Stradivari, Giuseppe Guarneri del Gesù, Andrea Guarneri e Giovanni Battista Guadagnini . Além dos mestres italianos, também se inspira em Gasparo da Salò e em luthiers contemporâneos como Paulo Mota, Adele Sbernini, e Andreas Hellmann.
Na área de fomento à cultura, aprovou projetos de manutenção de instrumentos em editais, entre eles, o projeto Conservando o Som.
A principal dificuldade para um luthier de arco, aponta o artesão, é relativa à aquisição de materiais, pois se trata de madeiras importadas, e à pouca difusão do instrumento de arco em si. Isso impacta tanto na disponibilidade de lojas para adquirir materiais quanto no número de escolas de luteria e na difusão do próprio instrumento no país.
Profissionalmente, seus principais desejos são: desenvolver melhor a estrutura de seu ateliê, criar uma linha de instrumentos intermediários, desenvolver um e-commerce para vender seus produtos e promover sua marca. Seu projeto mais ambicioso, porém, é criar uma escola gratuita para formar novos artesãos. Wilfred quer transmitir seu conhecimento como forma de retribuição ao que lhe foi passado de maneira gratuita e, assim, expandir a luteria no Brasil.
Fonte:
Entrevista realizada por Larissa Macedo com Wilfred Amaral em junho de 2026.