Pesquisa e texto: Maria Beatriz Paulino
Gênero: Documentário (curta-metragem)
Formato: 16 mm
Cromia: Colorido
Local: João Pessoa-PB
Duração: 28 minutos
Ano de Produção e Exibição: 1989-1994
Direção e Roteiro: Vânia Perazzo Barbosa e Gueorgui Balabanov
Direção fotográfica: Marcus Vilar
Direção de som: Guergana Manólova
Técnico de som: Durval Leal
Montagem: Nevana Nikólava
Sinopse
O Palácio do Riso acompanha o cotidiano de um circo itinerante instalado na periferia de João Pessoa, revelando a rotina de artistas e trabalhadores que fazem do espetáculo sua forma de vida.
Ao longo do filme, o público é conduzido pelos bastidores do universo circense, conhecendo palhaços, músicos, operários e crianças que convivem entre apresentações, viagens e dificuldades financeiras. Em contraste com as limitações materiais enfrentadas pelo grupo, o documentário evidencia a persistência dos sonhos, das expectativas e da dedicação de homens e mulheres que mantêm viva a tradição do circo popular.
A narrativa se desenvolve a partir da observação direta dos personagens e de suas experiências, sem recorrer a narradores ou entrevistas explicativas. As cenas dos espetáculos dialogam com momentos da vida cotidiana, permitindo que os próprios sujeitos retratados conduzam a construção da história. Essa opção estética aproxima a obra das influências do cinema documental observacional e das experiências formativas dos Ateliers Varan, na França, além das referências etnográficas associadas ao cineasta francês Jean Rouch.
Considerado um marco do documentário produzido na Paraíba durante a década de 1980, O Palácio do Riso destaca-se por registrar aspectos sociais, culturais e humanos do circo popular nordestino, preservando memórias de um modo de vida marcado tanto pela precariedade quanto pela criatividade e pela resistência.
Premiação e mudanças
A obra recebeu reconhecimento nacional ao conquistar o Prêmio Paulo Emílio Sales Gomes no 28º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em 1995, consolidando-se como uma referência na história do audiovisual paraibano.
Em 2025, o filme passou por um importante processo de preservação e restauração digital. Em colaboração com a diretora Vânia Perazzo, foi produzida uma nova cópia digital em resolução 2K a partir de uma cópia combinada em 16 mm, considerada a única existente no Brasil. Como o documentário foi realizado em coprodução com a empresa búlgara STF/Ekran, os negativos originais permanecem preservados na Bulgária.
O material utilizado na digitalização apresentava sinais avançados de deterioração, incluindo danos na emulsão da película e alterações significativas nas cores originais. Durante a pós-produção, foram realizados procedimentos de recuperação da imagem para minimizar esses problemas e garantir a melhor qualidade possível da obra. A versão restaurada foi acompanhada e aprovada pela própria diretora, contribuindo para a preservação e difusão de um dos mais importantes documentários da história do cinema paraibano.
Fontes:
https://www.metropoles.com/fbcb/28o-festival-de-brasilia-do-cinema-brasileiro-1995
https://cinemateca.org.br/filmes/o-palacio-do-riso/
https://www.instagram.com/p/DJ_2bCnNO7w/
https://www.instagram.com/p/DKCVcjVNYO2/
Imagem: Cinemateca Brasileira