Pesquisa e texto: Abraão Sena
Localização: Praça João Pessoa, Pilar-PB
A Casa de Câmara e Cadeia de Pilar, localizada na Praça João Pessoa, no município de Pilar, na Paraíba, é um dos mais importantes exemplares da arquitetura civil do período imperial preservados no estado. Construída durante o Brasil Império, a edificação integra o conjunto das antigas casas de câmara e cadeia, edificações que reuniam, em um mesmo prédio, as funções administrativa, legislativa, judiciária e prisional das vilas brasileiras. Trata-se do único monumento desse gênero existente na Paraíba e de um dos trinta e oito exemplares remanescentes no Brasil.
Sua arquitetura segue a tradição urbanística luso-brasileira, posicionando-se em uma das extremidades da principal via da cidade, enquanto a igreja matriz ocupa a outra extremidade, estabelecendo um equilíbrio entre os poderes civil e religioso característico da organização das vilas coloniais. Além de sediar as reuniões da Câmara Municipal, o edifício abrigava a cadeia pública e exercia funções relacionadas à administração local, como fiscalização de caminhos, pontes, chafarizes, comércio, segurança e aplicação da justiça.
O prédio possui relevância histórica por ter recebido, em 1859, a visita do imperador Dom Pedro II, durante sua viagem ao Nordeste, ocasião em que concedeu o tradicional “beija-mão” à sociedade local. Esse episódio reforça a importância política e administrativa que Pilar exercia na então Província da Parahyba do Norte.
Reconhecendo seu elevado valor histórico, arquitetônico e cultural, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) tombou a Casa de Câmara e Cadeia em 31 de julho de 1941, inscrevendo-a simultaneamente no Livro do Tombo Histórico (nº 178) e no Livro do Tombo das Belas Artes (nº 247-A). O monumento integra, assim, o conjunto do patrimônio cultural brasileiro protegido em âmbito federal.
Atualmente, o edifício pertence à Fundação Menino de Engenho e abriga a Biblioteca 3 de Junho, criada em homenagem ao nascimento do escritor paraibano José Lins do Rego, além de uma sala destinada a reuniões e atividades culturais no pavimento superior. Dessa forma, a antiga sede do poder municipal transformou-se em um espaço voltado à preservação da memória, da literatura e da história de Pilar e da Paraíba.
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