Naturalidade: Capitania da Paraíba (atual estado da Paraíba)
Nascimento: 1595 // Falecimento: 1656
Ocupação: intérprete, chefe militar
Antônio Paraupaba nasceu no ano de 1595 na capitania da Paraíba, durante o Brasil Colônia, em uma família indígena de origem potiguara, filho de Gaspar Paraupaba e de sua esposa. Em 1625, potiguara foi junto com seu pai e outros indígenas para as Províncias Unidas, (atual Holanda) onde aprendeu a língua holandesa e adotou a religião reformada (Protestante). Pouco se sabe sobre a vida pessoal de Antônio Paraupaba, muitos dos documentos que o cita são folhetos oficiais enviados ao Alto Conselho Holandês. Em 1631, voltou ao Brasil, onde atuou como intérprete entre os holandeses e os indígenas. Chegou a ser capitão da aldeia de Aabaú em 1639.
Com a saída definitiva de João Maurício de Nassau do Brasil Holandês em 1644, Paraupaba voltou a Holanda fazendo parte da comitiva deste. Em novembro do mesmo ano, Paraupaba saiu de volta para o Brasil. Ainda em 1645, Paraupaba tornou-se capitão e regedor dos indígenas do Rio Grande, onde exigiu a libertação de escravizados através de ofício e atuou, ainda, em missões que impediam o avanço do poder português. Antônio Paraupaba lutou ao lado de Pedro Poty e foi citado em algumas cartas escritas por Antônio Felipe Camarão na tentativa de convencê-los a abandonar os aliados holandeses. Se manteve no cargo de Capitão e Regedor do Rio Grande até o ano de 1649.
Em um dos mais conhecidos combates, a segunda batalha de Guararapes, Poty foi capturado pelos portugueses sendo nomeado um novo sucessor para atuar como regedor da Paraíba. Esse sucessor foi condenado à morte, deixando a linha de remanescência para Paraupaba, que mais tarde se tornou uma liderança importante entre os indígenas aliados aos holandeses. Com a derrota para os portugueses, sobrou para esses indígenas o exílio na Serra de Ibiapaba, onde permaneceram sob a liderança de Antônio Paraupaba até o fim do período chamado “Brasil Holandês” marcado pelas batalhas luso-holandesas, Antônio Paraupaba foi um dos articuladores da revolta indígena em Cunhaú e Uruaçu na capitania do Rio Grande do Norte.
Em 1648 fez parte da missão do Ceará e Ibiapaba, com o Tratado de Taborda os holandeses deixaram o Brasil e com estes seguiram Antônio Paraupaba, sua esposa Paulina e dois filhos, embarcando na esquadra de Hendrikson no começo de fevereiro de 1654 para o Holanda. No diário de um funcionário da Companhia das Índias Ocidentais foi registrada a partida de Antônio Paraupaba, seu pai, Gaspar, decidiu permanecer no Brasil em seus últimos dias, o que também foi registrado no relato do funcionário que justificou a permanência: “ele quis terminar a vida dele na selva entre a nação dele, em lugar de velejar para a Holanda”.
Já nas terras holandesas, Paraupaba atuou no Parlamento Holandês, com o intuito de que os holandeses retornassem ao Brasil. Um plano político que tinha uma conexão com a nação potiguara refugiada na Chapada da Ibiapaba, Ceará e esperava a retorna holandesa contra os portugueses. Em 1656, Antônio Paraupaba faleceu nas terras holandesas sem conseguir apoio para o seu último projeto político: restabelecer a aliança Holandesa–potiguara e assim salvar a nação Potiguara, dos planos portugueses. Contudo, existem poucas informações que retratem Antônio Paraupaba em imagem ou detalham seus feitos durante o período do “Brasil-Holândes”, diferente das informações precisas sobre Antônio Felipe Camarão que atuava do lado lusitano e tinha uma imagem de prestígio como vencedor das batalhas luso-holandesas.
Jonas do Nascimento dos Santos
Fontes:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B4nio_Paraupaba
https://cartasindigenasaobrasil.com.br/biografia/antonio-paraupaba/