Pesquisa e texto: Gustavo Roberto
A xilogravura na Paraíba é uma das expressões mais representativas da arte popular nordestina, especialmente vinculada à literatura de cordel. Utilizada para ilustrar capas de folhetos, cartazes e outras publicações, ela une o texto poético à força da imagem impressa, criando um universo estético singular que atravessa gerações.
A técnica da xilogravura surgiu na China, por volta do século VI, como forma de imprimir imagens em papel e tecidos. Na Europa, ganhou impulso a partir do século XV, associada à reprodução de livros e à difusão religiosa, sendo incorporada por tipografias populares. No Brasil, a xilogravura chegou com os colonizadores portugueses, mas foi no Nordeste, entre os séculos XIX e XX, que ela adquiriu um caráter próprio, fortemente ligado ao universo sertanejo e à circulação da poesia popular.
Na Paraíba, a xilogravura se consolidou principalmente nas cidades de Campina Grande e João Pessoa, centros de tipografias populares. Os gravadores passaram a trabalhar lado a lado com poetas e editores de cordel, criando capas que iam além da ilustração, tornando-se narrativas visuais complementares. Figuras como José Costa Leite (de Sapé), ainda que atuante também em outros estados, marcaram essa tradição ao explorar temáticas como o cangaço, o sagrado, a política e o cotidiano nordestino.
As xilogravuras paraibanas são reconhecidas pelo forte contraste entre preto e branco, pelo traço direto e pela função narrativa. Entre os temas recorrentes estão cangaceiros, vaqueiros, santos, festas religiosas, lendas e cenas da vida rural. Com o tempo, a produção extrapolou o cordel e passou a ocupar galerias, museus e feiras de arte, ressignificando a xilogravura como obra autônoma de grande valor artístico e histórico.
Hoje, a xilogravura é considerada um patrimônio artístico e cultural da Paraíba, integrando tanto a memória da literatura popular quanto a produção contemporânea. Projetos culturais, oficinas de formação e iniciativas de extensão universitária têm fortalecido sua presença, garantindo a transmissão dessa tradição para novas gerações e reafirmando seu papel como símbolo da identidade nordestina.
Fontes: