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Data de publicação do verbete: 03/10/2025

Xilogravura na Paraíba

Xilogravura na Paraíba

A xilogravura é considerada um patrimônio artístico e cultural da Paraíba.

Pesquisa e texto: Gustavo Roberto

A xilogravura na Paraíba é uma das expressões mais representativas da arte popular nordestina, especialmente vinculada à literatura de cordel. Utilizada para ilustrar capas de folhetos, cartazes e outras publicações, ela une o texto poético à força da imagem impressa, criando um universo estético singular que atravessa gerações.

A técnica da xilogravura surgiu na China, por volta do século VI, como forma de imprimir imagens em papel e tecidos. Na Europa, ganhou impulso a partir do século XV, associada à reprodução de livros e à difusão religiosa, sendo incorporada por tipografias populares. No Brasil, a xilogravura chegou com os colonizadores portugueses, mas foi no Nordeste, entre os séculos XIX e XX, que ela adquiriu um caráter próprio, fortemente ligado ao universo sertanejo e à circulação da poesia popular.

Na Paraíba, a xilogravura se consolidou principalmente nas cidades de Campina Grande e João Pessoa, centros de tipografias populares. Os gravadores passaram a trabalhar lado a lado com poetas e editores de cordel, criando capas que iam além da ilustração, tornando-se narrativas visuais complementares. Figuras como José Costa Leite (de Sapé), ainda que atuante também em outros estados, marcaram essa tradição ao explorar temáticas como o cangaço, o sagrado, a política e o cotidiano nordestino.

As xilogravuras paraibanas são reconhecidas pelo forte contraste entre preto e branco, pelo traço direto e pela função narrativa. Entre os temas recorrentes estão cangaceiros, vaqueiros, santos, festas religiosas, lendas e cenas da vida rural. Com o tempo, a produção extrapolou o cordel e passou a ocupar galerias, museus e feiras de arte, ressignificando a xilogravura como obra autônoma de grande valor artístico e histórico.

Hoje, a xilogravura é considerada um patrimônio artístico e cultural da Paraíba, integrando tanto a memória da literatura popular quanto a produção contemporânea. Projetos culturais, oficinas de formação e iniciativas de extensão universitária têm fortalecido sua presença, garantindo a transmissão dessa tradição para novas gerações e reafirmando seu papel como símbolo da identidade nordestina.

Fontes: 

https://www.termometrodapolitica.com.br/cultura/noticia/2023/06/13/as-nuances-da-xilogravura-moderna-no-trabalho-de-artistas-de-joao-pessoa-na-paraiba/

https://paraiba.pb.gov.br/noticias/funesc-recebe-exposicao-de-xilogravura-sobre-o-imaginario-do-homem-nordestino

https://mcc.ufrn.br/acervo/etnologia/jose-costa-leite/vida

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