Pesquisa e texto: Jonas do Nascimento dos Santos
Gênero: Ficção híbrida / Experimental / Drama
Formato: Longa-metragem
País de origem: Brasil
Ano de produção: 2023
Duração: Aproximadamente 83 minutos
Direção: Tiago A. Neves
Roteiro: Tiago A. Neves
Produção: Nivaldo Rodrigues, Tiago A. Neves e Sarah Cristinne
Realização / Produtoras: Toco Filmes e Ágora Produções
Direção de Fotografia: Erik Clementino
Montagem / Edição: Tiago A. Neves
Direção de Arte: Erick Marinho
Figurino: Erick Marinho
Som Direto: Gabriel Duarte
Edição de Som / Mixagem: Gabriel Duarte
Trilha Sonora Original: Enrique Castor
Elenco Principal: Edna Maria, Sandro Mandú, Hérica Antas Diniz, Erick Marinho, Rinaldo José, Fernando Teixeira
Locação: Princesa Isabel-PB
Seleções e Reconhecimentos: Selecionado para a Mostra Aurora da 26ª Mostra de Cinema de Tiradentes; Destaque Feminino – Prêmio Helena Ignez (atriz Edna Maria); Exibições em mostras e projetos de difusão de cinema brasileiro contemporâneo
Sinopse
Cervejas no Escuro é um longa-metragem que se constrói a partir da fricção entre ficção e realidade, propondo um cinema de processo em que a própria realização do filme se torna parte essencial da narrativa. A obra acompanha Edna, uma mulher idosa que enfrenta o luto após a morte do marido e decide deixar a zona rural para viver com a filha na cidade de Princesa Isabel, no sertão da Paraíba. Carregando memórias, afetos e silêncios, Edna se vê diante da necessidade de reorganizar sua existência em um espaço urbano que lhe é, ao mesmo tempo, familiar e estranho.
Nesse contexto de deslocamento emocional e físico, Edna encontra no cinema uma possibilidade de expressão e sobrevivência simbólica. Impulsionada por uma necessidade íntima de falar sobre sua dor, sua história e a história de sua terra, ela decide realizar um filme. O gesto de criar passa a funcionar como um ritual de elaboração do luto, transformando o cotidiano em matéria cinematográfica. Conversas em bares, encontros com amigos, conflitos familiares, lembranças fragmentadas e ensaios improvisados se entrelaçam, borrando as fronteiras entre personagens e pessoas reais. À medida que o projeto avança, o filme dentro do filme se revela um empreendimento coletivo, envolvendo moradores da cidade e ativando memórias históricas locais, como episódios marcantes da Revolta de Princesa. O passado emerge não como reconstrução didática, mas como presença viva, atravessada por afetos, falas espontâneas e performances que mesclam encenação e vivência. O espaço do bar — onde se bebem cervejas no escuro — torna-se símbolo de comunhão, escuta e partilha, um lugar onde histórias individuais se transformam em narrativa coletiva. Com uma abordagem sensorial e reflexiva, Cervejas no Escuro questiona o próprio ato de filmar: quem filma, quem é filmado e por que se filma. O longa propõe um cinema que nasce da convivência, da escuta e da fragilidade humana, valorizando o tempo, o silêncio e a imperfeição como elementos estéticos e políticos. Ao final, a obra se afirma como um retrato íntimo e coletivo do sertão contemporâneo, onde o cinema surge não como produto acabado, mas como experiência viva de resistência, memória e criação compartilhada.
Fontes:
https://vertentesdocinema.com/cervejas-no-escuro/
https://letterboxd.com/criticos/film/cervejas-no-escuro/
https://www.imdb.com/pt/title/tt26308757/