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Data de publicação do verbete: 03/01/2026

Cervejas no Escuro

Cervejas no Escuro

Longa-metragem.

Pesquisa e texto: Jonas do Nascimento dos Santos

Gênero: Ficção híbrida / Experimental / Drama

Formato: Longa-metragem

País de origem: Brasil

Ano de produção: 2023

Duração: Aproximadamente 83 minutos

Direção: Tiago A. Neves

Roteiro: Tiago A. Neves

Produção: Nivaldo Rodrigues, Tiago A. Neves e Sarah Cristinne

Realização / Produtoras: Toco Filmes e Ágora Produções

Direção de Fotografia: Erik Clementino

Montagem / Edição: Tiago A. Neves

Direção de Arte: Erick Marinho

Figurino: Erick Marinho

Som Direto: Gabriel Duarte

Edição de Som / Mixagem: Gabriel Duarte

Trilha Sonora Original: Enrique Castor

Elenco Principal: Edna Maria, Sandro Mandú, Hérica Antas Diniz, Erick Marinho, Rinaldo José, Fernando Teixeira

Locação: Princesa Isabel-PB 

Seleções e Reconhecimentos: Selecionado para a Mostra Aurora da 26ª Mostra de Cinema de Tiradentes; Destaque Feminino – Prêmio Helena Ignez (atriz Edna Maria); Exibições em mostras e projetos de difusão de cinema brasileiro contemporâneo

Sinopse

Cervejas no Escuro é um longa-metragem que se constrói a partir da fricção entre ficção e realidade, propondo um cinema de processo em que a própria realização do filme se torna parte essencial da narrativa. A obra acompanha Edna, uma mulher idosa que enfrenta o luto após a morte do marido e decide deixar a zona rural para viver com a filha na cidade de Princesa Isabel, no sertão da Paraíba. Carregando memórias, afetos e silêncios, Edna se vê diante da necessidade de reorganizar sua existência em um espaço urbano que lhe é, ao mesmo tempo, familiar e estranho.

Nesse contexto de deslocamento emocional e físico, Edna encontra no cinema uma possibilidade de expressão e sobrevivência simbólica. Impulsionada por uma necessidade íntima de falar sobre sua dor, sua história e a história de sua terra, ela decide realizar um filme. O gesto de criar passa a funcionar como um ritual de elaboração do luto, transformando o cotidiano em matéria cinematográfica. Conversas em bares, encontros com amigos, conflitos familiares, lembranças fragmentadas e ensaios improvisados se entrelaçam, borrando as fronteiras entre personagens e pessoas reais. À medida que o projeto avança, o filme dentro do filme se revela um empreendimento coletivo, envolvendo moradores da cidade e ativando memórias históricas locais, como episódios marcantes da Revolta de Princesa. O passado emerge não como reconstrução didática, mas como presença viva, atravessada por afetos, falas espontâneas e performances que mesclam encenação e vivência. O espaço do bar — onde se bebem cervejas no escuro — torna-se símbolo de comunhão, escuta e partilha, um lugar onde histórias individuais se transformam em narrativa coletiva. Com uma abordagem sensorial e reflexiva, Cervejas no Escuro questiona o próprio ato de filmar: quem filma, quem é filmado e por que se filma. O longa propõe um cinema que nasce da convivência, da escuta e da fragilidade humana, valorizando o tempo, o silêncio e a imperfeição como elementos estéticos e políticos. Ao final, a obra se afirma como um retrato íntimo e coletivo do sertão contemporâneo, onde o cinema surge não como produto acabado, mas como experiência viva de resistência, memória e criação compartilhada.

Fontes:

https://vertentesdocinema.com/cervejas-no-escuro/

https://letterboxd.com/criticos/film/cervejas-no-escuro/

https://www.imdb.com/pt/title/tt26308757/

https://parlamentopb.com.br/cervejas-no-escuro-e-o-filme-da-sexta-edicao-do-projeto-cinema-no-cenario/

 

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