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Data de publicação do verbete: 06/04/2026

Memórias de um Cão

Memórias de um Cão

Espetáculo teatral.

Pesquisa e texto: Maria Beatriz Paulino

Gênero: Espetáculo teatral

Duração: 1h20min

Ano de produção: 2015

Elenco: Adriano Cabral, Lara Torrezan, Paula Coelho, Ricardo Canella, Verônica Sousa, Vítor Blam, Zezita Matos

Músicos: Mayra Ferreira, Nuriey Castro

Direção Geral e Dramaturgia: Márcio Marciano

Direção de Arte e Figurino: Patrícia Brandstatter

Produção Executiva: Gabriela Arruda

Sinopse:

Memórias de um Cão parte da obra do Machado de Assis, especialmente do romance Quincas Borba, para construir uma leitura crítica das relações sociais, políticas e subjetivas no Brasil. A montagem propõe uma abordagem que evidencia mecanismos de dissimulação, engodo e autoengano presentes na formação histórica do país.

A narrativa acompanha a trajetória de Rubião, um mestre-escola do interior que, às vésperas da abolição da escravatura, muda-se para a Corte após herdar os bens de seu benfeitor, Quincas Borba, um escravocrata que se autodenomina filósofo e dedica sua vida a formulações excêntricas sobre a natureza humana. Como condição para usufruir da herança, Rubião deve cuidar do cão que leva o mesmo nome do antigo proprietário, elemento que simboliza, na prática, os princípios do chamado “Humanitismo”, doutrina fictícia cuja máxima é: “ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas”.

Inserido repentinamente na lógica do capital, Rubião passa a circular pelos espaços da elite carioca em um período de intensa modernização, buscando reconhecimento social em meio a relações marcadas por favores, aparências e hierarquias de classe. Ao mesmo tempo, o personagem mergulha em um processo de alienação que o leva a confundir fantasia e realidade, chegando a acreditar ser Napoleão III, metáfora das aspirações da elite brasileira de se projetar como moderna, mesmo sustentada por estruturas arcaicas, como a escravidão e a exploração do trabalho.

A encenação constrói uma alegoria tragicômica sobre a formação social brasileira, destacando a contradição de uma sociedade que busca se espelhar em ideais de progresso e civilização sem romper com práticas excludentes e violentas. A partir da ironia presente na obra de Machado de Assis, o espetáculo expõe a permanência histórica dessas tensões, evidenciando como a elite econômica e cultural tenta se eximir de sua responsabilidade nos processos de desigualdade e violência estrutural.

Ao articular passado e presente, Memórias de um Cão propõe uma reflexão sobre a continuidade dessas dinâmicas na contemporaneidade, sugerindo que os mecanismos de poder, exploração e autojustificação não pertencem apenas ao século XIX, mas seguem operando nas relações sociais atuais.

Em 2017, o espetáculo foi selecionado pelo programa de circulação da BR Distribuidora.

Fontes: 

https://coletivoalfenim.com.br/espetaculos/memorias-de-um-cao/

https://www2.recife.pe.gov.br/noticias/10/11/2016/18o-festival-recife-do-teatro-nacional-movimenta-cidade 

https://www.satisfeitayolanda.com.br/blog/tag/coletivo-de-teatro-alfenim/ 

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