Por Sérgio Botelho
As últimas notícias que se tem desse belo prédio, o da Academia de Comércio Epitácio Pessoa, de presença tão marcante no cenário urbano de João Pessoa, datam de dezembro de 2023, quando o seu telhado ruiu. Antes, em maio, o Superior Tribunal de Justiça havia dado ganho de causa à Universidade Federal da Paraíba, em detrimento de uma sociedade civil justamente intitulada Academia de Comércio Epitácio Pessoa.
Após a queda do telhado, houve reunião entre representantes da UFPB, da prefeitura pessoense, do governo estadual e da Federação das Indústrias da Paraíba, visando um esforço conjunto em favor da recuperação do prédio da Academia. As providências devem estar em processo, mas o fato é que o assunto desapareceu do noticiário, principalmente sobre a evolução do quadro de arruinamento do imóvel.
A Academia de Comércio Epitácio Pessoa foi inaugurada em 1922, ano do centenário da Independência do Brasil, constando que houve uma reforma em 1940. A escolha do nome Epitácio Pessoa homenageou o conterrâneo que naquele período exercia a Presidência da República.
Coincidiu que a economia paraibana experimentava, então, um notável crescimento, pelo incremento da produção e da exportação do algodão, o que incentivou injeções de recursos na formação de profissionais qualificados para o setor comercial.
No contexto desse avanço econômico da década de 1920, a cidade da Parahyba atraiu vários arquitetos estrangeiros, como foi o caso do italiano Hermenegildo di Láscio que, entre outras obras, assinou a da Academia. Láscio marcou época juntamente com engenheiros que contribuíram para a abertura de importantes vias, afora obras de abastecimento d’água e saneamento básico.
Inicialmente destinada à Escola Técnica de Comércio Epitácio Pessoa, por orientação da Associação dos Empregados no Comércio da Paraíba, o prédio da Academia já foi também usado, algum tempo mais tarde, como Faculdade de Economia da Universidade Federal da Paraíba.
A Academia de Comércio Epitácio Pessoa se insere como um dos marcos daquele período de efervescência econômica da cidade, materializado em ruas, prédios e monumentos.
De acordo com os especialistas, o prédio revela “estilo eclético, trazendo aspectos de Arte Nouveau no pavimento superior, e com esquadrias em arco-pleno conjugadas também em Arte Nouveau”, com uma “imponente cúpula com ares renascentistas”, tendo sido tombado pelo IPHAEP em 02 de dezembro de 1998, sob decreto de lei nº. 20.138.