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Data de publicação do verbete: 18/10/2025

Bague do Sax

Bague do Sax

Saxofonista.

Pesquisa e texto: Jonas do Nascimento dos Santos

Naturalidade: Monteiro-PB

Atividade artístico-cultural: Saxofonista 

Participação em Bandas: Filarmônica Sebastião de Oliveira Brito, Os Originais, Tropicais, Sayonara, Super Oara, Veredas Tropical, Percurso Musical e Banda Magníficos

Repertório Musical: Forró, Frevo e MPB

Instagram: @baguejose1

YouTube: José Dagmar

Bague do Sax, nome artístico de José Dagmar Norberto, é um dos músicos mais respeitados e queridos do município de Monteiro, sertão da Paraíba. Reconhecido pelo talento singular com o saxofone, tornou-se uma figura simbólica da música instrumental regional, contribuindo com sua arte para a preservação e difusão de tradições musicais que atravessam gerações. Ao longo de mais de quatro décadas de dedicação à música, construiu uma trajetória marcada por sensibilidade, disciplina e um profundo vínculo com sua terra. Nascido e criado em Monteiro, José Dagmar cresceu imerso em um ambiente cultural vibrante. As ruas da cidade eram animadas pelas bandas de coreto, pelas orquestras de frevo e pelas serestas que atravessavam as noites sertanejas. Ainda menino, sentiu-se atraído pelo som dos instrumentos de sopro, especialmente pelo saxofone — que mais tarde se tornaria sua identidade artística. Com persistência e paixão, aprendeu a dominar o instrumento de forma autodidata, ouvindo, observando e praticando diariamente, como muitos mestres populares do interior nordestino.

O apelido “Bague do Sax” nasceu de forma espontânea no convívio comunitário. A combinação do carisma pessoal de José Dagmar com a presença marcante de seu saxofone criou uma identidade artística forte e reconhecida em toda a região. Ao longo dos anos, ele se tornou presença indispensável nos principais eventos festivos da cidade: festas juninas, serestas, procissões, encontros religiosos e comemorações populares. Sua trajetória musical reflete a história viva de Monteiro e do Cariri Paraibano. Ao integrar formações musicais locais, contribuiu para a animação de eventos cívicos, festas tradicionais e festivais culturais. Seu estilo inconfundível — marcado por um timbre quente, melódico e expressivo — fez com que seu nome fosse associado a momentos de alegria e emoção coletiva. A música de Bague tem a capacidade de unir gerações e de criar pontes entre o passado e o presente. Com o passar dos anos, sua atuação ultrapassou os limites da cidade. Participou de apresentações em municípios vizinhos, representando Monteiro em eventos culturais regionais. Nessas ocasiões, sua música se destacou pela autenticidade e pela força emocional, atraindo atenção e respeito de músicos e ouvintes de diferentes idades.

Sua formação musical, embora não acadêmica, é resultado de uma vida inteira dedicada ao ofício. Aprendeu ouvindo mestres mais velhos, ensaiando com bandas locais e vivenciando a prática musical em contextos comunitários. Essa formação prática e intensa lhe deu uma habilidade especial para o improviso — característica que encanta o público em cada apresentação. Bague transita com naturalidade entre diferentes estilos musicais, como forró instrumental, frevo, chorinho, seresta e música popular brasileira. Essa versatilidade tornou-o um músico requisitado para acompanhar artistas e grupos locais, contribuindo com gravações e apresentações ao vivo. Cada nota tocada por ele carrega não apenas técnica, mas emoção, história e pertencimento cultural. Mais do que um instrumentista, Bague é um guardião de tradições. Seu repertório carrega canções clássicas que fazem parte da memória afetiva da comunidade monteirense. Ao tocar, ele não apenas executa músicas — ele reconta histórias, evoca lembranças e reforça laços entre as pessoas. Sua música tem um poder silencioso, capaz de transformar encontros simples em momentos inesquecíveis.

Participou de inúmeros eventos culturais ao longo de sua carreira: festas juninas, festivais de música, procissões religiosas e comemorações cívicas. Em Monteiro, sua presença é quase obrigatória nos momentos festivos da cidade. Muitos moradores associam sua música ao sentimento de pertencimento, dizendo que “festa sem Bague do Sax não tem o mesmo brilho”. O reconhecimento que conquistou não veio por campanhas publicitárias ou projeções midiáticas, mas pela força do seu talento e pela sua entrega genuína à música. Bague é tratado por muitos como patrimônio afetivo e artístico da cidade, símbolo de uma tradição que continua viva e pulsante. Além de tocar, ele também compartilha seu conhecimento com músicos mais jovens. Ao longo dos anos, tornou-se referência para novos saxofonistas e instrumentistas de sopro, transmitindo técnicas, repertórios e conselhos com generosidade. Sua postura humilde e comprometida inspira respeito e admiração de quem tem a oportunidade de aprender com ele.

Hoje, mesmo com uma longa trajetória construída, Bague permanece ativo. Seu saxofone continua ecoando nas noites de Monteiro, em festas públicas e eventos tradicionais, levando emoção, alegria e beleza para todos os que o ouvem. Sua presença representa mais do que uma apresentação musical: é um encontro com a história viva da cidade. A história de Bague do Sax é um testemunho da força da cultura popular. Em um mundo onde muitas tradições se perdem, sua dedicação preserva e valoriza o que há de mais autêntico no interior nordestino. Cada apresentação sua é um ato de resistência cultural e um tributo à identidade sertaneja. Mais do que um músico, Bague é parte da alma cultural de Monteiro. Seu legado é transmitido não apenas pelo som do saxofone, mas pelo exemplo de um artista que fez da música sua vida e que ajudou a construir, com cada nota, a memória coletiva de uma comunidade.

Fontes:

https://mapacultural.pb.gov.br/agente/3808/#info

https://paraibadagente.com.br/2024/07/03/jose-dagmar-bague-comemora-67-anos-com-homenagens-em-monteiro/

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