Pesquisa e texto: Gustavo Roberto
Naturalidade: São José da Lagoa Tapada– PB
Nascimento: 15 de outubro de 1989
Atividades artístico- culturais: Poeta, cordelista e cineasta
Instagram: @brunonogueira958
O poeta e cordelista Bruno Nogueira, natural de São José da Lagoa Tapada, no Sertão da Paraíba, é uma das vozes contemporâneas que mais se destacam na preservação e renovação da literatura de cordel nordestina. Atuando também no cinema e nas artes visuais, Bruno constrói sua trajetória a partir do diálogo entre o sertão, a poesia e o imaginário popular, registrando em versos o cotidiano, as lendas e a força do povo sertanejo.
Seu primeiro contato com o universo do cordel aconteceu ainda na juventude, durante uma debulha de feijão em sua cidade natal. “Lembro que fui convidado por um amigo, Antônio Paulino, para participar do evento. Ele comprou um livro de cordel sobre o vaqueiro corajoso que brigou com o demônio, de José Pinto da Costa, e me pediu para fazer a leitura. A partir dali me apaixonei pelo universo poético das histórias contadas em versos”, recorda o poeta.
Pouco tempo depois, Bruno conheceu o poeta popular Cícero Laurindo, figura importante em sua formação artística. “Ele cantava os versos de cordel sobre as histórias da minha cidade. Aquilo me encantou, porque percebi o poder da literatura em narrar o que vivemos. A literatura fez parte da minha história desse jeito, cantando o cotidiano e as memórias do povo”, conta.
Entre os temas mais recorrentes em sua obra estão o cotidiano popular, as tradições sertanejas e o resgate da memória local. “Escrevo sobre o dia a dia da minha cidade, campanhas políticas, o tesouro do Rio Trapiá, o sertão e, mais recentemente, sobre a riqueza da Serra Santa Catarina, um parque estadual de belezas únicas aqui no sertão. Esse trabalho é um apelo social pela preservação da natureza”, afirma Bruno.
Para ele, o cordel permanece vivo e essencial na cultura nordestina. “O cordel ainda tem um papel fundamental na vida das pessoas. Assim como a cantoria faz parte da vida dos sertanejos, muitas famílias guardam seus livretos e repassam as histórias para as novas gerações, preservando a memória e a poesia”, destaca.
Bruno Nogueira também reflete sobre o papel da cultura popular na formação da identidade nacional. “Dentro da minha visão antropológica e social, vejo o sertanejo como um forte, que sobrevive às secas com fé, trabalho e poesia, narrando suas histórias para o Brasil e preservando a memória do sertão. Isso é a verdadeira identidade brasileira.”
O escritor também se preocupa com a inclusão. Ele é autor dos livros em Braille Buscando as Letras (2017) e O Tempo Descreve e a Poesia Refaz (2020), ambos escritos em colaboração com sua esposa pedagoga, voltados à acessibilidade para pessoas com deficiência visual.
Além da literatura, Bruno Nogueira também se destaca no cinema independente paraibano. Ele é roteirista e diretor do curta-metragem Noite Feliz, obra que combina poesia e sensibilidade social ao retratar a vida no sertão a partir de uma perspectiva humana e afetiva. O filme dialoga com sua escrita poética, evidenciando o olhar de Bruno sobre as relações, as crenças e as realidades do povo sertanejo, reafirmando sua vocação para transformar o cotidiano em arte e memória.
Bruno Nogueira teve início no audiovisual em 2021, participando da oficina Viação Paraíba, idealizada por Torquato Joel. No ano seguinte, ele dirigiu o curta-metragem Milagres durante a oficina Fazendo Filmes Curtíssimos em Nazarezinho. Em 2023, lançou o documentário Labuta, em que assina roteiro e direção, obra que circulou em festivais e conquistou o prêmio de Melhor Filme na Mostra Nordeste, em Pernambuco. Já em 2023, lançou seu primeiro filme autoral, o documentário Labuta, assinando o roteiro e direção. O filme conseguiu obter reconhecimento nacional, circulando por diversos festivais e conquistando o prêmio de Melhor Filme na Mostra Nordeste, em Pernambuco.
Em 2024, Bruno Nogueira expandiu sua atuação no audiovisual, colaborando como produtor e técnico de som no filme Tempo de Vaqueiro e integrando a equipe dos longas Trapiá, de Bertrand Lira, e Moagem, de Ramon Batista, ambos ainda em fase de finalização. Também exerceu a função de assistente de direção no documentário Versos Sem Fronteiras, dirigido por Sérgio Silveira, e participou do longa Anjo Pagão, de Diego Benevides.
Na área musical, Bruno dirigiu os videoclipes Reggae do Alvorecer, da banda Hamurabii, e Vamos Todos Preservar, canção de sua autoria em parceria com sua esposa, Maria Sá, que reforça seu engajamento com a temática ambiental e a valorização da cultura popular sertaneja.
Além da atuação artístico-cultural, Bruno se destaca como ativista ambiental. Também desenvolve cordéis que exaltam a biodiversidade da Serra Santa Catarina, área de mata nativa no Sertão paraibano, e ações de educação ecológica, como o plantio de árvores, reforçando seu compromisso com a causa.
Destacamos um poema intitulado “Serra Santa Catarina – Nosso Santuário Sagrado” de autoria do mesmo, celebrando as belezas naturais de nosso estado.
Serra Santa Catarina
nosso santuário sagrado
Me deixe falar da natureza,
Que sua biodiversidade nos ensina.
Como é linda sua beleza,
Em suas fontes Cristalinas.
Deixe me falar desse tesouro,
Da Serra Santa Catarina.
São trinta e duas nascentes,
Com belezas naturais.
Uma delas é a fonte,
Dos mistérios celestiais.
É a guardiã dos tesouros,
Dos recursos minerais.
Nossa fauna e flora,
É linda por quem a viu.
Temos espécie de animais e plantas,
Que a ciência ainda não descobriu.
Existe uma ponte de pedra,
E a cachoeira mais bonita do Brasil.
Existe o olho d’água do Frade,
Um tesouro encantado.
Uma escrita de milênios,
Que revela o passado.
Fazendo a linha do tempo,
Dos nossos antepassados.
Existem cavernas é furnas,
Mistérios e morcegos.
O urubu rei sabe
Onde se completa este enredo,
E os animais da floresta,
São os guardiões desse segredo.
Espere, não tenha medo,
A onça logo sai.
Caçando a sua presa,
Em busca dos animais.
Anda fugindo do homem,
Dos incêndios florestais.
Na trilha um fotógrafo,
Um poeta encorajado.
Um vale de arvoredos,
Que está ficando descampado.
Colocando em risco a segurança,
Dos macacos pregos e dos veados.
Colocando em risco a sobrevivência,
Do jacu é do mocó.
Já se percebe a ausência,
Da garça e do socó.
Desapareceu o sabiá,
Não se ouve o curió.
Ainda existe a rolinha,
Cantando nosso fogo pagou.
O galo-de-campina,
Que canta com esplendor.
Se criando o parque,
Desaparece motor Serra e caçador.
Agora vamos cuidar da Serra,
Da nossa vegetação.
Abrir novas trilhas,
No nosso amado sertão.
Em defesa da Serra,
É de sua preservação.
Vamos cuidar da Serra,
Do jacu e do mocó.
Garantir a sobrevivência,
Das tribos Tapuia, Coremas é Piancó.
Ela é a mãe das águas
Do sertão à Mossoró.
Vamos cuidar da natureza,
Das cachoeiras sagradas.
Preservando suas belezas,
O canto da passarada.
Evitando que as matas,
Seja pelo o homem derrubada.
Vamos evitar que o homem,
Cause destruição.
Para que não destrua a Serra,
Por causa da mineração.
É não apague a memória,
Das caatingas do sertão.
Proteja aquela Serra,
Suas nascentes
Aquele lugar.
O caminho das águas,
Do Tapuia ao Aguiar.
É nessa luta
Vamos todos preservar.
Vamos todos preservando,
Nosso pé de catingueira.
Nossa Jurema branca,
E nossa Jurema preta.
As nascentes que se encontram
Na bela Carrapateira.
Vamos protegendo nossas matas,
É também os seus ninhos.
As cachoeiras que descem,
Que já sabe seu caminho.
Revelando as belezas,
Da nossa amada Nazarezinho
Conservando nossas histórias,
Por montanhas é chapadas.
Preservando a memória,
Que foi por muitos preservadas.
São José é onde se encontra,
A caverna encantada
Nossa caverna encantada,
Nosso céu azul anil.
Nossas matas preservadas,
Linda se descobriu.
O periquito das matas,
Tem as cores do Brasil.
Tem as cores do Brasil,
É nossas belezas.
Proteja nosso bioma,
Zele nossa riqueza.
Nossa mata preservada,
Alegra a natureza.
Nossos rios e cachoeiras,
nos enchem de emoção.
A nossa serra sagrada,
Nossa vegetação.
É um santuário sagrado,
Nas trilhas do sertão.
É um santuário sagrado,
Quando os raios de sol
Vem surgindo.
O som do canto da passarada,
Não existe nada tão lindo.
É os sons do universo,
Detectados pelo o telescópio bingo.
A cachoeira da Serra do Urubu,
As aguas revela sua beleza.
É no coração das matas,
Nos encanta a natureza.
É um tesouro revelado,
Revelando sua grande riqueza.
As trinta é duas nascentes,
De aguas cristalinas.
Vem descendo por montanhas
Vales é colinas,
É um patrimônio da biodiversidade
Da Serra Santa Catarina.
Andando pelas as matas,
Escuto um som celeste.
Ele vem do lado Sul,
Aparece no lado Leste.
É o canto sagrado,
Do Arapaçu do Nordeste.
Um beija flor,
Beija uma flor.
De flores azuis é violetas,
Uma conexâo do universo
É seus cometas.
Vejo uma tela sendo pintada,
Com as cores das assas das borboletas.
Canta o sabiá
Canta o rouxinol,
Vejo nas montanhas
O brilho do Sol.
Que se esconde no fim da tarde,
Deixando seu arrebol.
No observatório o céu é lindo,
Com muitas estrelas.
O vento Aracati vem surgindo,
Trazendo folhas rasteiras.
É as aves noturnas,
Aparece cantando nas caverna,
É cachoeiras.
É na Serra onde a Onça esturva,
Procurando sua caça.
Onde canta a coruja,
Quando por ela se passa.
Onde o tatu faz o buraco na Serra,
É a onça passa por ele é não acha.
É na Serra onde se encontra,
Espécie de animais
É plantas nativas.
Fortalezas ocultas
Escrita ainda não lida,
Um museu da história
Das nossas tribos indígenas .
É na Serra onde a história
Foi vívida,
Escravos e Coronéis
Que lá deixou erguida,
Um cerca feita de pedras
A casa da farinheira antiga.
La esta a furna da onça
O olho d’água,
Os caixões do tesouro.
Uma luz andando por cima da Serra,
Semelhante a um carneiro de ouro.
Vestígios de uma cidade que será,
construída no século vindouro.
Tem na cachoeira das meladas,
Sons de cavalaria .
Uma voz do encantado,
Que lá se escuta todo dia.
Isso é uma fato relatado,
Que visões que lá aparecia.
Tem o sitio vaca morta,
Catinga Urupemba
Açude do Morcego.
Repleto de histórias,
Guardião de segredos.
A trilha dos Vianas,
Que passa pela cruz do negro.
Do outro lado tem novenas,
Devotos que cumpre sua sina.
Levam cartas escritas,
Coloca na cruz da menina.
Que carrega em sua história,
As origens da Serra Santa Catarina.
Lindas matas que são preservadas,
Tesouros que estão se encontrando.
Cavernas de histórias milenares,
Aves que fica rodeando.
São os mistérios que guardam,
A barragem de Salviano.
Na barragem de Salviano,
La se pareçe uma orquestra.
Aparece a onça parda,
Bebendo as águas que lhe resta.
Lá os animais ficam se encontrando,
No meio da grande floresta.
Próximo fica a ponte de pedra,
Rica de beleza é poesia.
Em matéria de artes,
Desafia a filosofia.
Revelando os segredos,
Da vida animal e sua biologia
Muitos enredos
Na Serra Santa Catarina
O tempo foi preservando.
O tesouro do olho d’água,
A sereia que fica cantando.
Objetos luminosos,
Que pelo o céu fica passando.
Como é o lindo o arco-íris,
Que na serra estou contemplando.
As chuvas que por lá vão caindo,
É a neve que lá vai se formando,
E ver no cume da Serra .
O sabiá laranjeira cantando.
Como é lindo contemplar,
As maravilhas dessa beleza.
Ver os cocos catolé,
As águas descendo em correnteza.
E ver as sete maravilhas,
Da nossa mãe natureza.
Ver as sete maravilhas da natureza,
A criação divinal.
Na serra santa Catarina,
Tudo é sensacional.
É no pé da serra,
Encontrar vestígios antigos
Das caieiras de cal.
A mata branca,
No inverno floresce.
As flores florindo,
O orvalho umedesse.
A Serra Catarina,
É beleza rara em nosso
Nordeste.
Localizada entre as cidades
De são José, Aguiar, carrapateira
É Nazarezinho.
Trazendo o turismo,
Desbravando os caminhos.
Foi onde o urubu rei ,
Procurou fazer o seu ninho.
A ciência estuda,
A sua vegetação.
Rica em raridade,
Em sua diversidade.
De mineração
A Serra Santa Catarina,
Nosso diamante do sertão.
Nosso diamante,
De beleza nordestina.
O ype roxo,
No angico a resina.
É brilhando na Serra,
Nosso minério de turmalinas.
Nela a turmalina
É azul néon.
Que a natureza
Mesmo fabrica,
Nada se compara
A beleza dessa terra querida.
É a joia mais preciosa,
Do estado da Paraíba.
No estado da Paraíba,
É onde nasce as fontes
De águas do sertão.
Enche o açude de Coremas,
Traz vida a população.
É a natureza permanece firme,
Mantendo seu estado de conservação.
São José da Lagoa Tapada,
O seu povo é quem diz.
Terra da onça parda,
Do urubu rei é o concriz.
Nela a natureza,
Se sente alegre é feliz.
A natureza é feliz
No sorriso de sua gente.
Se proteger nossa serra,
O futuro será diferente.
A natureza ficara,
Sagrada Pra sempre.
O futuro será,
Das nossas gerações.
Se cuidar da natureza,
Será tema de canções,
Será o caminho do avanço,
Do nosso sertões.
A natureza é sempre linda,
Vista de qualquer visão.
Aparecendo na telas,
Dos cinema do sertão.
Será tema de novela,
A nossa preservação.
Proteja a Serra Santa Catarina,
Contemple o seu céu
Azul anil.
Visite a nossas cachoeiras,
Elas será a mais bela do Brasil.
Venha conhecer essa maravilha,
Veja sua raridade.
Conheça as plantas nativas,
A beleza da sua biodiversidade.
A Serra Santa Catarina ,
É um tesouro de nossa cidade.
Venha conhecer,
Sua maravilha.
Subir as montanhas altas,
Andar em suas trilhas.
Contemplar as luzes da cidade,
Que de noite sempre brilha.
Venha conhecer essa terra,
Descrita nesse papel.
Conhecer esse poeta,
Que escreve esse cordel.
Conhecer a serra santa Catarina,
Que tem rimas…
Como as estrelas bordadas no céu.
Venha ver essa cena bela,
É veja como é bonito.
O azulão dentro das matas,
O pica pau com a casca no bico.
É ver o ninho da casaca,
No galho do angico.
Andando pela a natureza,
Muita coisa deparo.
É tudo que vejo,
Acredito que seja raro.
Observo a arquitetura,
Da casa do João de barro.
Basta ver o macaco prego,
É também o saguim.
Ver o peba correndo,
O tatu se esconder
No buraco sem fim.
É as abelhas fabricando o mel,
Deixando o doce pra mim.
Bonito é ver o sofreu,
A Viana é o curió.
O veado catingueiro,
O tamanduá bandeira
A asa branca é o socó.
É ver na loca da pedra,
Escondido o mócó
Bonito é as grutas da Serra,
Entrar nela sem medo.
Ver as escritas nas pedras,
Não decifrar é sentir medo.
Por isso que a floresta,
Guarda muitos segredos.
Por isso que sinto desejo,
É também muita inspiração.
De construir a fortaleza,
Serra Santa Catarina.
É convidar a população,
Revelar todos os segredos
De sua vegetação.
É por isso que sinto o desejo,
Quando vejo o garoto
Jogando bola.
Dar vontade de ler esse cordel,
Fazendo caminho pra escola.
Quem sabe se cuidar da natureza,
Essa atividade não cola.
Quem sabe essa atividade na escola,
Seja a solução.
De cuidar da floresta,
Zelar sua vegetação.
É assim transformar o mundo,
Com a verdadeira educação.
Aqui finalizo o verso,
Com amor é ternura.
Quem observa a natureza,
Nela descobre doçura.
Vendo que a criação do criador,
Se tornou a maior arquitetura.
Fontes:
Entrevista concedida a Gustavo Roberto por Bruno Nogueira (2025).
Portal Paraíba Criativa – Inventário da Cultura Popular Paraibana
Blog Sertão em Cena – Cultura Popular e Cordel no Sertão da Paraíba (2023).
4 respostas
Parabéns 👏👏👏👏.
Parabéns, poeta Bruno, pelas contribuições culturais!
Parabéns por dia militância aguerrida, em favor da Cultura e do Meio Ambiente,
Parabéns por sua militância aguerrida, em favor da Cultura e do Meio Ambiente,