Pesquisa e texto: Hitalo Vieira
A cana-de-açúcar é um dos pilares da economia paraibana desde o período colonial, quando os engenhos do Litoral e do Brejo marcaram a ocupação do território e a formação social e cultural do estado. Nos séculos XVI a XVIII, o açúcar era comparável ao petróleo contemporâneo em valor estratégico, constituindo a principal atividade econômica do Brasil Colônia. Para a instalação de um engenho era necessário grande capital, incluindo terras, ferramentas, animais e, sobretudo, mão de obra escravizada. Inicialmente indígenas, como os tabajaras e potiguaras, foram explorados na produção; a partir do século XVII, prevaleceu a utilização de africanos escravizados, que se tornaram a principal força de trabalho até o século XIX.
Os engenhos eram complexos agromanufatureiros compostos pela casa grande, a fábrica de açúcar, senzalas e capelas. Localizavam-se, em sua maioria, no Litoral, pela proximidade dos rios Paraíba e Mamanguape, fundamentais para o escoamento da produção até os portos. Posteriormente, expandiram-se para o Brejo, favorecidos pelo clima, e de forma limitada para o Sertão, onde predominava a criação de gado.
Com o declínio da produção açucareira tradicional, muitos engenhos foram abandonados, destruídos ou absorvidos por usinas modernas. Ainda hoje, no Vale do Rio Paraíba e em áreas de Santa Rita e Cruz do Espírito Santo, é possível encontrar capelas preservadas, embora as casas grandes e senzalas tenham, em grande parte, desaparecido.
No cenário atual, a Paraíba se consolidou como o terceiro maior produtor de cana-de-açúcar e açúcar do Nordeste e o segundo maior produtor de etanol da região. A safra 2024/2025 encerrou-se com moagem de 7,4 milhões de toneladas de cana, crescimento de 1% em relação ao ciclo anterior. A produção de açúcar foi o grande destaque, com aumento de 28%, atingindo 293,4 mil toneladas. O etanol também cresceu 4%, somando 398,2 mil m³, com avanço expressivo de 40% no etanol hidratado, apesar da queda de 24% no etanol anidro.
Segundo o Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool na Paraíba (Sindalcool-PB), a safra foi marcada por inovações tecnológicas, como o uso de drones no combate a pragas, além de avanços sociais, com maior participação de mulheres, e ambientais, como a expansão da colheita mecanizada. O setor sucroenergético gera cerca de 12 mil empregos diretos, podendo chegar a 20 mil ao longo da safra, além de milhares de postos indiretos.
Em 2024, a categoria “Açúcares e melaços” foi responsável por 49% do valor das exportações paraibanas, liderando a balança comercial do estado.
O Governo da Paraíba lançou em 2025 o programa Caminhos dos Engenhos, com investimento de R$ 5 milhões em incentivos fiscais para preservação e ocupação cultural e turística dos engenhos históricos. O projeto prevê tanto intervenções estruturais em antigas propriedades quanto ações voltadas ao turismo cultural e gastronômico, como festivais, saraus, oficinas, degustações e mostras.
Assim, a cana-de-açúcar na Paraíba representa não apenas um setor econômico em constante expansão, mas também um elemento histórico, cultural e identitário, que conecta o passado colonial da formação do estado com sua relevância contemporânea no mercado sucroenergético nacional e internacional.
Fontes:
https://www.ibge.gov.br/explica/producao-agropecuaria/cana-de-acucar/pb
https://auniao.pb.gov.br/noticias/almanaque/paraiba-dos-engenhos