Entrevista: Samuel Cintra
Naturalidade: João Pessoa – PB
Nascimento: 12 de agosto de 1973
Atividade artístico-cultural: Artista Visual
Atividade profissional: Arquiteta e Urbanista e Artista Visual
Formação Acadêmica:
Graduação em Arquitetura e Urbanismo pela UFPB – Universidade Federal da Paraíba
Pós graduada em Engenharia Civil Diagnóstica – INBEC
Publicação: Exposição Poiesis da Alma (repertório transversal)
Instagram: @carlaluna_art
Carla Luna é Arquiteta e Urbanista e Artista Visual, nasceu em João Pessoa-PB, mas viveu a primeira infância em Salvador, Bahia, lugar reconhecidamente de efervescência e identidade cultural peculiar. A sua imersão, enquanto criança, na exuberante cultura soteropolitana, profundamente entrelaçada com o sincretismo religioso, introjetou na artista uma forte referência estética, toda uma cena de cores fortes, formas, ritualísticas, e de uma figura humana que se impõe plasticamente.
Esta foi a sua primeira impressão de pertencimento a um lugar, uma cidade em que toda conformação urbana coloca em evidência uma atmosfera poética, destacada, quanto a isso, desde as ladeiras de Santo Antônio Além do Carmo e os casarios, com as sinuosidades das ruas, que para o caminhante criam planos que se desvelam e se vão, em sequência, enquanto se caminha, semelhante a um “motion” de cinema; até a Cidade Baixa e a Baía de Todos os Santos, como um lugar de abertura para o mundo. Emergiu como parte de seu próprio povo, do qual sente-se parte por alma.
De volta a João Pessoa, graduou-se em Arquitetura e Urbanismo pela UFPB – Universidade Federal da Paraíba, em 1998, onde deu início às suas primeiras experimentações nas Artes Visuais, através de disciplinas que trabalhavam o fazer artístico com muita ênfase na Sinestesia, na integração entre os sentidos para o labor de um trabalho artístico.
No curso de Arquitetura, aprendeu toda a parte do conhecimento do desenho técnico, da representação gráfica de elementos, do desenho em perspectiva, do comportamento da luz e da sombra, da teoria das cores e suas aplicações, e também da Fotografia, desde a captura da imagem até a revelação da imagem em papel fotográfico, seus conceitos, bem como a intervenção sobre a imagem capturada por recursos digitais. Além disso, cursou Estética e História da Arte, e este conhecimento permeia toda a sua trajetória, uma vez que é objeto de estudo continuado.
Sobre o seu fazer artístico, sempre esteve em constante produção, desde a criação de murais até artes manuais e ilustrações para o público infantil, em uma instituição religiosa, onde produziu intensamente. Ainda voltada para o público infantil, também desenvolveu a arte de contar histórias para crianças e desenvolveu, neste contexto, mais do teatro que lhe chegou através da disciplina de Teatro, no curso de Educação Artística da UFPB.
Após esse intenso período, viveu entre João Pessoa e Recife durante 15 anos, e então, neste novo ciclo, agora como mulher-mãe-artista-arquiteta, reconheceu-se por alma, também, neste lugar. Pernambuco tornou-se outra referência de lugar-raiz, especialmente a cidade do Recife e o seu povo, sua produção cultural também única, na literatura, na música, na poesia, nas artes plásticas e no modo como o Urbano se dá, como a vida urbana acontece na cidade vivida e praticada: toda esta vivência opera na artista um sentido de pertencimento completo.
Atualmente (2025), está com a exposição Poiesis da Alma, com trabalhos que trazem algo da síntese de seu repertório transversal, no sentido de ter sido construído através da leitura da literatura brasileira e da literatura universal, da Filosofia, da Poesia e da Psicanálise: uma bagagem de conteúdo que segue em constante e intensa evolução.
Carla Luna, no momento, organiza sua próxima exposição para o segundo semestre de 2025, com novos trabalhos que são fruto deste repertório continuamente construído, bem como das vivências de fora de sua cidade natural, João Pessoa, das experiências da vida que lhe marcaram afetos na alma, e que lhe permitem, assim, adentrar novas experimentações na linguagem pictórica.
Uma forte carga de subjetividade está presente em seu trabalho, e uma das marcas do seu fazer artístico é a intenção de deixar um algo não-dito, a fim de tentar trazer um a mais de lugar à subjetividade do observador, um estímulo à relação dialética entre a obra de arte e seu interlocutor pela via da subjetividade.
A artista trabalha com uma paleta de cores vibrantes que se colidem entre si, cenas em que o que é demasiado humano do universo feminino, que também é seu próprio, aparece; como também está presente a representação simbólica de afetos que atravessam a alma humana.
Umas das obras da Exposição Poiesis da Alma

Título: A Dama Esperando Godot com o Gato Fidel e o Pássaro Azul
Acrílica sobre tela, 2024
Dimensão: 1,24m X 1,20m
Referência literária: Esperando Godot – Samuel Becket
En attendant Godot (no original em francês) ou Waiting for Godot, em inglês (À Espera de Godot em Portugal; Esperando Godot no Brasil), é uma peça de teatro escrita pelo dramaturgo irlandês Samuel Beckett (1906-1989). Escrita originalmente em francês, foi publicada pela primeira vez em 1952 e apresentada no pequeno Théâtre Babylone em Paris, com direção de Roger Blin (1907-1984). É considerado um dos principais textos do teatro do absurdo e a principal obra de Samuel Becket.
Sinopse: Esperando Godot, de Samuel Beckett, é uma das obras que mais suscitam questionamentos. Nela, dois maltrapilhos, Vladimir e Estragon, conversam sobre suas dores e contentamentos enquanto aguardam a chegada de Godot, uma entidade indefinida, mas em quem depositam todas suas esperanças.
Godot nunca chega.
Fonte: Entrevista concedida por Carla Luna no dia 25 de abril de 2025.