Pesquisa e texto: Aida Belaunde
Município: João Pessoa – PB
Inauguração: 24 de fevereiro de 1911
“Com a inauguração do elegante e espaçoso prédio do Cine Teatro ‘Rio Branco’, na esquina das ruas Peregrino de Carvalho com a Direita, no confortável edifício do Cinema Jaguaribe, iniciou-se uma fase mais distinta para os apreciadores do cinema falado, que no velho Teatro Santa Rosa fora a causa deste entusiasmo e corajosas iniciativas – “A União”, 5 de janeiro de 1934.
Inaugurado em 24 de fevereiro de 1911 pela empresa Ratacaso & Cia., na esquina das ruas Direita e Peregrino de Carvalho, o Cinema Rio Branco destacou-se como um dos mais importantes espaços de lazer e sociabilidade de João Pessoa. Em uma época marcada por fortes divisões sociais, foi o único cinema da Paraíba a divulgar publicamente que não selecionava seu público, abrindo as portas para espectadores de diferentes classes sociais. Anunciado como um “cassino familiar”, o Rio Branco exibia principalmente produções italianas e inglesas e rapidamente se tornou referência na difusão da cultura cinematográfica na capital. Inspirado em uma casa de exibição homônima do Rio de Janeiro, o empreendimento atravessou diferentes momentos de sua história, passando por quatro fases distintas que acompanharam as transformações urbanas e culturais da cidade.
Desde os primeiros anos de funcionamento, o Rio Branco destacou-se por reunir públicos de diferentes classes sociais em torno das novidades trazidas pela então jovem arte do cinema. Além das exibições de filmes nacionais e estrangeiros, a casa promovia apresentações musicais, eventos especiais e ações promocionais que ajudavam a consolidar o hábito de frequentar sessões cinematográficas na cidade.
Durante as décadas de 1910 e 1920, sob a administração do empresário Einar Svendsen, o cinema passou por importantes modernizações e se manteve atento às inovações tecnológicas do período. Entre elas, estiveram as experiências pioneiras com sistemas que buscavam sincronizar imagem e som, antecipando a chegada definitiva do cinema falado e reforçando o papel do Rio Branco como um espaço de vanguarda cultural.
Com o crescimento urbano de João Pessoa, o antigo prédio deu lugar a uma nova estrutura inaugurada em 1933. Projetado pelo arquiteto italiano Giovanni Gioia, o novo Cinema-Theatro Rio Branco foi considerado um dos mais modernos do Nordeste, reunindo arquitetura imponente, maior capacidade de público e equipamentos tecnológicos que representavam o avanço do setor cinematográfico na época.
Ao longo de sua trajetória, o Rio Branco tornou-se um importante ponto de encontro da sociedade pessoense. Suas sessões movimentavam o centro da cidade e contribuíam para a formação de uma vida cultural cada vez mais dinâmica, consolidando o cinema como uma das principais formas de entretenimento coletivo do período.
Em 1935, o espaço passou a se chamar Cine Rex, encerrando a fase do Cinema Rio Branco. Mesmo assim, sua história permanece associada ao desenvolvimento cultural de João Pessoa e à consolidação do cinema como parte da memória afetiva de gerações de paraibanos.
Fonte:
LEAL, Wills. Cinema na Paraíba/Cinema da Paraíba: primeiro volume. João Pessoa: Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho/Gráfica Santa Marta, 2007.