Pesquisa e texto: Gustavo Roberto
Localização: região central de João Pessoa, nas imediações da atual Praça Caldas Brandão, bairro de Tambiá/Torre
Natureza: antigo sítio, marco territorial e referência urbana histórica
Período de relevância: século XIX e primeira metade do século XX
Cruz do Peixe foi a denominação histórica de uma extensa área de João Pessoa que, antes da expansão urbana da capital para o litoral, funcionava como ponto de passagem entre a cidade consolidada e as regiões costeiras. Originalmente um sítio localizado entre o núcleo urbano da antiga Parahyba do Norte e a praia de Tambaú, o lugar tornou-se referência geográfica, econômica e simbólica da ocupação da cidade, permanecendo por décadas na memória afetiva dos moradores como identificação territorial da região onde atualmente se encontram equipamentos como a Praça Caldas Brandão, o Hospital Santa Isabel e a atual Usina Cultural Energisa.
O nome “Cruz do Peixe” está associado ao encontro dos caminhos percorridos por pescadores vindos de Tambaú e atravessadores responsáveis pela comercialização dos pescados. Após atravessarem áreas de mata, rios e sítios, esses trabalhadores chegavam ao ponto onde a mercadoria passava a circular rumo às residências da elite urbana da capital. O local funcionava, assim, como uma espécie de entreposto e marco de circulação entre o litoral e a cidade, originando uma denominação que permaneceu incorporada ao imaginário urbano pessoense.
Inicialmente pertencente à Ordem dos Beneditinos, o sítio Cruz do Peixe foi progressivamente integrado ao crescimento urbano de João Pessoa. Ainda no século XIX, a região começou a receber equipamentos ligados à assistência e à saúde, como estruturas da Santa Casa da Misericórdia, sendo posteriormente ocupada pelo Hospital Santa Isabel, inaugurado em 1914. Na primeira metade do século XX, consolidou-se como espaço estratégico de circulação e infraestrutura, abrigando a Estação e a Usina Cruz do Peixe, responsável pelo fornecimento de energia elétrica à capital a partir de 1912, além de equipamentos ligados ao transporte urbano, como a garagem dos bondes elétricos.
A relevância da região também aparece em registros jornalísticos e administrativos do período. Em 1940, o jornal A União mencionava a Cruz do Peixe como um “bairro” visitado pelo interventor estadual Rui Carneiro, revelando sua centralidade no cotidiano urbano da capital. Na mesma década, relatórios patrimoniais do Estado identificavam a área do antigo sítio Cruz do Peixe como patrimônio público, evidenciando sua importância territorial em meio ao crescimento de João Pessoa rumo ao litoral. Apesar das mudanças toponímicas e urbanísticas, o nome ainda persiste como referência histórica e afetiva na memória da cidade.
Fontes:
https://www.memoriajoaopessoa.com.br/acervo-patrimonial/8.pdf