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Data de publicação do verbete: 13/09/2025

Danilo Moveo

Danilo Moveo

Artista Plástico, fotógrafo e músico.

Entrevista, pesquisa e texto: Sara Fortunato 

Naturalidade: João Pessoa – PB

Nascimento: 14 de dezembro de 1986 

Atividades artístico-culturais: Artista Plástico e Fotógrafo

Atividade Profissional: Cientista

Instagram: @danilo.moveo 

Facebook: danilo.moveo 

Danilo Moveo é um artista plástico, fotógrafo, músico, e pesquisador em formação interdisciplinar com atuação nas áreas de neurociência, arte e criatividade.   

Natural de João Pessoa-PB, Danilo iniciou sua trajetória nas artes plásticas de forma despretensiosa em 2007, inicialmente impulsionado pelo desejo de formar uma banda, o que o levou a frequentar aulas de técnica vocal no antigo CENATED (atualmente CEARTE). Embora o projeto musical não tenha se concretizado, a experiência com os cursos de artes oferecidos pela instituição despertou nele o interesse em explorar outras linguagens artísticas. Participou de aulas de desenho, escultura em argila e fotografia, porém foi na pintura que encontrou um potencial até então desconhecido, destacando-se rapidamente e sendo transferido da turma iniciante para a turma avançada. 

Por intermédio do professor Pádua Lucena — figura de grande importância em sua trajetória artística — Danilo teve seus primeiros contatos com os conceitos de arte clássica, moderna e contemporânea. Foi nesse período que iniciou estudos a partir de réplicas de obras consagradas, como Guernica e Les Demoiselles d’Avignon, do pintor espanhol Pablo Picasso. Naquela fase, a pintura ainda era encarada como um hobby, e Danilo não havia desenvolvido um estilo próprio. Por isso, sua produção inicial esteve majoritariamente voltada para composições de caráter representacionista. Simultaneamente ao caminho das artes plásticas, ele começou a cursar biologia, e  ao ler uma matéria no ano de 2008 sobre os primeiros estudos que envolviam arte e neurociência  ele descobriu o que iria querer fazer para o resto da vida: juntar arte e cérebro.  Apesar de sua paixão pelas artes, a universidade acabou o levando para outros caminhos, ele completou a sua graduação, começou a lecionar, mas pediu demissão logo em seguida. Nesse período, passou a trabalhar como fotógrafo que era o que lhe garantia o sustento. Ainda nessa época  ele começou a experimentar novas técnicas de pintura, o que o levou a se identificar com o abstracionismo lírico, estilo marcado por traços poéticos e caligráficos.  

Ao encontrar seu próprio estilo de pintura, Danilo passou a inscrever seus quadros em concursos internacionais o que acabou lhe rendendo a sexta colocação numa dessas premiações, e reconhecimento nos jornais locais e também a nível nacional. A partir desse momento Danilo Meneses, adotou o pseudônimo Moveo originário do latim língua na qual tinha um prévio conhecimento devido as aulas de biologia na faculdade e inspirado na figura mitológica de Morfeu.  

“Ao pintar me ocorreu o sentimento de sonhar acordado, então eu lembrei de sonho o que me levou a lembrar do Morfeu, ao investigar a origem desse nome, terminei no verbo Moveo que significa o movimento que dá origem ao sonho.”  

A notoriedade que o seu trabalho lhe trouxe, o levou a conhecer a professora Maira Froes, da UFRJ que estava iniciando o seu primeiro laboratório de artes e neurociência no Brasil, ela o convidou para um evento que reunia neurocientistas, filósofos e artistas para expor suas obras a céu aberto no Inhotim em Minas Gerais. A partir daí, mudou-se para o Rio de Janeiro para realizar o mestrado sobre arte e neurociência sob orientação da professora Maira. Com base em suas experiências dentro do mestrado, Danilo escreveu um livro intitulado Arte, mente e matéria. 

De volta a João Pessoa em 2016, Danilo conciliou o ensino de fotografia com o ensino de aulas para o curso de Psicologia, vivendo um período de realização por atuar em suas duas grandes paixões. Pouco antes da pandemia, iniciou o doutorado em neurociência, focando na relação entre criatividade, estado cerebral e movimentos das mãos — buscando compreender, por exemplo, como o uso do celular ou o gesto criativo pode refletir estados de relaxamento, ansiedade ou depressão.

Atualmente no pós-doutorado, Danilo Moveo estuda a arte no processo de criação e como isso se relaciona com o cérebro. Um de seus experimentos que envolvem cérebro e música  lhe rendeu um prêmio internacional. Paralelamente, tem retomado os estudos musicais especialmente na flauta, e orienta projetos acadêmicos que relacionam artes visuais e neurociência.  

“Um projeto de vida que eu tenho é continuar nesse tipo de pesquisa que me dá muito prazer em pesquisar”, afirma.

Embora na infância não imaginasse ser artista — e nunca tenha desenhado com frequência —, a arte esteve sempre presente em sua vida como coadjuvante. O impulso para desenhar veio de ver seus primos pintarem, e o aprimoramento técnico, do próprio esforço e dedicação em cursos. Hoje, ele se define como um “cientista das artes”, não apenas visuais, mas das artes em sua totalidade, com o desejo de compreender como a expressão criativa pode servir como ferramenta de promoção da saúde mental e bem-estar.

Seus interesses atuais envolvem investigar os efeitos fisiológicos da arte no cérebro e no corpo, sobretudo como forma de prevenção ao adoecimento psíquico. Inspirado por práticas internacionais de arteterapia em hospitais, Danilo Moveo continua seu projeto de vida: integrar arte, ciência e sensibilidade humana.

Seu portfólio pode ser encontrado no seguinte endereço: danilomoveo.com

Fontes: 

Entrevista concedida a Sara Fortunato em 08 de setembro de 2025

Ebook “Arte, mente e matéria”. Disponível em: https://www.editorafi.org/ebook/c004-arte-mente-materia

Livro “Arte, mente e matéria”.

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