Entrevista e texto: Rose Leonardo
Naturalidade: Conceição – PB // Radicado em Santana de Mangueira – PB
Nascimento: 4 de agosto de 1979
Atividades artístico-culturais: música, poesia, literatura de cordel, repente, composição, comunicação radiofônica e cultura popular.
Principais obras: O sertão não sai da gente; O Nordeste precisa da transposição; O pão de cada dia; Poesia anatômica; Pai “Pêdo”, o famoso pai-de-santo; Paz à humanidade; Um planeta em apuros; Hino a Santana de Mangueira; Hino a Sant’Ana.
Instagram: @deda_oliveira.3
Déda Oliveira, nome artístico de Rivonaldo Inácio de Oliveira, nasceu em 4 de agosto de 1979, em Conceição, no Vale do Piancó, Paraíba, e reside atualmente em Santana de Mangueira. Poeta, repentista, músico, cantor, compositor, radialista e cordelista, desenvolve sua trajetória artística a partir de uma forte relação com a cultura popular nordestina, especialmente com a poesia oral, a cantoria de viola, a literatura de cordel e a música.
Seu contato com a arte começou ainda na adolescência. Aos 15 anos, iniciou seus primeiros acordes no violão e já experimentava a composição de estrofes e quadras. A aproximação com os poetas repentistas, as cantorias de viola e os folhetos de cordel adquiridos nas feiras, muitos deles levados por seu pai, foram fundamentais para sua formação artística. A figura paterna também exerceu influência importante, especialmente pela prática de cantar e improvisar versos durante o trabalho na agricultura.
A literatura de cordel, a Bíblia, as enciclopédias e os conhecimentos relacionados à natureza, à história e à cultura contribuíram para ampliar sua formação. Ao longo desse processo, desenvolveu uma produção marcada pela poesia e pelo interesse por temas ligados ao Nordeste, à vida cotidiana, à memória e à cultura popular.
Na música, atuou em bares, festas, serestas e comemorações, além de participar de eventos e apresentações ao lado de artistas e grupos de forró. Em 2010, gravou seu primeiro CD, “O sertão não sai da gente”. No ano seguinte, participou do Forrofest 2011, em Campina Grande, conquistando o segundo lugar na Paraíba com a composição “O Nordeste precisa da transposição”. A obra também foi apresentada no programa Nordeste Caboclo, dos poetas Geraldo Amâncio e Carneiro Portela, exibido pela TV Diário, em Fortaleza.
Uma das realizações de maior significado em sua trajetória é a composição do Hino de Santana de Mangueira, criado por ocasião dos 50 anos de emancipação política do município, em 2013. Na obra, o artista retrata aspectos da história local, seus primeiros habitantes, a paisagem e as características do município. Pela contribuição à cidade, recebeu homenagem da administração municipal e, em 2015, o título de Cidadão Santanense.
Sua relação com Santana de Mangueira também se fortaleceu por meio da atuação no rádio. Na Rádio Santana FM, trabalhou como locutor e apresentador durante quase oito anos, conduzindo programas voltados à música e à cultura nordestina. Pela maneira irreverente e dinâmica de apresentar os programas, ficou conhecido como “Déda Oliveira, a Irreverência do Rádio”. Entre os programas que fundou estão Bom Dia Sertão, O Canto do Uirapuru, O Forrozão do Dedão e Violas e Poesias da Santana FM.
Além da produção artística, Déda Oliveira participa voluntariamente da organização de eventos culturais no município, incluindo festas juninas, apresentações, cantorias de viola e shows. Também integra grupos de trovadores e grupos dedicados ao estudo de temas nordestinos, como o cangaço. Atualmente, mantém a produção de poesias e literatura de cordel, com trabalhos relacionados à história do Nordeste e ao Vale do Piancó.
Entre suas produções estão “O pão de cada dia”, “O sertão não sai da gente”, “O Nordeste precisa da transposição”, “Poesia anatômica”, “Pai ‘Pêdo’, o famoso pai-de-santo”, “Paz à humanidade”, “Um planeta em apuros”, “Voltando pra casa”, além dos hinos “Hino a Santana de Mangueira” e “Hino a Sant’Ana”.
A atuação de Déda Oliveira está profundamente vinculada à preservação e à divulgação da cultura popular nordestina. Em sua própria compreensão, a arte contribui para transformar a realidade, fortalecer o sentimento de pertencimento e preservar a memória coletiva. Sua trajetória reúne diferentes formas de expressão: música, poesia, repente, cordel e rádio tendo como elemento comum a valorização das histórias, dos saberes e das tradições do Nordeste.
Fonte:
Entrevista com Déda Oliveira realizada por Rosilene Leonardo 13 de agosto de 2026.