Pesquisa e texto: Sara Fortunato
Instagram: @beijaflozin
Flôcore é um projeto musical e cultural paraibano que se configura como uma imersão sonora entre raízes populares e experimentações contemporâneas. Idealizado e conduzido por Flô (nome artístico de Jéssica Vieira), artista natural de Campina Grande, o projeto nasce do encontro entre o regional e o psicodélico, articulando música eletrônica, cultura popular brasileira e ocupação criativa dos espaços urbanos. Desenvolvido desde 2024, o Flôcore propõe uma escuta sensível e dançante que atravessa memória, território e identidade.
Com atuação interdisciplinar, Flô é DJ, artista visual, dançarina, capoeirista, cicloativista e pesquisadora das manifestações culturais populares, e imprime ao projeto uma trajetória que dialoga diretamente com vivências pessoais e coletivas. O Flôcore se constrói como extensão dessa caminhada artística, incorporando referências das danças folclóricas, das culturas de rua, das práticas colaborativas e da cena independente paraibana.
A curadoria musical do projeto mistura grooves, graves e beats eletrônicos com sonoridades tradicionais da cultura popular brasileira, criando atmosferas vibrantes e convidativas ao corpo e à reflexão. Ritmos como forró, coco, maracatu, carimbó, cantorias nordestinas, reggae, soul funk e black music aparecem recontextualizados em sets que valorizam a ancestralidade e a diversidade cultural, sem perder o diálogo com linguagens contemporâneas da música eletrônica.
O Flôcore também se destaca por sua dimensão política e territorial. O projeto dialoga com políticas de democratização cultural, valorização da diversidade e fortalecimento da cena artística independente, atuando em espaços formais e informais, como festivais, eventos culturais, ocupações urbanas, intervenções de rua e ações de formação de público. Nesse sentido, integra programações culturais, editais públicos e iniciativas voltadas à economia criativa local, contribuindo para a difusão cultural e o acesso à arte.
A construção da identidade do Flôcore é atravessada por experiências coletivas e colaborativas, como a participação em companhias de danças folclóricas, coletivos urbanos, ações de intervenção artística e movimentos culturais de rua. Esses atravessamentos moldam uma estética sonora e visual que afirma a cultura popular como tecnologia viva, em constante reinvenção.
Atuando principalmente na Paraíba, com circulação por cidades do Nordeste, o Flôcore se consolida como um projeto que tensiona fronteiras entre tradição e contemporaneidade, propondo novas formas de ocupar, escutar e sentir a cidade por meio da música. Ao pulsar entre passado, presente e futuro, o projeto reafirma o potencial transformador da cultura popular brasileira quando colocada em diálogo com práticas artísticas experimentais e coletivas.
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