Pesquisa e texto: Maria Beatriz Paulino
Município de origem: Campina Grande – PB
Surgimento: 04 de outubro de 1932
O Jornal “O Rebate” surgiu pelas mãos de Luiz Gil, Pedro d’Aragão e Eurípides Oliveira. O Jornal ficou ativo até a década de 1960, sendo considerado um dos jornais mais duradouros da história de Campina Grande, e tinha como subtítulo “Órgão proletário de interesse regionais”. Na época, as prováveis motivações de sua circulação foram devido a um combate ao comunismo, com interesse com classe operária e com os intelectuais da época.
Afrânio Aragão, filho de Pedro d’Aragão, em discurso perante a Academia Paraibana de Letras Maçônicas, disse: “O Rebate circulou ininterruptamente por mais de 20 anos, até que, morrendo o Professor Luiz Gil, papai resolver encerrar essa atividade jornalística”.
O jornal funcionava como uma tribuna para discussões políticas, sociais e culturais. Nele eram publicados artigos de opinião, críticas e posicionamentos sobre acontecimentos locais e nacionais. Foi o primeiro a publicar, em 4 de setembro de 1943, um artigo do jornalista Epitácio Soares apoiando a iniciativa de jovens estudantes do Recife que buscavam ampliar o acesso ao ensino secundário no Brasil. O texto elogia o espírito patriótico do grupo e destaca que a educação era essencial para o desenvolvimento do país, especialmente diante das dificuldades enfrentadas por estudantes de baixa renda, já que o ensino secundário era caro e pouco acessível, principalmente para quem vivia no interior.
[…] não vejo em que se possa ser mais útil à Pátria do que se lhe educando a juventude. Por isso mesmo, eis-nos a bater palmas a esse pugilo de moços que teve a lembrança feliz de fundar a C.G.P., cujo programa de ação vem delineando nas páginas do Boletim. São jovens brasileiros com pleno conhecimento das necessidades inadiáveis do País, procurando cooperar com o governo na obra de construção da nacionalidade, solucionando um dos problemas mais fundamentais de nossa estrutura social. O ensino secundário tem-se tornado muito oneroso no Brasil para que as pessoas em situação econômica inferior possam educar seus filhos, já por se exigir dos alunos fardamento caríssimo, já pelas taxas cobradas pelos colégios, que são elevadíssimas. Somente uma campanha como essa, promovida pelos estudantes pernambucanos, arquitetada por gente moça e cheia de entusiasmo patriótico, poderá abrir novos caminhos e acender novas luzes a centenas de brasileiros cujas inteligências, posto que promissoras, estavam condenadas a um miserável estiolamento só pelo fato de, não tendo cursos bastantes, não lhes ser permitido ir além da instrução primária (O Rebate, 04 de setembro de 1943).
Nesse contexto, o jornal defende iniciativas como a criação do Ginásio Castro Alves, vendo a educação como um instrumento capaz de combater a exclusão social e “trazer luz” à ignorância e às desigualdades educacionais.
O Rebate estava ligado a uma elite de Campina Grande que defendia ideias de moralidade e progresso, fortemente influenciadas pela Igreja Católica. Por isso, as pautas destacadas no periódico refletiam principalmente os valores e interesses desses setores da sociedade. Com a ascensão de Getúlio Vargas, a imprensa brasileira passou a se dividir entre influências ideológicas como o Integralismo e o Comunismo. Nesse contexto, o jornal O Rebate assumiu uma posição fortemente anticomunista e rivalizou com o periódico A Batalha, de orientação comunista, promovendo um debate ideológico oposto na imprensa do interior.
Fontes:
https://cgretalhos.blogspot.com/2016/12/jornal-o-rebate-por-rau-ferreira.html
https://auniao.pb.gov.br/noticias/caderno_diversidade/uma-fonte-de-expressao-campinense